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Metacognição: O segredo para mudar quem você é.

Mariana Santos14:16

Transcription

Você já ouviu falar na Go? Ela é medalhista olímpica, estuda física quântica em Stanford e virou um dos nomes mais falados nessa Olimpíada de inverno. Só que eu não vim aqui falar dela só por conta da medalha, mas sim por conta de como parece que ela captou a atenção das pessoas recentemente.

Durante uma entrevista, uma jornalista perguntou para ela: "Parece que você não pensa antes de responder." No início pareceu uma pergunta estranha, mas depois ela desenvolveu mais. Mas o que ela queria dizer é que ela estava impressionada com a maneira na qual a Aen responde com tanta clareza, tão rápido, tão organizado, com uma comunicação, uma dicção maravilhosa que te prende, que te faz querer escutar essa mulher até o final. E aí vem um ponto, a resposta dela foi mais interessante do que uma possível polêmica.

Acredito que você já tenha assistido este vídeo nas redes sociais, tanto no Insta, tanto no TikTok. Mas resumidamente ela falou que uma das coisas que mais ajuda ela é a metacognição. E eu fiquei refletindo sobre isso porque esse é um assunto que eu já estudei neurociência. Só que a maneira como ela falou que estuda isso me fez perceber que eu não tinha enxergado com esse ponto de vista. Ela diz que treina observar como ela pensa. E isso para mim é uma das coisas mais subestimadas no mundo.

Porque convenhamos, é tanta coisa pra gente fazer na rotina que a gente acaba vivendo no automático. Então acontece uma situação, você pensa sobre isso, sente, reage na hora e segue sua vida e continua chamando isso de personalidade. Só que a metacognição faz você dar um passo para trás e se perguntar: "Opa, por que eu pensei isso? Isso é um fato ou é um medo meu? Isso é um padrão que eu aprendi com alguém? Será que se eu mudar a minha interpretação eu muda a minha ação?" E é sobre isso que a gente vai falar aqui no vídeo de hoje.

Então, se você é novo ou nova por aqui ou se você já é de casa, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda. Eu sou a Mari e aqui neste canal a gente fala de produtividade de procrastinação de forma realista e estratégica. Eu vou te passar um jeito simples para você entender a metacognição com base em neurociência. Eu vou te passar um método para você parar de ser refém do seu próprio pensamento. Um método que a Elenu usa e eu vou te passar um protocolo prático para usar isso naqueles momentos de estresse, de raiva, aquele momento em que você precisa respirar um pouco, sabe?

Mas para contextualizar, aengu, que nasceu nos Estados Unidos e compete pela China, voltou a ser um dos grandes nomes do esqui estilo livre em Milão Cortina 2026, com resultados que colocaram ela de novo no centro do evento. E ao mesmo tempo mais legal foi que ela falou abertamente sobre pressão pública, ataques e como isso mexe com as pessoas. Porque pensa comigo, você pode não estar em uma pista olímpica, mas você também vive com julgamento, cobrança, medo de errar e querendo ou não, um público invisível, que é a opinião, os comentários de outras pessoas. Ela também falou sobre a pressão que sente por ter que conquistar nessas medalhas.

E o que seria essa metacognição que a ajuda tanto? Metacognição é você conseguir perceber o seu próprio pensamento e ajustar ele ao invés de ser arrastada por ele ou ao invés de apenas ser refém de reagir a algo que você não controla, entre aspas. É tipo pensar sobre como você pensa e isso é um pilar em aprendizagem e performance porque muda completamente como você reage ao erro, a ansiedade, a pressão, a comparação.

Vamos imaginar duas pessoas. Imagine duas pessoas antes de uma prova, uma apresentação ou uma conversa difícil ou um desafio da vida mesmo. A primeira pessoa sem meta cognição, ela pensa: "Nossa, eu tô nervosa". E por eu estar nervosa, acho que eu não vou conseguir, acho que vai dar errado? Ela acredita que a emoção vai definir o destino dela. Já a segunda pessoa usando a metacognição, ela pensa: "Eu tô nervosa, mas isso significa que o meu corpo está se preparando". Ela vê a emoção como dado, não como sentença. E isso muda completamente o resultado. Por quê? Porque uma vai evitar e a outra vai executar.

Eu comecei a treinar isso em mim quando eu comecei a usar a ansiedade ao meu favor. Então, sempre antes de uma palestra, de um evento, de alguma coisa, de uma aula ao vivo mesmo ou de algum desafio que eu preciso passar, geralmente eu fico muito ansiosa e antes isso me paralisava. Mas com a metacognição eu consegui ajustar esse pensamento para se eu estou me sentindo dessa forma é porque isso que eu vou fazer é importante para mim e essa emoção está indicando que eu estou animada ou que eu estou, enfim, querendo fazer isso, mas como é algo novo, eu estou me sentindo dessa forma, mas vai dar certo. Tá vendo como que muda completamente a interpretação?

