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Meus queridos, sejam muito bem-vindos. Nós estamos aqui em mais uma formação neste caminho de conquista das virtudes. Você já percorreu um caminho belíssimo de vitória sobre o vício. Agora vamos lá nesse caminho de conquista das virtudes, né? O que são virtudes? Quais são as virtudes, como conquistar essas virtudes, tudo isso, não é? Serão então os temas, o tema, os temas das, dos nossos próximos encontros, desse nosso encontro, eh, já de hoje. Vamos dedicar todos os próximos dias, então, eh, nos debruçando sobre este tema tão importante, conquistar as virtudes. Tema que, eh, ficou como que obscurecido, ficou esquecido, quando, na verdade, a santidade consiste nessa busca pela virtude, nessa disposição habitual e firme de escolher o bem, de procurar o bem, de realizar o bem a qualquer preço, ainda que custe, né? E custa muito. Nós víamos isso ontem, para, eh, manter-se fiel à verdade, para realizar o bem em toda e qualquer situação, sem se deixar corromper, sem se deixar dominar pelas paixões, eh, que estão aí em desordem, mas para perseguir o bem, o supremo bem, para, eh, escolher sempre a verdade.
Então, hoje, nessa segunda aula, digamos assim, que introdutória a este tema, né, o Futonchin, ele vai trazer as, eh, sete virtudes: as três virtudes teologais e as quatro virtudes cardeais. Virtudes do quê, irmã Maria Raquel? Calma. Nós vamos explicar então o que significa, né? O que são essas virtudes e essa divisão, essa distinção, virtudes cardeais, virtudes teologais. Nós vamos chegar aí com auxílio aqui do Catecismo da Igreja Católica, tá?
Eh, então, vamos lá, continuando o nosso caminho. Você viu ontem que para construir a sua casa, não é? E a casa que é entendida como essa vida espiritual, como essa vida no espírito, como uma vida feliz, sim, a vida com Deus, uma vida feliz, você precisa, eh, de três coisas, então, essenciais. Primeiro, um alicerce, não é, firme, um bom fundamento. Isso aqui é indiscutível. Cristo é esse fundamento. Cristo é a rocha. Mas você precisa ainda de um bom projeto de execução. Ou seja, eh, isso aqui é a vida de oração, né? Entrando num, num correto discernimento daquilo que Deus te pede, daquilo que Deus quer de você. E, eh, os materiais utilizados, que aqui é exatamente onde entram as virtudes. Se nós construímos esta casa com palha, lembra aí da história dos três porquinhos que eu já falei em outros momentos aqui com vocês? Aqueles porquinhos que quiseram fazer um trabalho apressado, que quiseram fazer um trabalho mais fácil, quando veio ali, não é, o lobo, quando vem ali um vento, eh, aquela casa não resiste. Mas aquele, não é, o porquinho lá, esperto, que aprendeu na escola, eh, que construiu a sua casa com bom material, material sólido, resistente, quando veio a tempestade, ou seja, quando vem a crise, quando vem a prova, essa casa resiste. Que material é esse? É exatamente o material, o ouro das virtudes, a disposição habitual e firme para escolher o bem, para dar o melhor de si em todas as situações. Quem vive assim é feliz, quem vive assim tem um sentido, não é? Quem vive assim, verdadeiramente, podemos dizer, eh, eh, essa palavra é forte, vive, não apenas sobrevive, não apenas se deixa arrastar, mas de fato, eh, eh, dá o melhor de si, não é? Que é uma palavra muito utilizada, não é a sua melhor versão, é dar o melhor de si em toda e qualquer situação.
Então, as virtudes são como esse material de construção da vida, diz o padre Francisco Faust. Nós estamos, eh, nessas duas primeiras aulas, não é? Nós estamos nos baseando neste, num livro que se chama "A Conquista das Virtudes" do padre Fausto, um livro preciosíssimo. Indico até como material complementar, eh, desse livro que nós estamos usando, "As Sete Virtudes", "A Vitória sobre o Vício", vai te ajudar bastante. Então, ele diz: "As estacas servem de fundação para grandes edifícios. Firmes e profundas, sustentam pilares e toda a estrutura. Assim também as virtudes dão solidez ao caráter e perfilam a personalidade." Olha o que ele está dizendo, inclusive é o que o catecismo nos traz. As virtudes, não é? Elas dão solidez ao caráter e perfilam a personalidade. Desde Platão até os filósofos cristãos, resumem, eh, resume-se essas virtudes em quatro principais. Aqui ele trazendo as virtudes humanas em quatro principais, que é a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.
Eh, vamos entender então, que já começa essa distinção, né? No campo, no âmbito, então, na consideração daquilo que são as virtudes, nós temos essa divisão, que são as virtudes humanas. Estamos no parágrafo 1804 do catecismo. "As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando as nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé." Lembra que desde o início dessas formações, eh, eu estou recordando para vocês esta verdade aqui: nós somos seres inteligentes e livres. Nós somos dotados de inteligência e vontade. A nossa razão, não é? A nossa inteligência iluminada pela fé, iluminada pela luz natural da razão, pela luz sobrenatural da fé, ela é capaz de conhecer a verdade e se decidir, se inclinar para essa verdade. É capaz, inclusive, do sacrifício, coisa que não é próprio dos animais, mas próprio dos seres humanos. Eu sou capaz de me sacrificar, de renunciar, porque eu conheço a verdade e eu me deixo, então, guiar por ela. Eu direciono a minha vontade, enquanto um ser livre que eu sou, para realizar o bem. A pessoa que está, eh, no vício, ela vai ter muita dificuldade aqui. Por quê? Porque o vício escraviza, porque o pecado escraviza. Então, é aquilo lá que nós víamos, não é? Víamos com São Paulo: "Deixo de fazer o bem que eu quero para fazer o mal que eu não quero", quando arrastado por essas paixões desordenadas. Mas quando a pessoa, então, ela se empenha, porque isso aqui requer esforço, ela se empenha pela virtude, o que que acontece? "As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam os nossos atos, ordenando as nossas paixões, guiando-nos segundo a razão e a fé." Já não estamos, já não somos arrastados pelos, eh, pelas paixões desordenadas, pelos instintos baixos, não. Mas eu me deixo guiar segundo a razão e pela fé.
