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Metais estratégicos: cobre sobe com demanda de IA enquanto ouro e prata recuam

TIMES BRASIL - LICENCIADO EXCLUSIVO CNBC7:37

Transcription

A guerra entre Estados Unidos e Irã segue pressionando os mercados globais com investidores atentos ao risco de inflação e ao impacto no preço da energia. Negativos considerados de proteção estão escapando da volatilidade. E para entender esse cenário, eu vou conversar agora com o Benfard, que é sócio da B8 Partners e também especialista em investimentos e negócios internacionais. Olá, Beni, seja muito bem-vindo.

>> Obrigado, Marcelo, e a todo que nos acompanham. Que coisa, né? Agora o ouro, a prata, os metais preciosos como um todo estão despencando. Você pode explicar pra gente porquê?

>> Certamente esse movimento ele tem e a ver com eh o alongamento da decisão ou a postergação da decisão do Federal Reserve nos Estados Unidos de cortes de juros, que era esperado alguns cortes em 2026 e tá se desenhando apenas um. Eh, e esse movimento do Federal Reserve não cortar taxa de juros dos Estados Unidos significa que as treasuries vão continuar capturando o valor, o dólar vai continuar forte. E aí existe uma diferença bastante singular entre eh títulos do tesouro americano e metais de reserva, como o ouro e a prata. Marcelo, títulos do tesouro pagam dividendos, o ouro e a prata não pagam dividendos. E o custo de oportunidade de você segurar esses metais, eh, apostando numa alta deles, uma vez que o Federal Reserve deve manter os juros altos por mais tempo, acaba fazendo com que investidores decidam por essa migração e essa liquidação maior de metais vem nessa atuada.

Agora, a prata, ela vive um momento interessante, apesar de um dia ruim pro ativo, porque a prata nesses últimos meses ela ganhou um valor estratégico talvez maior do que ela jamais teve nas décadas recentes.

>> Não, você tem razão. Se nós observarmos só no ano passado a prata teve uma alta de mais ou menos 150% em 2025 e ela tá capturando esse valor por ela ser um metal dual, tanto reserva de valor como um metal estratégico pra indústria. Então, a gente trata da prata em elementos estratégicos de energias renováveis e da indústria como um todo por ela ser um metal transitório entre o ouro e o cobre. Então, ela tem um valor dual e ela tá sendo prejudicada, Marcelo, eh, em função dessa característica dual. Lembrando que ela ganhou 150% de valor no ano passado e ela vinha numa atuada de alta que atingiu seu pico ali em eh 29 de janeiro eh perdão, 28 de fevereiro com 121 a unça. Ela quase dobrou de valor em relação ao ano passado. E o que ela tá tendo de desvalorização é em função dessa característica do Federal Reserve. Mas se a gente comparar com o 31 de dezembro do ano passado, tanto o ouro quanto a prata estão muito alinhados com o fechamento do ano passado. Então o que a gente tá tendo é uma desvalorização dos dois metais em relação aos ganhos que foram extraordinários desse ano, mas em patamares muito semelhantes ao fechamento do ano de 2025. Para você ter ideia, eh o ouro tá tendo agora uma valorização visa visa 31 de dezembro de 2,5%. E a prata tá tendo uma desvalorização um pouco maior de 8% em comparação a 31 de dezembro de 2025. Então é uma oscilação, mas os ganhos foram muito grandes, como você muito bem trouxe.

>> Eu tô com o painel da CNBC aberto aqui na minha frente. A gente vê que hoje eh o ouro tá caindo bem, né? A prata tá caindo bem menos, 0,55. Mas chama atenção é que nesse patamar, nesse painel aqui em que tem vários metais preciosos, tem um que tá subindo que é o cobre, 2,11%. O nome disso é inteligência artificial, demanda.

>> É, sem sombra de dúvida. O cobre é um dos metais mais demandados. Tá certo, Marcelo? a data centers, eletrificação eh cada vez mais distribuída, a microgeração distribuída tem demandado o cobre eh de forma constante e perene. A o cobre no ano passado teve uma alta da ordem de eh deixa eu ver se eu tenho esse número aqui. Na verdade, ela oscilou positivamente eh de forma substancial. Eu não tenho número aqui, mas eh em função da demanda por eletrificação e também eh por data centers e etc. E a queda dela é muito sutil em comparação às demais, em função dessa volatilidade total que a gente tá tendo. Ela tava caindo algo como 2% na manhã de hoje, tá em recuperação, mas em comparação com o ano passado, ela tá praticamente idêntica ao que a gente tinha no fechamento de 2025. Isso tem muito a ver com essa demanda maior por eletrificação.

Se me permite, Marcelo, a o que a gente tá tendo eh em movimento de países de todo o mundo é um fortalecimento de estratégia de energias renováveis e de eletrificação e de data centers proprietários para tentar sair do risco fronteiriço ou de dependência direta a países geradores de energia como do Oriente Médio, e também fazer com que a autonomia seja um caso de soberania das nações. Então, eh, a gente deve ter um movimento de mais investimento em energias renováveis pelas nações, mais eletrificação de para depender cada vez menos de combustíveis fósseis. E nessa mesma toada você tem a geração distribuída, descentralizada de energia que vem ganhando cada vez mais escala junto a estratégia de data centers distribuídas por todo mundo, porque a inteligência artificial acaba sendo o fator de competitividade de empresas e de países.

>> Daí a gente tem um vizinho aqui que nada de braçado, né, Benny? O Chile que depende bastante do cobre aí, tem uma das maiores reservas do mundo. O Brasil também produz um um tanto razoável, não?

>> Produz? Eh, a gente tem eh boas reservas, a gente já foi eh mais produtor eh enquanto eh estrutura de eh de refino de cobre, mas a gente perdeu essa capacidade ao longo dos anos. Salve engano, a uma das maiores produtoras brasileiras era a Parna Panema e ela passou por dificuldades ao longo das últimas décadas e mas a gente tinha uma produção muito mais pujante. Mas você tá certo, as reservas eh chilenas e peruanas, que são limítrofes são bastante significativas e são responsáveis por boa parte eh da exportação mundial em função não só da capacidade de extração, mas também de refino e de abastecimento mundial.

E aí, nessa mesma toada, a gente também tem um vizinho aqui próximo a nós, eh, que tá se beneficiando, de certa forma, indiretamente por ter energia sobrando, que é o Paraguai. Marcelo, o Paraguai tem recebido investimentos robustos, não em função do cobre, mas em função de deter parte da energia da Itapub nacional, que faz com que ela seja um ponto estratégico de data center, como a gente falava de cobre, energia, etc. Então esse xadrez geopolítico acaba mexendo um pouco as peças do tabuleiro e vai beneficiar também o nosso vizinho paraguai, não em função da detenção de minerais críticos ou minerais estratégicos, mas de energia abundante em função da Itaipul Nacional.

>> Benfard, sócio da BAT, muito obrigado pela sua participação nessa edição do radar.

>> Eu que agradeço. Excelente dia a todos.