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Como usar a neurociência para falar melhor sem manipular ninguém

Fabiana Bertotti18:40

Transcription

Olá, seja bem-vindo a esse canal. Você quer falar melhor? Você quer falar melhor e falar com conexão? Você quer ter autoridade quando você fala?

Então é sobre isso que a gente vai falar hoje. E eu vou trazer estudos de neurociência que nos ajudam a embasar alguns hábitos de fala. Então, se você gosta desse assunto, já deixa seu like, já chama alguém pra conversa e já comenta aqui o que que você gosta de ver nesse canal que eu vou criar para você.

Hoje eu quero trazer para você como usar a neurociência para falar melhor sem ser manipulador. Tô contando com você. Você porque assim, ó, você já se perguntou porque que algumas pessoas mesmo falando sobre assuntos complexos, difíceis, elas conseguem prender a atenção de todo mundo ao redor? E daí tem outras pessoas que t um conteúdo brilhante e perdem a audiência em minutos, em segundos. E eu vou te dizer, não é inteligência, eh, não é carisma, mas é como o cérebro humano processa a informação. Existe uma ciência por trás da comunicação eficaz e ela não tem nada a ver com manipulação e sim com compreensão. Essa é a minha ideia.

Nesse vídeo eu vou desvendar para você quatro descobertas cruciais da neurociência que vão transformar a sua forma de se comunicar. Então, seja numa reunião de trabalho, sabe aquelas reuniões decisivas? Seja numa palestra para centenas de pessoas, seja em um vídeo no YouTube aqui, por exemplo, ou mesmo numa conversa difícil, eh, com uma pessoa querida da sua intimidade. Então, prepare-se para ir além do senso comum e aprender estratégias baseadas em pesquisa, pesquisa séria.

Você sabe que eu não sou a favor do misticismo, de abordagens de ai neurocomunicação, sabe? esse negócio meio vazio. Eu trago ciência respeitada, aplicação prática para uma comunicação mais humana, mais impactante. Eu leio os artigos, eu vejo no que que aquilo faz sentido, quantas vezes aquele artigo é citado para poder trazer isso, tá?

Primeira coisa, a emoção ela decide antes da razão. A ciência é por trás disso. Imagine um cenário onde você tem todo o conhecimento do mundo, uma lógica impecável, só que você é incapaz de tomar uma decisão simples. Parece até filme assim de distopia, né? Só que o Antônio Damaso, esse neurocientista maravilhoso que eu amo, ele escreveu no erro de descartes que algum alguns eh resultados de estudos que fascinantes, pacientes que sofreram lesões no córtex pré-frontal ventro medial, uma região do cérebro. Esses indivíduos, eles mantinham o Q normal, eles tinham raciocínio lógico intacto, só que eles tinham perdido a capacidade de sentir emoções de forma adequada. E daí, submetidos a esses testes, o resultado foi assim revelador. Eles se tornaram paralisados pela indecisão. Eram incapazes de fazer escolhas eficientes. Eles ficavam presos numa análise infinita de possibilidades. E o Damáio conclui ali com clareza que a emoção não é um obstáculo à razão, mas sim um sistema de orientação essencial pra decisão.

O cérebro humano em sua sabedoria decide primeiro emocionalmente e só depois ele vai justificar racionalmente. As emoções elas funcionam como um atalho, um filtro que ajuda a gente a navegar na complexidade do mundo e na complexidade das escolhas. E a gente olha para isso, como que isso se traduz na nossa comunicação. Se você começa, por exemplo, uma apresentação com a frase: "Vou apresentar três pontos cruciais sobre gestão de projeto", você ativa primariamente o lado analítico do cérebro das pessoas, da sua audiência que tá ali. Isso pode ser eficaz para um público que já tá engajado, já tá focado nos dados, só que pra maioria das pessoas é uma porta de entrada fria.

Você pode também começar assim: "Eu quase pedi uma promoção vital na minha carreira, porque numa reunião crucial eu não soube me posicionar e expressar as minhas ideias". Consegue ver a diferença? Quando você compartilha uma história pessoal e vulnerável, você ativa imediatamente a emoção da pessoa. O cérebro daquelas pessoas, ele se abre porque ele cria ali um espaço eh receptivo paraa lógica e pros argumentos que vão vir depois. Na fórmula prática seria uma história, uma sensação, aí então um argumento. Simplificando, o coração ele abre a porta para a razão entrar. Você cria uma conexão antes de apresentar o conteúdo e daí você torna a sua mensagem não apenas compreensível, mas sentida. OK?