"Propiciam assim, preste atenção, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem." Olha que definição interessante, né? Quem é a pessoa virtuosa? Aquela que livremente pratica o bem. Ela é livre para dizer não às seduções. Ela é livre para dizer não aquilo que afasta de Deus, aquilo que é o princípio da sua desgraça. Ela é livre para dizer sim aquilo que aproxima de Deus, aquilo que é exatamente, eh, o caminho, a decisão por uma vida feliz. Ela é livre para, para praticar o bem. A pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem. "As virtudes morais são adquiridas humanamente. São os frutos e as sementes de atos moralmente bons, dispõem todas as forças do ser humano para entrar em comunhão com o amor divino." Tá?
Então, vamos repassar aqui, né, as características dessas virtudes. As virtudes humanas são chamadas assim porque qualquer pessoa pode vivê-las: homem ou mulher, de qualquer tempo, cultura ou religião. Sobre esse alicerce humano firmam-se os pilares das virtudes sobrenaturais que nós veremos mais adiante, não é? Que são dom gratuito de Deus. Então, as virtudes humanas são chamadas assim porque qualquer pessoa pode vivê-las. Você é chamado a viver essas virtudes, virtudes humanas, homem ou mulher, de qualquer tempo, de qualquer cultura, de qualquer religião. Sobre esse alicerce humano é que firmam-se, então, os pilares das virtudes sobrenaturais que nós veremos mais à frente. Ou seja, eh, o catecismo, então, nos traz essa definição que nós vimos ainda há pouco. As virtudes, eh, tais virtudes, elas são humanamente adquiridas, são os frutos e os germes de atos moralmente bons, como nós falávamos, que dispõem toda a potencialidade do ser humano para comungar no amor divino. As virtudes humanas, portanto, preparam o terreno e a graça de Deus eleva e aperfeiçoa. Desse modo, um cristão que não cultiva a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.
São as quatro, as quatro virtudes cardeais. Está aqui no parágrafo 180 do catecismo, a distinção das virtudes cardeais. "Quatro virtudes têm um papel de eixo ou dobradiça. Por isso que nós falamos são virtudes cardeais. Por esta razão, são chamadas cardeais. Todas as outras se agrupam em torno delas." Então, quatro virtudes cardeais e todas as outras virtudes se agrupam em torno delas. Lembra? Fazendo a comparação, nós vimos, né, os pecados capitais que davam origem a vários outros pecados. Lembra-se disso? Aqui nós temos as virtudes cardeais que dão origem a várias outras virtudes, que várias outras virtudes vão se agrupar, então, em torno delas, que são exatamente que as que nós mencionamos: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. Nós vamos ver nos próximos dias cada uma, vamos dedicar uma aula inteira a cada uma dessas virtudes. E se alguém ama a justiça, saiba que são frutos da sabedoria as virtudes. Ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza. Livro da Sabedoria, capítulo 8, versículo 7. Essas virtudes são louvadas sob outros nomes em numerosas passagens da Escritura.
Eh, então, desse modo, um cristão que não cultiva a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança, ele terá dificuldades em viver plenamente a fé, a esperança e a caridade. Por que que o padre Fausto está dizendo isso? Porque as virtudes humanas elas são exatamente, elas são como esses pilares, esses pilares que, uma vez firmados, então, alicerce humano, eh, que preparam como que esse terreno para que as virtudes sobrenaturais elas se desenvolvam. Por isso que ele está dizendo aqui: se nós não desenvolvemos essas virtudes humanas, eh, a prudência, a justiça, a fortaleza, a temperança, você terá, então, dificuldade para viver plenamente a sua fé, para viver a caridade, para viver o amor.
Eu quero, embora nós, eh, eh, nós vamos dedicar uma formação a cada uma dessas virtudes, mas vamos lá, de maneira rápida, passar aqui, eh, o que significa cada uma delas. Vamos usar o catecismo para isso. A prudência, estamos no parágrafo 180, ele diz o seguinte: "A prudência é a virtude que dispõe a razão prática a discernir em qualquer circunstância o nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo." Então, discernir em qualquer circunstância o verdadeiro bem e escolher os meios adequados para realizá-lo. Gente, nós estamos o tempo todo tomando decisões. Desde a hora que você vai acordar, que horas eu vou acordar amanhã? Qual será o meu, o primeiro movimento do meu dia? Eu falava ontem, eh, partilhava com os jovens, falei, não é todo dia que a irmã Maria Raquel acorda para cima, acorda bem. Você também, certamente, não é todo dia que você acorda, né? Tem dia que a gente acorda um pouco mais, vamos dizer assim, um pouco mais para baixo, né? Eh, mas eu partilhava essa experiência com eles. Eu falei: "Quando eu acordei, né, o meu primeiro movimento, já senti aquela, né, uma certa..." Eu falei: "Nossa, eu escolho, né? Eu, eu vou tomar uma decisão. Eu decido que o meu dia será maravilhoso." Eu explico isso aqui para vocês, independente dos acontecimentos, independente daquilo que o dia me reserva. Eu sei sim, graças gloriosas, mas também graças dolorosas ao longo do dia. Eu decido, né, eh, que o meu dia será maravilhoso. Por que que eu disse que eu dizia isso? Eu decido que eu vou acolher, né? Com coração aberto, eu vou receber aquilo que Deus me traz nesse dia. E ainda que eu, eu enfrente situações muito difíceis, eu sou livre. Eu escolho a maneira como eu vou viver cada uma dessas situações.