E muitas das vezes, sem essa metacognição, você começa a se dar pequenas desculpinhas. >> Ai, eu não tenho tempo. Ai, eu não sei se eu sou boa bastante. Ai, eu não sei se eu vou conseguir. Depois eu faço. Eu não tô com vontade. >> E você obedece isso como se fosse verdade. Então, vamos supor, você tá querendo se desafiar, ser uma pessoa melhor, ter mais hábitos saudáveis ou ter uma rotina produtiva. Mas aí aparecem todas essas desculpinhas que eu te falei agora. E a pessoa sem metacognição, ela vai aceitar isso como se fosse verdade, mas a pessoa que pratica metacognição, ela percebe que, ok, a minha mente tá tentando me proteger do desconforto. >> E aí não é como se você moldasse o seu destino por conta dessas desculpas. Você se questiona, por que eu não estou querendo fazer isso? Por que eu estou adiando? Será que eu realmente não tenho tempo?

A parte mais importante é a interpretação. E uma coisa que eu percebi muito maravilhosa na é que quando ela fala sobre pressão e ataques, ela tá tocando exatamente nisso. Você não consegue controlar o que vem de fora, mas controla como se posiciona e como responde. Inclusive, ela respondeu algumas perguntas que pareciam até que estavam tentando diminuí-la, né? Falando sobre, por exemplo, que ela não ganhou determinadas medalhas, se ela enxergava isso como um fracasso, entre aspas. E ao invés dela levar isso pro lado pessoal, ela literalmente trocou a narrativa mostrando o lado dela, o ponto de vista dela.

O que dá para observar em atletas que performam é que eles têm essa capacidade de separar o que aconteceu do que isso significa sobre você. Não é porque aconteceu alguma coisa ali no trabalho que ela vai definir isso como uma sentença pra vida dela. A metacognição é importante porque o que você pensa determina o que você evita, o que você sustenta, o que você se torna. Isso é muito mais sério porque é aprendizagem comportamental.

Lembra que eu sempre falo aqui nos vídeos que você precisa ter esses momentos de silêncio com você mesma, não só para o seu cérebro consolidar aprendizados, mas que você faça essa reflexão. E tem tudo a ver com isto. Se você não se permite ter um minuto de silêncio na sua rotina, se você está sempre assistindo série, escutando podcast, escutando música, fazendo alguma coisa, assistindo aula, quando que você vai ter esses momentos para pensar sobre você, sobre o que você está sentindo, sobre qual é o seu ponto de vista, sobre o que você acha daquela situação?

E isso é maravilhoso, porque às vezes a gente acha que o ouro tá lá fora, né, nos stories de tal pessoa, na rotina de alguém ou no que você precisa aprender com uma outra, sei lá, celebridade e tal, quando na verdade o ouro está dentro de você. Todas as respostas que você precisa está aqui, ó, dentro de você. E você só vai conseguir acessar isso através desses momentos de silêncio.

Porque pensa, não adianta você ser essa pessoa que consome tudo, tá sempre aprendendo, tá sempre estudando, seja coisas da sua carreira, seja desenvolvimento pessoal, se na hora de aplicar você sempre faz o mesmo, você foge, você se distrai, você adia. E por que será que a gente não treina isso, sendo que é uma coisa tão importante? Se é tão importante, por que ninguém treina? E a resposta é porque estamos hiperestimuladas. Você não fica sozinha com a sua própria mente. Todo desconforto que você sente, você já pega o seu celular, você já entra em alguma coisa, vídeo, mensagem. Toda vez que você sente esse desconforto, essa coisa ruim, você já tenta se distrair. Ao invés de você praticar a metacognição, que é o que eu penso sobre isso, porque isso está me deixando desconfortável. E aí você perde uma habilidade básica, mas tão valiosa, que é perceber o que está acontecendo dentro de você.

Então, como eu falei, eu ia te passar uma prática para você começar a treinar a metacognição. Inclusive, essa é uma das coisas que ela cita, que é o journaling, escrever para observar o pensamento. Mas vamos deixar claro que o journaling não é só sobre você pegar um caderninho e escrever: "Querido diário, hoje aconteceu isso, isso, isso na minha vida" ou: "Ai, eu sou grata por isso, isso, isso". Você pode fazer essas coisas, mas trazendo pra metacognição é sobre um treino diário, sobre uma análise. Inclusive existe uma linha enorme de pesquisa sobre escrita expressiva, mostrando benefícios pequenos amoderados em saúde, funcionamento psicológico em diferentes contextos. Então assim, não é milagre, mas é uma ferramenta que você pode começar aí na sua casa. Você só precisa de um caderno, de uma folha de papel e uma caneta.