Tem também o storytelling, o que que o que que a ciência traz pra gente? Você já sentiu que uma história, você tava tão vivendo aquela história, parecia que você ouviu assim e você, meu Deus, eu tô sentindo isso? Tem um pesquisador da Universidade de Princington que ele conduziu experimentos inovadores eh utilizando a ressonância magnética funcional. E ele colocou uma pessoa contando uma história dentro do scanner e depois ele observou o cérebro dos ouvintes enquanto escutavam a mesma história, a mesma narrativa. E o que que ele descobriu nesse experimento? As mesmas áreas cerebrais eram ativadas tanto no narrador quanto nos ouvintes. E esse fenômeno eles chamaram de neural copling ou acoplamento neural. Trocando em miúdos, uma boa história tem o poder de criar uma sincronização neural. é literalmente alinhar o cérebro do comunicador com o cérebro da audiência. É como se a história criasse uma ponte neural, permitindo que as experiências, que as emoções do narrador fossem espelhadas nos ouvintes. Eu acho isso incrível, porque às vezes a gente chora com umas histórias e pensa, gente, eu nem vivi isso.

Tem o neuroeconomista, o Paul Zack, que ele complementa essa visão com duas pesquisas sobre ositocina, que chamam de hormônio do amor. Não é bem isso, né? Mas enfim, confiança também. Ele demonstrou que as histórias com enredos envolventes, com personagens bem definidos, elas podem aumentar a produção de ositocina no cérebro, sabe? promover mais empatia, mais cooperação, uma maior disposição para agir. Considerando essa poderosa capacidade do storytelling, o que que você escolheria, por exemplo, para falar?

A comunicação eficaz é um pilar fundamental para o avanço da carreira profissional. É verdade, mas eu posso também dizer assim, eu estava naquela reunião decisiva, meu chefe me fez uma pergunta simples sobre o projeto e apesar de eu ter a resposta na ponta da língua, eu simplesmente travei. Sério, as palavras não saíam e a oportunidade escorregou pelas minhas mãos. Consegue perceber a diferença? A primeira fase, ela é abstrata, ela é genérica, mas a segunda, ao incluir elementos como tempo, personagem, naquela reunião, tempo, personagem, meu chefe, uma ação, eh, me fez uma pergunta simples, tem uma tensão aqui ativa aquilo que o neurocientista, meu queridinho, crush Liberman, chama de o cérebro social. Vocês sabem que eu sou roteirista, né? Contar histórias é minha arma paraa comunicação. Quanto mais concreto e detalhado você for, maior será a conexão emocional e neural com a sua audiência. É por isso que as metáforas, quando são vívidas, quando as cenas são descritivas, quando os exemplos são tangíveis, são infinitamente mais eficazes do que os conceitos abstratos, do que os jargões técnicos. Eles não apenas informam, mas eles transportam a pessoa que te ouve para a sua experiência. Aí elas não te esquecem.

Mas tem uma terceira ferramenta que é entender que o cérebro das pessoas desliga. Uhum. Você já se sentiu em algum momento sobrecarregada por uma enchurrada de informações? Sabe quando a sua mente simplesmente desliga? Isso não é preguiça, é um mecanismo de defesa cerebral. E não é novo, relativamente novo. Em 88, um psicólogo educacional, o John Sweller, ele formulou a teoria da carga cognitiva. Ele demonstrou que a nossa memória de trabalho, o espaço mental onde a gente processa as informações ativamente, possui uma capacidade extremamente limitada. Quando a gente sobrecarrega essa memória, por exemplo, com eh excesso de dados e estatísticas, eh números, sabe, números gráficos sem o contexto claro, ou então termos muito técnicos e jargões, aquelas linguagens inacessíveis que que tem esforço para você decifrar. ou então frases muito longas, frases complexas, aquelas estruturas gramaticais que dificultam a compreensão imediata. Ou então quando a gente muitas ideias, simultaneamente vai jogando ideia, aquela tentativa de abordar múltiplos pontos de uma vez só. Nessas circunstâncias o cérebro entra em um estado de sobrecarga cognitiva. E quando isso acontece, ele não tenta processar mais, ficar mais rápido, ele para. É como tentar encher um copo que já está transbordando. A água, vamos dizer assim, que é informação, ela simplesmente escorre, ela não vai ser absorvida.

Então, se você fala rápido demais, sabe, despejando um monte de tese por minuto, um monte de história por segundo, o seu público, ele não vai pensar assim: "Nossa, que pessoa bem formada, que pessoa inteligente". Inconscientemente, a mensagem que o cérebro recebe é assim: "Gente do céu, que difícil, não consigo acompanhar o raciocínio." E o cérebro humano, por natureza, ele evita o que é difícil, que exige muito esforço de processamento. A simplicidade nesse contexto da pesquisa não é um sinal de empobrecimento do conteúdo, mas de eficiência neural.

E para combater a sobrecarga cognitiva, manter a sua audiência ali engajada com você, eu sempre digo que existem estratégias práticas. Então, por exemplo, quer meu mentorado aqui já sabe, né? Uma ideia por bloco. Concentre-se em desenvolver um único conceito principal por vez antes de passar pro próximo. Frases mais curtas, mais diretas. facilite a digestão da informação com eh eh sentenças mais concisas. Terceiro, pausas reais, pausas estratégicas, sabe? Usar o silêncio para permitir que a audiência processe o que você disse e daí se prepare pro próximo ponto. As pausas elas criam uma antecipação. Você pode usar exemplos mais simples, mais relacionáveis. ilustre os seus pontos com situações do dia a dia, sabe? Situações que a sua audiência eh possa compreender, se identificar. Presta atenção aqui. O objetivo não é impressionar a pessoa com a quantidade de informação que você tem, mas garantir que a informação mais relevante seja efetivamente absorvida e compreendida.