Então, ele está dizendo aqui que o homem prudente, ele escolhe o bem em cada situação. Por pior que seja aquela situação, escolher. Eu escolho. E diante das decisões que você precisa tomar: faço, não faço, vou, não vou, escolher o bem. Porque muitas vezes o que vai estar em conflito não é algo bom e algo, eh, mau. Nosso, nosso maior dilema é quando o que está em conflito são dois bens, digamos assim. Isso aqui é um bem, isso aqui também é um bem. E agora, o que que eu vou fazer, né? Eh, como, por exemplo, ao acolher o chamado de Deus, no caso, o chamado que Deus me fez, eu tinha que fazer escolhas. A minha escolha não era exatamente entre o pecado e a graça, não. Mas na graça de Deus, escolher entre, né, alguns bens possíveis: seguir esse caminho, esse e esse, mas escolher, então, naquela situação, qual o bem maior, eleger qual o bem maior? Com certeza, o bem maior é aquele que está na vontade de Deus. Então, a maior dificuldade entra é aqui, não é? O homem prudente, a mulher prudente, escolher naquela situação entre dois bens possíveis, qual o maior. Então, o homem prudente, ele faz, ele consegue discernir esse bem maior e os meios para realizá-lo. Às vezes, a gente até escolheu, fez a escolha certa, mas não escolhemos os meios, eh, devidos, não fizemos a melhor escolha no meio de para atingir aquele fim. E aí nos perdemos. Então, a prudência me diz, eh, qual o verdadeiro bem e também, eh, escolher os meios adequados para realizá-lo. Provérbios 14:15: "O homem precavido atenta para os passos que dá." Primeira carta de São Pedro, capítulo 4, versículo 7: "Vivei com sensatez e vigiai, dados à oração."
"A prudência é a regra certa da ação", escreve Santo Tomás. A prudência é a regra certa da ação, escreve Santo Tomás, citando Aristóteles. Não se confunde com a timidez ou com medo. O homem prudente não é aquele que, eh, é medroso, né? Não é porque ele é prudente, não. A prudência não se confunde com o medo. A prudência não se confunde com a timidez, não. Nem com a duplicidade ou a dissimulação. Não tem nada a ver com isso. Homem prudente é aquele que age quando tem que agir, é aquele que espera quando tem que esperar, é aquele que fala quando tem que falar, cala quando tem. Ele sabe o bem a realizar em cada situação. Esse é o homem prudente. Ele consegue discernir aquela situação que diz: "espere" ou aquela situação que diz: "agora é hora de agir". Então, é a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência. Ela é chamada a porteira das virtudes porque conduz as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida. O homem prudente decide, ordena sua conduta seguindo esse juízo da consciência. E graças a essa virtude, aplicamos, eh, graças a esta virtude, aplicamos, sem erro, os princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre o bem a praticar e o mal a evitar. Então, o homem prudente, seguindo o juízo da sua consciência, ele consegue discernir com clareza, com precisão, o bem a perseguir e o mal a ser evitado. Então, veja o quanto é importante a virtude da prudência, o quanto hoje, eh, o quanto ela faz falta para muitos, a virtude da prudência.
Nós temos ainda a justiça, que é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo aquilo que é devido. A virtude da justiça: dar a Deus e ao próximo aquilo que lhe é devido. A justiça para com Deus chama-se virtude de religião. A justiça em relação aos homens nos dispõe a respeitar os direitos de cada um e a estabelecer nas relações humanas a harmonia que promove a equidade em prol das pessoas e do bem comum. O homem justo, tantas vezes mencionado nas Escrituras, se distingue pela habitual correção de seus pensamentos e pela retidão de sua conduta para com o próximo. E aquele cita Levítico 19: "Não favoreças o pobre, nem prestigies o poderoso. Julga o próximo conforme a justiça." Não se trata de favorecer um, de prestigiar o outro, não, mas de julgar conforme a justiça. Senhores, "tratai com justiça e equidade os vossos escravos, sabendo que vós também tendes um Senhor no céu." Colossenses 4. O homem justo, a virtude da justiça, te faz, então, dar a cada um aquilo que é seu por direito. Dar a Deus o que é de Deus, dar ao próximo o que é do próximo. Essa é a virtude da justiça.
Nós temos ainda a fortaleza, a virtude que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem. Ela firma a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral. É a virtude da fortaleza que te faz não desistir diante das dificuldades. A virtude, então, da fortaleza nos torna capazes de vencer o medo, inclusive da morte, suportar a provação e as perseguições. Dispõe a pessoa a aceitar até a renúncia e o sacrifício de sua vida para defender uma causa justa. "A minha força e meu canto é o Senhor", diz o salmista. Salmo 118. "No mundo tereis tribulações, mas coragem, porque eu venci o mundo." João 16. A virtude da fortaleza. Eu já vejo você aqui pedindo, suplicando ao Senhor, não é? Senhor, dai-me a graça de desenvolver, não é? De colaborar, de me aplicar na conquista dessas virtudes. São virtudes humanas, onde é preciso a prática reiterada daqueles atos para que você possa desenvolver, então, essa virtude, os atos moralmente, moralmente bons.
A prudência, a justiça, a fortaleza e falta ainda uma última, gente, muito em falta nos nossos dias, que é a virtude da temperança, que é o que vai te ajudar no combate a tantos vícios. O homem, não é, moderno, ele, ele tende a viver nos extremos. E a virtude da temperança, ela traz este equilíbrio. É a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Então, aqui nós já vemos, por exemplo, vícios como a gula, a avareza. A virtude da temperança vem exatamente, eh, nos trazer essa, essa régua, regular. Isso aí modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade. Não se está negando os instintos, os desejos, mas é preciso, eh, dominá-los, é preciso mantê-los dentro dos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta os seus apetites sensíveis para o bem, guarda a santa discrição e não se deixa levar a seguir as paixões do coração. A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento. Eclesiástico 18:30: "Não vás atrás de tuas paixões e dos teus prazeres. Abstente." No Novo Testamento é chamada de moderação ou sobriedade. Tito 12: "Devemos viver neste mundo com ponderação, com justiça e piedade, com temperança."