Então agora eu vou te passar um modelo de journaling que você pode fazer especialmente para aquelas pessoas que estão sempre procrastinando ou que vivem com ansiedade. Eu pratico muito isso. Eu quero praticar inclusive mais, porque a forma como ela falou isso nas entrevistas, eu não praticava tanto. Mas então, vamos lá. Você vai pegar um caderninho e você vai colocar no cronômetro para você se desafiar a escrever por 5 minutos. Você pode começar com a primeira pergunta: o que eu estou sentindo? Você tá ansiosa, tá com preguiça, tá com medo, tá cansada? Escreve sem julgamento. Próxima pergunta: que história a minha mente está contando? Por exemplo, você tá querendo tirar um projeto do papel, mas você tá com medo. Então você coloca: "Ah, eu tenho medo que dê errado. Eu acho que eu não vou conseguir. Eu não sei se eu tenho as habilidades necessárias." vai anotando e aí você pode trazer toda essa reflexão para o seu dia de hoje. Hoje eu acordei às 7, mas aí eu não estava com vontade de levantar e talvez eu não estivesse com tanta vontade porque na noite anterior eu passei mais tempo do que eu deveria no celular, isso acabou prejudicando meu sono. Mas enfim, eu levantei, tomei um café da manhã mais rápido, sabe? você vai desenvolvendo conforme os seus pensamentos do dia e conforme o que aconteceu. E uma outra pergunta que eu gosto bastante é: Qual é a ação mínima que eu consigo fazer mesmo estando com medo, mesmo estando ansiosa? E aí você anota aí 10 minutos para trabalhar no projeto ou amanhã acordar mais cedo ou fazer só o primeiro passo. Isso parece simples e é simples, mas não é porque é simples que é uma coisa que não funciona.

Além da escrita, tem um outro hábito maravilhoso que te ajuda a treinar a metacognição, que é a caminhada diária por apenas 20 minutos. Porque tem um estudo que mostra que uma sessão de caminhada moderada pode melhorar aspectos de atenção, controle cognitivo e tem pesquisas de Stanford mostrando melhora na criatividade durante e logo após caminhar. Então, se você tem a possibilidade de fazer essa caminhada com presença, faça. Você pode também tirar um tempo à noite, todos os dias para fazer o seu journaling, para analisar o que aconteceu. Isso é treino.

Isso me faz questionar sobre como a gente deixa de dar importância a devidos momentos. Então, você tá na fila do mercado à toa, ao invés de você refletir sobre o que aconteceu ou você fazer algum exercício no celular para treinar alguma coisa, você tá lá se distraindo, sendo que essa seria uma oportunidade de você melhorar o seu repertório, o seu cognitivo. Tudo que aconteceu nos últimos dias me fez perceber que eu posso me tornar quem eu quero através da metacognição, se não estou satisfeita com a forma como eu ajo sobre alguma coisa, é como aí Lingu falou, o cérebro para ele é plástico e ela pode se tornar quem ela quiser a partir desse treino. E isso é pura neuroplasticidade. Você tem a capacidade de moldar o seu cérebro a partir dos comportamentos novos que você decide ter.

E os dois principais aprendizados que eu peguei com a Elingu: primeiro, as pessoas mais fora da curva ou que tem mais resultados não necessariamente são mais inteligentes, OK? Elas podem ser, mas elas também são mais observadoras, elas têm um autoconhecimento profundo e isso faz com que elas tenham decisões mais assertivas para o momento delas. E a segunda maior lição é que na maioria das vezes as pessoas agem no automático e chamam isso de personalidade, mas muitas das vezes essa sua personalidade nada mais é do que algo que você repete sem consciência. Porque no fim a sua vida só melhora quando você melhora internamente. E você só melhora internamente quando você decide começar a enxergar o que está acontecendo dentro de você sem julgamento.

Agora eu quero saber a sua opinião sobre este tema. Você também acha que é importante a gente treinar essa metacognição? Você já fazia isso antes? O que você achou do posicionamento da Elen Go? Comenta aqui embaixo que eu quero saber. E agora vem assistir esse vídeo aqui porque lá eu mostro alguns hábitos que podem melhorar a capacidade do seu cérebro. Clica aqui e eu te vejo lá.