Um outro ponto que a neurociência nos ensina é que a expectativa muda a fisiologia. O poder da mente sobre o corpo, gente, é um campo de estudo muito fascinante e a neurociência tem revelado o quão profunda é essa conexão. Quando a gente se debruça sobre os estudos, né, do efeito placebo, do efeito nocebo, eh quando eles são eh liberados, né, tem um cientista entusiasta disso, Fabrício Benedet, eles demonstram que a nossa expectativa pode literalmente alterar a nossa fisiologia. Então, a crença num tratamento, mesmo que inerte, reduz a dor em algumas pessoas, aumenta o desempenho físico e cognitivo e modifica respostas hormonais e imunológicas. Tem um estudo clássico eh eh eh que foi publicado na Science em 2004, que mostrou que a simples crença de que algo aliviará a dor ativa áreas cerebrais reais envolvidas na modulação da dor. Isso significa que as palavras que a gente usa e as expectativas que a gente gera não são apenas sons, são catalisadores que alteram a química e a função do nosso corpo e do corpo de quem está escutando a gente.

Considere o impacto das suas palavras. Quando você diz assim, ó, "Isso é um desafio imenso. É muito difícil de alcançar." Você ativa um estado de ameaça na mente de quem tá te escutando. O cérebro já interpreta isso como um perigo. Já começa a desencadear respostas de estress que podem inclusive inibir a criatividade, inibir a colaboração, a capacidade de resolver aqueles problemas. Você pode falar isso de um outro jeito. Você pode olhar paraa sua audiência e dizer: "Esse é um objetivo ambicioso que vai exigir a nossa total atenção e dedicação. Mas eu estou absolutamente convencida de que juntos somos capazes de superá-lo." Você ativa um estado de desafio. O cérebro, em vez de se retrair, ele se prepara paraa ação. Ele vai liberar neurotransmissores que promovem o foco, a resiliência, a motivação.

Quando a gente pensa em liderança, ensino, eh outras formas de comunicação, veja, você não tá apenas transmitindo conteúdo, você está de fato regulando o estado emocional e fisiológico de quem te escuta. A forma como você apresenta uma situação ou um problema ou uma solução, isso molda intrinsecamente a reação e o engajamento das pessoas. Então, crie expectativas positivas, realistas e você vai ver a fisiologia da sua audiência responder de forma muito mais produtiva.

Falar melhor, eu sempre digo isso, não é uma questão de eloquência vazia ou de usar palavras bonitas. é uma arte e também é uma ciência que reside na profunda compreensão de como o cérebro humano funciona. Somos humanos comunicando com outros humanos. Então, quando eu aplico princípios eh de neurociência, por exemplo, na comunicação, não apenas você se torna mais persuasivo, mas também mais autêntico, mais humano.

Então, o que que a gente aprendeu nesse vídeo hoje? Só para deixar claro, porque eu não quero deixar nada passar. Emoção antes da razão. Concentre-se e conecte-se emocionalmente antes de apresentar a lógica paraa sua audiência, ok? Histórias concretas. Você vai usar narrativas vívidas para sincronizar o cérebro e criar empatia. Terceiro, clareza e simplicidade. Evite a sobrecarga cognitiva focando em uma ideia por vez. E expectativa estratégica, molde a fisiologia da sua audiência através de uma linguagem que inspire desafio e não ameaça. A sua comunicação, ela não se torna mais persuasiva no sentido ruim, manipulador, mas sim humana, mais ressonante e consequentemente mais eficaz. Não é isso que você quer?

A neurociência, longe de ser uma ferramenta de controle, um negócio anuvado, é um guia para entender a natureza humana, para construir pontes mais fortes através da palavra. Aqui embaixo eu deixei a fonte desses estudos que eu citei, dicas de livro para vocês. E se você quer que eu aprofunde cada uma dessas estruturas, como eu faço com os meus alunos da mentoria ou dos meus cursos, trazer mais exemplos práticos, eh, aplicados aos diferentes contextos, ao seu contexto, seja uma reunião, sei lá, uma palestra ou mesmo nas redes sociais. Comente aqui embaixo qual é a sua realidade e a gente pode fazer um vídeo usando cada uma dessas ferramentas. Se você quiser aprender comigo nos meus cursos ou nas minhas mentorias, tem um link aqui embaixo para você se tornar meu aluno. Eu quero mesmo é que você se comunique bem, entendendo de humano. Como é que o humano fala com outro ser humano? É isso que eu quero. Deixa o seu like, compartilhe esse vídeo e ativa o sininho para você não perder nada. Beijo, e até o próximo.