Então, um resumo que nós poderíamos fazer, eh, de tudo isso que foi dito aqui: "Viver bem não é outra coisa senão amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e com a totalidade do próprio agir. Dedicar-lhe um amor integral pela virtude da temperança, que nenhum infortúnio poderá abalar, o que depende da virtude da fortaleza, que obedece exclusivamente a ele, e nisso consiste a justiça, que vela para discernir todas as coisas com receio de deixar-se surpreender pelo ardil e pela mentira. Isso é a virtude da prudência." Essas quatro virtudes necessárias para quê? Para viver bem. Lembre-se, a pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem. Então, para viver bem, é preciso desenvolver essas quatro virtudes, conquistar essas quatro virtudes. Tá certo, irmã Maria? Já me convenci disso. Agora, como que eu conquisto essas virtudes? É isso que nós vamos ver aqui.
Eu vou repetir isso aqui que o catecismo traz. Estou no parágrafo 1809, tá? "Viver bem não é outra coisa senão amar a Deus de todo o coração, com toda a alma. Dedicar-lhe um amor integral. E aqui vem pela virtude da temperança, que nenhum infortúnio pode abalar, a virtude da fortaleza, que obedece exclusivamente a Deus, a virtude da justiça, e que vela para discernir em todas as circunstâncias qual é a escolha a fazer. Isso aqui é a virtude da prudência." Então, né, você tá acabando de descobrir talvez aquilo que lhe falta. Que que falta na minha vida espiritual, meu Deus? Essa conquista das virtudes. Eu disse para você no início que a trabalheira é grande. Eu até comentava aqui com as irmãs, a gente partilhando, falei assim: "Nós tivéssemos noção, eh, do que é, né, o que é a vida espiritual e do caminho que nós precisamos percorrer, não sobrava tempo, não é, para desperdiçar com coisas de menos importância. Não sobrava tempo, inclusive para o pecado, para ficar esbilhotando a vida do outro, para ficar..." Não sobra tempo, porque tem um trabalho interior aí que ele é tremendo.
A graça supõe a natureza e, e nós somos chamados a colaborar com a graça de Deus. Eu falei isso e tenho falado até a exaustão. É preciso entender que Deus faz o impossível, mas o possível ele não vai fazer. Deus não quer pessoas preguiçosas, não. Isso aí, inclusive, é um vício, né? Um pai e uma mãe que dá tudo na mão do filho, que não coloca o filho para desenvolver o seu potencial, não é? Eh, nós sabemos as consequências disso. Tá criando um monstrinho. O bom pai, a boa mãe colabora, não é? Proporciona, e, eh, os meios, ele educa, ele forma. Mas melhor do que dar o peixe é ensinar a pescar. Então, o bom pai e a boa mãe vai fazer aquilo que para o filho não é possível, mas aquilo que o filho pode, é o filho que vai fazer. Assim Deus conosco. O impossível, o milagre de transformar água em vinho, Deus vai operar. Mas encher as talhas de água, Deus não vai fazer, não. É você quem vai ter que fazer. E aqui está a conquista das virtudes humanas. Aqui está a decisão através, né, da repetição dos atos moralmente bons. Repetido, repetido, até que isso se torne, de fato, uma virtude.
Lembra do carro, né? Entrou no carro a primeira vez, parece aquilo é o mundo. Parece que você nunca vai conseguir aprender isso. É uma marcha, é um freio de mão, é um acelerador, é a embreagem, é o retrovisor, é a direção, é, é o sinal para a esquerda. Mas com o passar do tempo, a prática, não é? A prática reiterada, aquilo se torna tão natural. Não é que você, eh, vai dirigir porque agora se tornou natural, não é isso? Nós vimos isso ontem. Sempre o motorista vai estar ali, né, eh, com toda prudência, diligente, buscando dar o melhor de si. Mas aquilo que antes era, era num grau de dificuldade terrível, aquele grau de dificuldade ali foi vencido pela prática. Aquilo se tornou habitual. Com a virtude acontece coisa semelhante. Aquilo que vai demandar assim o esforço, vai demandar, eh, eh, vai requerer esse esforço da vontade, mas se você se aplica a isso, aquilo se torna habitual. E aqui entra a virtude. Assim como o ato mal, não é? O pecado praticado reiteradamente gerou o vício, o ato bom, moralmente bom, praticado reiteradamente gerou a virtude.
Então, vamos lá. Eh, vamos destrinchar isso aqui que o catecismo trouxe, né? O padre Francisco Fal diz o seguinte: "O catecismo começa dizendo que as virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade, ou seja, não são tendências instintivas espontâneas, como é os traços do temperamento, por exemplo, não, mas deve ser adquiridas com empenho e esforço constante. São atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade, devem ser adquiridas com empenho e esforço constante. Por isso, as virtudes humanas podem ser chamadas também de virtudes adquiridas." Atenção: as virtudes não nascem prontas como presentes embrulhados. Elas são adquiridas com esforço constante, como qualquer conquista valiosa. Tornar-se engenheiro, músico de orquestra, médico, pesquisador. Qualquer conquista valiosa requer o quê? Esforço. As virtudes, elas são adquiridas. Requer esforço constante como qualquer conquista valiosa. Então, a gente se empenha para conquistar tantas coisas, chegou a hora de se empenhar para conquistar virtude.
