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O QUE É TRANSPORTE MÁXIMO? | MK Fisiologia

MK Fisiologia9:00

Transcription

um dos primeiros sintomas do diabetes meritus é o aparecimento de formigas na orina do paciente. Isso acontece graças à presença de açúcar, ou melhor, glicose na urina, uma condição que a gente chama de glicosúria. Mas a questão é: por que isso acontece nos pacientes com diabetes melitos? A resposta dessa pergunta tá no tema desse vídeo: transporte máximo ou [Música] TM.

E aí, pessoal, tudo bem com vocês? Eu sou Miriam Caut, professora, mestre, Doutora e criadora do canal MK Fisiologia, um canal que tem como principal objetivo descomplicar fisiologia Humana. Porque, como eu sempre digo, fisiologia não precisa ser difícil. Então, se você tá precisando entender de verdade a fisiologia, já se inscreve no canal e ative as notificações para você não perder os próximos vídeos que a gente postar por aqui.

Agora, bora tentar entender o que é transporte máximo ou TM. Para entender esse conceito, a gente precisa lembrar que na membrana das células epiteliais dos túbulos dos néfrons, a gente tem várias proteínas transportadoras que realizam o transporte transepitelial de várias moléculas que podem ser assim reabsorvidas ou secretadas, como vimos nos vídeos anteriores.

Dentre essas proteínas transportadoras, nós temos as proteínas canal e as proteínas carreadoras. Mas quando a gente fala de transporte máximo, a gente tá falando do transporte que acontece através das proteínas carreadoras, pois nessas proteínas a molécula a ser transportada precisa interagir, ou seja, a molécula precisa se ligar em um sítio específico da proteína. Ao se ligar nesse sítio, a proteína muda de forma ou muda de conformação e carrega a molécula pro outro lado da membrana celular. A molécula, então, se desliga desse sítio e é liberada. Quando isso acontece, a proteína muda de novo de conformação e volta pro estado inicial, ficando pronta para transportar uma outra molécula. Todo esse processo demora um certo tempo para acontecer.

Portanto, o número máximo de moléculas que esse tipo de proteína transportadora consegue transportar dentro de um intervalo de tempo é limitado, ou seja, existe um transporte máximo de moléculas.

Vamos supor que essa proteína transportadora do tipo carreadora, presente na membrana apical das células epiteliais dos túbulos dos néfrons, consegue transportar no máximo 10 moléculas X que estiverem passando no lúmen desse túbulo dentro de um minuto, ou seja, o transporte máximo dessa proteína é de 10 moléculas X por minuto.

Então, se passar uma molécula por minuto, ela consegue transportar uma molécula por minuto. Se passar duas moléculas por minuto, ela consegue transportar duas moléculas por minuto, e assim por diante, até chegar na sua capacidade máxima de 10 moléculas por minuto. E aí, se passar 11 moléculas por minuto, essa proteína só vai conseguir transportar 10 moléculas por minuto, e uma molécula não vai ser transportada para dentro da célula epitelial, ou seja, uma molécula X não vai ser reabsorvida e vai ser excretada na urina.

E é exatamente isso que acontece com a glicose em um paciente com diabetes melitus não tratado, por exemplo. Considerando todos os transportadores de sódio e glicose (SGLT) que tem nas células epiteliais do túbulo proximal dos néfrons, que é onde acontece a reabsorção de glicose, o transporte máximo de todos esses transportadores fica em torno de 375 mg de glicose por minuto. Ou seja, enquanto estiver passando 375 mg de glicose ou menos a cada minuto lá no túbulo proximal, toda a glicose vai ser reabsorvida. Mas se passar mais de 375 mg de glicose por minuto, toda glicose que passar a mais desse valor não vai ser reabsorvida e será excretada na urina.

E é isso que pode acontecer nos pacientes com diabetes melitus não tratados que apresentam altas concentrações de glicose no plasma.

Observe aqui nesse gráfico que a atração de glicose no plasma é diretamente proporcional à taxa de filtração glomerular da glicose, ou seja, quanto maior for a glicemia, maior será a quantidade de glicose filtrada e, portanto, maior será a quantidade de glicose que vai passar pelo túbulo proximal por minuto.

Perceba que quando a glicemia tá em torno de 300 mg por 100 ml, ou seja, por decilitro, a quantidade de glicose filtrada é de aproximadamente 275 mg a cada minuto. Ou seja, quando a glicemia tá em torno de 300 mg por decilitro, atinge-se o transporte máximo da glicose no túbulo proximal.

Se a glicemia chegar a mais de 300 mg por decilitro, a quantidade de glicose filtrada por minuto pode ultrapassar o transporte máximo, e aí não dá para reabsorver mais que isso, e toda glicose acima de 375 mg por minuto vai ser excretada na urina.

Então, repare que depois que se atinge o transporte máximo, a quantidade a mais de glicose filtrada vai ser excretada na urina, ou seja, a quantidade de glicose filtrada passa a ser diretamente proporcional à quantidade de glicose excretada. Portanto, quanto mais glicose filtrada, mais glicose será excretada na urina.

Isso acontece porque os transportadores de sódio e glicose (SGLT) foram saturados, ou seja, todos estão ocupados trabalhando na sua capacidade máxima, e não é possível transportar mais glicose e não é possível reabsorver mais glicose por minuto do que os 375 mg por minuto.

Isso acontece não apenas com o transporte de glicose, mas também com o transporte de qualquer molécula cujos mecanismos de transporte envolvem uma proteína transportadora do tipo carreadora, como é o caso dos transportadores que transportam os aminoácidos filtrados que estão passando no lúmen do túbulo proximal pro interior das células epiteliais desse túbulo, ou seja, que fazem a reabsorção de aminoácidos.

Ah, e lembre-se que embora a gente tenha focado no transporte máximo de proteínas transportadoras carreadoras que participam da reabsorção de moléculas, esse conceito de transporte máximo também vale para proteínas transportadoras carreadoras que participam da secreção de moléculas, como é o caso das proteínas que participam da secreção de cátions e ânions orgânicos discutidas em um vídeo anterior.

Essas proteínas participam da secreção de muitas moléculas endógenas, mas também exógenas, como por exemplo, vários fármacos. Então, se a concentração de um determinado fármaco no plasma ultrapassar o transporte máximo, nem tudo vai ser secretado, e o que sobrar pode continuar agindo no organismo. Por isso, é importante entender o conceito de transporte máximo quando se estuda o mecanismo de ação da maioria dos fármacos.

Então, resumindo, transporte máximo, não se esqueça, é a capacidade máxima de transporte que as proteínas transportadoras do tipo carreadoras podem realizar na membrana das células. E como vimos nesse vídeo, esse conceito é muito importante no estudo da reabsorção e secreção, dois processos que determinam a excreção de várias moléculas na urina.

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Bom, a gente vai ficando por aqui. Qualquer dúvida, pode deixar aí nos comentários que a gente tenta responder, beleza? A gente se vê num próximo vídeo. [Música] Abraço. Y