A virtude, quando nós pedimos ao Senhor, por exemplo, né, "Ó Senhor, dai-me que eu possa, faz-me uma pessoa paciente." E aí Deus vai mandar aquelas situações que vão te levar a exercitar isso. Eu lembro que quando nós fomos para uma das peregrinações, meus queridos, tem sido desafiador, porque você tem uma madrugada aqui de oração, você faz uma vigília, né, praticamente, porque acorda 2:30 da madrugada e rosário, a pregação aqui ao vivo, é a formação e etc, aeroporto, pegar um avião para uma segunda vigília. Então, você vira que vira que vira e depois que termina aquela vigília, se se vai dar tempo descansar ou não, mas aí tem um retorno porque tem que estar aqui para dar continuidade na segunda-feira à Quaresma. Então, imagino que está, tem sido bem desafiador. Não estou reclamando, tem sido uma graça, uma bênção, mas é um grande desafio. E aí vêm os imprevistos, né? Cada peregrinação, ela esconde um mundo de imprevistos. Louvado seja Deus por isso. De o homem propõe, mas é Deus que dispõe. É toda a batalha espiritual, todo o combate que a gente passa e que vocês acompanham. Então, eh, a gente ri, mas é, é desafiador.
Então, na, uma das peregrinações, né, que que ia ser bem difícil por por essas razões, eh, eu falei assim: "Senhor, dai-me força, dai-me força para poder, eh, cumprir essa, essa missão aqui." E aí aquilo que já estava um um tanto quanto desafiador com o cancelamento de voo, com várias coisas que aconteceram, foi até assim, né? Foi até o clímax, foi até a Eu falava: "Senhor, entendi que o Senhor ouviu aquela minha oração porque, eh, desenvolver essas virtudes é como que você tem que, para desenvolver e, eh, músculos, não é, firmes, você tem que ir lá para você tem que exercitar esses músculos. Do contrário, ele vai atrofiar. Então, entrar nesses exercícios. Você vai descobrindo que você achava que aquilo era o seu limite, mas Deus te mostra que você pode ir além. Nossa, tô no meu limite. Aí Deus te prova que você ainda consegue ir mais além." Então, eh, um exemplo aqui, né, a virtude da fortaleza. Eu falava da paciência, que é um desdobramento dessas, eh, das virtudes cardeais aqui. Então, a virtude da paciência, Deus vai providenciar aquelas situações que vêm para quê? Para te tirar a paciência, para que você possa com propósito firme aplicar-se ali e quando chegar aquelas situações, você entender que é um fruto também da sua oração. Você pediu na sua oração: "Senhor, dá-me a graça de ser um homem, uma mulher paciente." Isso não vai vir assim, né? Deus, ele, ele dá a graça, claro, mas vai pedir de você que você encha aquelas talhas de água.
Eu sempre gosto de fazer essa reflexão nos milagres que o Senhor realiza. Há sempre uma parte humana, há sempre uma parte que Deus deixa para que nós façamos. E de fato, nós somos convidados a colaborar com a edificação do reino de Deus. Existe uma parte que cabe a nós realizar. O padre Léo, ele, com a sua maneira tão, eh, eh, peculiar de de nos trazer as lições, não é? Ele dava um exemplo, né, de um animalzinho, um burrinho ali que a pessoa possuía, um cavalo, enfim, e a pessoa que pedia ao Senhor: "Senhor, ajuda aqui a, a me ajuda a proteger este animal, né? Abençoe e etc, etc." A pessoa deixou o animal solto ali, o animal foi, fugiu, foi embora. Mas senhor tinha pedido que o senhor. Bom, tem uma parte que é você que tem que fazer. Por que que você não amarrou ali a cordinha? Conhece que aquele animal é meio? Por que que você não deixou ele ali, não é, junto a você? Mas porque existe uma parte que cabe a nós fazer.
Estou rezando pela minha família, Senhor, santifica a minha família. Senhor, restaura o meu matrimônio. Senhor, liberto os meus filhos. Tá? Mas existe um papel nessa história que é seu e que vai para além da oração. E na oração você encontra a sabedoria para poder, então, desenvolvendo a prudência, desenvolvendo a justiça, desenvolvendo a temperança, desenvolvendo, eh, eh, a fortaleza, entender o que lhe cabe, qual o seu papel em cada situação. Você é chamado a colaborar com aquela graça que Deus está derramando. Então, ele vai transformar água em vinho, mas você vai ter que encher as talhas de água. Ele vai ressuscitar Lázaro, mas você vai ter que rolar a pedra, entende? Então, as virtudes humanas, Deus conta com este esforço.
Um exemplo prático: no trabalho, certamente você já conheceu pessoas inteligentes, tecnicamente bem preparadas, que esbanjam categoria como especialistas, mas que fracassam. Por quê? Embora inteligentes, embora tecnicamente capazes, elas são arrogantes, indisciplinadas, convencidas, criadoras de caso, desleais. Não podem edificar uma boa vida profissional porque lhes falta competência, eh, técnica, capacitação, inteligência. Não, isso aí elas têm. Mas não podem edificar uma boa vida profissional porque não tem as estacas firmes das virtudes. Isso é um exemplo tão comum. Fulano, nossa, olha, fulano tem uma capacidade, mas não dá para continuar com ele, porque ele é totalmente desorganizado, não cumpre os prazos, é indisciplinado, a gente nunca sabe quando pode contar com ele. Está aqui um exemplo muito prático. Então, a pessoa, ela tem toda a capacidade, mas ela não tem as virtudes. É, não dá para trabalhar com essa pessoa. Então, a pessoa fracassa na vida profissional não é por falta de capacitação técnica, mas porque não desenvolveu as virtudes.
E que dizer dos casamentos desintegrados, edifícios desabados, porque se baseavam em estacas frágeis de vidro colorido, diz o padre Faust, as da paixão, da ânsia de prazer físico e afetivo, do aconchego recebido. Tudo isso é o material frágil, é o, o feno, a palha. Não tinham estacas sólidas da virtude de quê? Da, da doação, da compreensão, da paciência, da generosidade, da abnegação, do ideal familiar. Por que que aquele matrimônio, por que que aquele relacionamento se desfez? Porque faltou as virtudes necessárias para que aquela vida em família fosse possível. Muitas vezes, debaixo de um mesmo teto, mas só isso. Duas pessoas, três pessoas, cinco pessoas vivendo como ilhas, não conseguem desenvolver as virtudes necessárias para a vida em comunidade.
Gente, nós somos como porcos, como porcos espinhos, né? Nós temos espinhos. E essa é uma historinha, né? Na época, então, de um, um a comunidade ali do, do, dos, dos porcos espinhos, eh, chegou a época do frio e agora, como é que a gente vai fazer? A gente vai ter que se juntar para poder resistir a esse frio. E aí eles vão se juntando, vão se aproximando. Mas tem um problema. Agora eles estão protegidos do frio, mas tem um problema: os espinhos ferem uns aos outros. Assim somos nós. Tantas vezes precisamos cultivar as virtudes, porque os espinhos dos vícios machucam e podem machucar a, ao tal a tal ponto que pode matar, tirar a vida, tirar a possibilidade da vida em família. Nós precisamos desenvolver as virtudes necessárias para que a vida em família seja, de fato, possível. A renúncia, a abnegação, a generosidade, o saber ceder, tudo isso.
O catecismo ainda nos diz que as virtudes regulam os nossos atos, ordenando as nossas paixões, guiando-nos segundo a razão e a fé. Ou seja, as virtudes são a força que governa as nossas ações. Sem elas, a vida se torna uma condução descontrolada, um carro sem volante nem freio que desce ladeira abaixo em direção ao desastre. Olha o que o padre Francisco Fausto está dizendo. Que que adianta você estar dentro de uma Ferrari caminhando pro inferno? Se usa muito essa comparação quando se vai falar, por exemplo, o temperamento colérico, né? O colérico, ele tem uma, uma força que pode ser utilizada de maneira muito proveitosa, mas pode ser usada de maneira danosa. Aquilo que é força nele pode ser exatamente a fraqueza dele. Aqui, se ele não, eh, ordena isso para a virtude, aquilo pode descambar num vício, como, por exemplo, o orgulho. Então, o, o colérico, ele tem, digamos que uma Ferrari, um motor potente, um chamado a, a liderar, tantas vezes, a fazer acontecer, porque ele tem uma, uma determinação própria ali, é um traço, como o padre Falso falava, é um traço do temperamento. Mas eu não posso dizer que isso é uma virtude, porque isso pode descambar. Ele pode usar isso de uma maneira viciada. Ele tem uma Ferrari indo pro inferno. Que que adianta? É isso que ele está dizendo.
As virtudes são a força que governa as nossas ações. Sem a virtude, a vida se torna uma condução descontrolada. Um carro sem volante nem freio que desce ladeira abaixo em direção ao desastre. São as virtudes, então, que governam. Então, vamos lá. Eu não me deixo governar por essa, pela desordem, pelas paixões desordenadas, pelos instintos. Não, mas a virtude governa os meus atos. Eu consigo, então, como ser inteligente e livre, escolher o bem em cada situação. Escolher o bem em cada situação. Ter a virtude da prudência para saber lidar, por exemplo, com pessoas invejosas. É muito difícil lidar com isso, né? Mas você vai amadurecendo e vai desenvolvendo um pouco assim, conquistando virtudes e você entende que dependendo do seu proceder, você está colocando, é, mais combustível na fogueira do invejoso. Identificar ali o que desperta isso naquela pessoa, ela é dada a essa comparação constante, a essa disputa.
Outro dia, alguém testemunhava para mim que estava sofrendo muito, porque geralmente isso acontece em família. Então, não tem como simplesmente você dar as costas e fingir que aquela pessoa não existe. Muitas vezes é da parte de um irmão, de um cunhado, de uma cunhada, de alguém próximo que você, que está ali no seu, no seu convívio. Então, essa pessoa testemunhava que, ao identificar isso, a pessoa começou a fazer determinadas coisas para prejudicá-la mesma. Então, ela foi rezar e disse: "Senhor, me dá luz aqui." De maneira muito prudente e sábia, ela começou a lidar com a situação de uma maneira diferente. Ela começou a tentar fazer aquela pessoa enxergar, não é, tantos pontos, eh, positivos, tantas coisas consideráveis na sua própria vida. E aquela pessoa, então, que só estava olhando para a vida da outra, começou a lançar um olhar para a própria vida e reconhecer as maravilhas de Deus na sua vida. Isso foi um trabalho longo, claro, não vou dizer que sempre isso vai dar certo, né? Graças a Deus, aquela pessoa teve uma abertura de coração, mas essa pessoa me testemunhava que a relação se transformou e se tornaram depois grandes amigas de fato, a tal ponto que ela reconheceu tanto aquilo que pediu perdão. "Se eu te peço perdão pelas vezes que eu lancei um olhar equivocado, um lançar um olhar que não foi o olhar de Deus e que eu até mesmo cheguei a te prejudicar." Ela reconheceu isso e virou a página, iniciou uma nova vida. Eu estou destacando aqui a prudência daquela pessoa. Ela sarou o vício da outra com a sua virtude, com a sua prudência também. Claro, ela teve muita confiança em Deus, a sua fé, a sua, a virtude da caridade, o amor por aquela alma, para salvar aquela alma. Mas veja, as virtudes governaram os atos daquela pessoa. Do contrário, ela poderia ter respondido de maneira, digamos, viciada, né? Como eu falei. E aí um vício vai reforçando o outro vício, lançando combustível ali.
Então, as virtudes governam os nossos atos. Poderia ser que até a atitude fosse de afastamento com discernimento, com sabedoria, com prudência, deixando que a virtude governe o meu ato. Ou seja, essa liberdade para escolher o bem. Qual é o bem a realizar nessa situação? A palavra virtude, eh, vem do latim, vem do latim virtus, força, potência. Só as virtudes unidas à graça de Deus têm o poder de ordenar a nossa conduta. Só as virtudes unidas à graça de Deus têm o poder de ordenar a nossa conduta. O catecismo afirma que a virtude ela traz domínio e alegria. A virtude ela traz domínio e alegria. São José Maria acrescenta: "A pessoa virtuosa é senhor de si mesmo." Significa que as virtudes nos tornam livres. Quem não cultiva virtudes torna-se escravo de paixões, de caprichos, de circunstâncias, né? Então, muitas vezes na confissão, eu falo, a pessoa passa 2 minutos contando os seus pecados e os outros, né, os outros 20 minutos ela está se justificando ou apontando os erros dos outros. Quem não cultiva virtudes torna-se escravo de paixões, caprichos e circunstâncias. É assim, mas é assim porque, e aí aquela pessoa que ela vai ter constantemente, tá mudando de relacionamentos, ela vai ter que estar mudando de, de emprego, ela vai estar mudando de cidade, ela vai estar mudando de casa, ela vai tentar mudar tudo, ela é escrava das circunstâncias. É claro que a gente tem que, eh, no processo de autoconhecimento, diante daquela situação, entender se eu tenho condições de continuar aqui, né? Vai, tem situações que realmente a única, eh, saída possível é fugir, porque eu me reconheço que eu não tenho virtude suficiente para lidar com isso. Isso é muito libertador, sabe? Quando você reconhece que ali tem um problema, existe uma dificuldade, a pessoa é difícil, a gente não está negando isso. Só que aquela pessoa difícil, ela vai revelando os meus limites e eu tenho que tomar uma decisão. Ou eu me exercito na virtude. E as pessoas difíceis, elas vêm, ó, elas vêm com lacinho assim, é um presente do céu para te fazer conquistar virtudes ou reconhecer. Eu não, não, não dá. Eu não tenho virtude suficiente para lidar com essa pessoa. Eu não tenho virtude suficiente. Mas veja, é diferente. Sou eu. Não é a pessoa, claro, pessoa difícil, mas o problema é que eu não tenho virtude suficiente para lidar com essa pessoa. Eu reconheço que eu não tenho virtude suficiente para lidar com essa situação. Eu reconheço que eu não tenho virtude suficiente para lidar com essa circunstância. Aí a gente muda, mas sou eu, né?
Então, vamos lá aos exemplos aqui também. Porque será que fulano, que é inteligente, deseja muito passar num exame ou num concurso, ele fracassa sempre? Fulano, que é muito inteligente, tem fracassado sempre nessa tentativa de passar nesse exame, nesse concurso. Pode ser que, ainda que inteligente, mas ainda ele tenha as suas limitações intelectuais ou até problemas de uma outra ordem, mas a maioria das vezes, isso é o que agora nos interessa. Será por falta de constância? Será por falta de ordem no trabalho, de renúncia temporária a certos lazeres, de espírito de sacrifício, ou seja, por falta das virtudes necessárias? Quero muito passar num concurso. Isso requer, então, ordem, as horas de estudo, dedicação, capacidade de renunciar ao lazer. Tantas vezes quem aí, por exemplo, faz medicina e começa a estudar para a residência, né, ou quem aí termina uma faculdade, né, terminou e está estudando para concurso, vai ver muitas vezes os amigos curtindo a vida, o lazer, os finais de semana e você vai ter que renunciar. Então, por que que muitas vezes não chegamos lá por falta das virtudes necessárias para aquela conquista? Para chegar àquela meta?
Por que será que Cicrano, que queria muito manter-se calmo, não ralhar o tempo todo com os filhos, não atasanar o marido com queixas, não consegue? A pessoa até faz o propósito de manhã, mas na primeira prova ela já caiu. Não consegue manter-se calma, porque além de pedir pouco auxílio de Deus, diz o padre Fals, ela não se esforçou como devia para ganhar as virtudes necessárias: o controle da língua, a firmeza serena, a tolerância, a paciência. Porque Cicrano, que queria muito manter-se calmo, não ralhar o tempo todo com os filhos, não atasanar aquela mulher, não atasanar o marido com queixas, não consegue, porque além de pedir pouco auxílio de Deus, ela não se esforçou como devia para ganhar as virtudes necessárias. Ela acha que ela é uma pessoa paciente. Então, quando não acontece nenhuma adversidade, aí todo mundo é paciente, sem nenhuma dificuldade, sem nenhuma contrariedade, contrariedade no dia. Ah, não é fácil. A virtude, ela se revela exatamente quando tudo está desmoronando e você consegue manter a serenidade. Lembra? É o, é o sopro, é a tempestade, é o, o lobo que vem lá soprar contra a casa e a casa se mantém porque, porque há virtude. Então, é fácil dizer que é calmo quando tudo corre bem, mas a gente vai ver realmente se essa pessoa, ela é paciente, calma, serena, quando tudo está desandando. É fácil dizer que é forte se tudo está correndo bem. A gente vê se tem a virtude da fortaleza.
Quando tudo concorre para que você desanime e desiste, você permanece lá. Tudo isso que nós estamos falando, que está aí no seu dia, tem o nome virtudes. Virtudes são as virtudes.
Então, certo trecho escrito por Santo Agostinho pode exemplificar bem o papel dessas virtudes na nossa vida. Nós mencionamos ainda há pouco, né, com fim de conduzir-nos a Cristo. Vamos, vale a pena repetir mais uma mais uma vez. Viver bem, amar a Deus de todo coração, com toda alma, com todo o proceder, de tal modo que se que se lhe dedicar um amor incorrupto e íntegro, a temperança que mal algum poderá abalar, a fortaleza que a ninguém mais serve, a justiça que cuida discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira. É exatamente isso aqui, né? A prudência.
Assim percebemos que as virtudes cardeais não atuam de maneira isolada, mas interligadas, formando um conjunto coeso que fortalece a nossa vida espiritual. Ao cultivarmos tais virtudes, prudência, justiça, fortaleza, temperança, que nós vamos ver nos próximos dias, buscamos viver de acordo com os princípios cristãos, construindo uma base sólida para uma relação mais profunda com Deus e um testemunho autêntico de fé, da fé em nossas ações diárias.
Portanto, as virtudes aqui consideradas virtudes humanas são não apenas orientam-nos na prática do bem, mas também contribuem para a formação de um caráter virtuoso, refletindo a imagem de um cristão genuinamente comprometido com a busca pela santidade, sendo verdadeiramente outro Cristo no mundo.
Finalizando, como trilhar um caminho pra conquista das virtudes. Vamos considerar aqui as virtudes humanas. Primeiro, Jesus na parábola da torre na acabada, Lucas 14:28, adverte que quem de vós querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos, os meios que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la. Padre F diz: "A vida cristã não se improvisa. Precisa de um projeto claro e de materiais sólidos. Esses materiais são a virtudes." Por isso, é necessário perguntar com sinceridade: que virtudes eu já possuo e quais ainda me faltam para que a minha vida não seja um edifício inacabado? É isso que nós vamos ver nos próximos dias.
O primeiro risco é o do convencido, cego por orgulho. Nós temos aqui dois grandes riscos. O primeiro deles é o convencido cego por orgulho. Como dizia São José Maria, o orgulho cega tremendamente. A pessoa não reconhece falhas, justifica os seus efeitos. e chega a acreditar que tudo está bem. A pessoa não reconhece as falhas, justifica os seus defeitos e chega a acreditar que tudo está bem. O apocalipse denuncia com força essa ilusão. Apocalipse 3:17-18. "Conheço as tuas obras. Dizes: 'Sou rico de nada necessito e não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu?' Aconselho-te que compres de mim um colírio para ungir os olhos, de modo que possas ver, claro, enxergar o real."
O segundo risco é o conformismo. Primeiro é o pau, o orgulho, não conseguir enxergar as falhas. O segundo é o conformismo. Muitos reconhecem que tem defeitos, mas "eu sou assim. Nasci assim, vou morrer assim." Esse é um grande risco. São José Maria responde com firmeza: "Não digas 'eu sou assim'. São coisas do meu caráter, não. São coisas da tua falta de caráter." "Eu sou assim. É do meu temperamento, é do meu caráter." "Não é da tua falta de caráter", diz São José Maria Escrivá.
O padre Francisco Fo também tratando sobre uma frase que se usa muito, né? "Errar é humano." Ele diz não. "Errar é desumano." Errar não é humano. Errar é desumano. Nós não fomos feitos para o erro. O erro é uma falha. Deus não nos criou para Deus não nos criou com defeito. Nos fez perfeitos e íntegros. Fizemos uma má escolha. Estamos sofrendo as consequências disso até hoje. No entanto, errar não é humano, é desumano. Nós precisamos nos empenhar para perseguir a perfeição.
Três chaves para conhecer o coração. Cristo nos oferece critérios concretos para nos conhecermos. O primeiro é o tesouro. "Onde está o teu tesouro, está também o teu coração." Mateus 6:21. Se o tesouro é o sucesso, satisfação, sossego, há um egoísmo a ser combatido. Se o tesouro é o dinheiro, Jesus proclama: "Felizes os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus." É o tesouro. Onde está o teu tesouro?
Segundo critério, a boca. A boca, a boca fala daquilo que o coração está cheio. Lucas 6:45. Que mais ocupa nossas palavras revela o que falta. Vaidade, misericórdia, castidade, temperança. O que mais ocupa as nossas palavras, nossas conversas, revela o que falta.
E o terceiro critério está em Emaús. "Por que estais tristes?" Lucas 24:17. As alegrias e tristezas revelam nossos amores e nossas carências. Aqui ele está dando uma chave para que possamos conhecer o coração, onde está o nosso tesouro, porque ali onde está o nosso coração está em Deus, está nas coisas deste mundo. O segundo critério, é a boca, ela fala daquilo que o coração está cheio. Então, percebeu que tem sido a razão, o motivo, o assunto das minhas conversas, aquilo que eu tenho falado, aquilo que eu tenho expressado. E o terceiro critério, qual é a razão da minha alegria a tristeza? Por que estáais tristes? Isso revela os nossos amores e as nossas carências.
São Bernardo resume: "Com cuidado o que é que amas, o que é que temes, de que te alegras, com que te entristeces. Todo o coração consiste nestes quatro afetos." O que amas? O que temes, de que te alegras? Com que te entristeces? Esse exame de consciência inicial é a chave que nos ajudará a trilhar um caminho de busca e de conquista das virtudes.
Eh, nós falamos bastante das virtudes de um modo geral, mas mais propriamente das virtudes humanas. Nós temos as virtudes também que são as virtudes teologais, tá? As virtudes humanas, a prudência, a justiça, a temperança, a fortaleza e as virtudes teologais, que são a fé, a esperança e a caridade.
O catecismo diz o seguinte: "As virtudes teologais são infundidas, as virtudes humanas adquiridas, as teologais, elas são infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna." Então, as teologais, eh, que se referem diretamente a Deus, são virtudes teologais porque se referem diretamente a Deus, são infundidas por ele mesmo na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna. Preste atenção.
As virtudes humanas, prudência, justiça, fortaleza, temperança, se fundamentam nas virtudes teologais que adaptam as faculdades do homem para que possa participar da natureza divina. De fato, as virtudes teologais se referem diretamente a Deus, dispõe os cristãos a viverem em relação com a Santíssima Trindade. Parágrafo 1812 do Catecismo. Parágrafo seguinte.
As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão. Elas dão forma a todas as virtudes morais e as vivificam. Repetindo, são infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna. São garantia da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano. São três: a fé, a esperança e a caridade.
Nós vamos ver todas as virtudes cardeais, as virtudes teologais nas nossas próximas formações. O conceito, como adquirir, como conquistar, como colaborar com a graça para que possamos, de fato, como pessoas virtuosas, escolher o bem. praticar o bem e assim ter uma vida feliz, né? Uma vida feliz na presença de Deus.
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.
Meus queridos, eh encerramos a formação de hoje. Deus abençoe você. Compartilha esta formação. Se gerou um valor, se foi importante para você, com certeza será importante também para tantas outras pessoas. Nos encontramos amanhã para mais uma formação dentro desse nosso caminho de conquista das virtudes.