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Caso Vitória: Maus Profissionais e a Crise da Ética em 2025

ISSO NÃO É LEGAL ⚖️27:22

Transcription

A gente tá fazendo uma comparação sobre como profissionais que agem com má índole, como erros na profissão geram resultados tão graves. Por exemplo, o caso da Vitória.

Eu e a Mari somos de mundos diferentes. Eu sou do direito, a Mari é veterinária. O meu cachorro teve uma emergência veterinária este final de semana e eu fui vítima de golpe na clínica que fez o atendimento do meu cachorro.

E a gente tá fazendo comparação para a pessoa, pra gente entender no quê? Como pessoas com má vontade, com maldade, em qualquer profissão, agem contra o seu juramento profissional.

Primeira coisa, você entende o que eu sinto em relação aos advogados? Agora, que que eu vou falar do caso de Vitória? Porque assim, para resumir o que que eu acho que é o paralelo. Primeira coisa, a Mari entendeu a minha raiva, o meu desgosto sobre os advogados, como eu me sinto em relação aos advogados, ao juiz, ao promotor, no caso da Vitória, porque ela estava se sentindo exatamente igual em relação aos veterinários e à clínica que fez o atendimento comigo e com o Harry, porque ela falava: "É mentira".

Vamos falar hoje para tentar começar um tema bem diferente, porque várias pessoas que estão aqui no chat já falaram que passaram. Era a mesma coisa que eu passei com o Harley.

Com certeza. Gente, a gente vai fazer um link hoje desses absurdos que aconteceram com a doutora na clínica veterinária com o direito. Do ponto de vista de quê, doutora? Da legalidade e da ética. A gente faz um juramento, né, doutora, quando a gente se forma. O veterinário jura proteger a vida, né, dos animais e o advogado defender a lei.

É, é a mesma coisa de uma pessoa que é um mau delegado, um mau investigador e um mau veterinário, porque muito do que foi feito ali não precisava e foi feito errado. Mari, que que você acha? Você acompanhou tudo, gente. Ele colocou o Harry para fora da clínica.

Não, não poderia. Então, Mari, de forma nenhuma. De forma nenhuma, doutora. O que é que para mim mais pega nessa situação toda? É a falta de honestidade. Isso é é praga de clínica veterinária e de pet shop, tá? Muita gente entra do mesmo jeito que a doutora: "Eu não tenho dinheiro". E aí o veterinário diz: "Não, a gente dá um jeito, vamos ver o que é que ele tem. Bota o cachorro dentro do consultório". Uma vez que o cachorro tá dentro do consultório, você vai pagar a consulta. No mínimo você vai pagar a consulta, você vai pagar todas as medicações que o veterinário fizer e não tem boquinha, não tem a não tem dinheiro não.

Ó, a Cortes da Rocha tá falando uma coisa muito importante, porque assim, ah, igual vamos falar, uma vez que entrou na delegacia, não vai, ele vai sair de lá, vai ter papel para assinar, não tem boquinha também. E assim, e eu senti, Mari, que eles apertam muito a gente e eles vão colocando muito medo na gente na clínica. E eu só vi que era golpe, Mari, 4 horas e meia depois que eu tinha que assinar aquele termo de alta sem baixa.

Exatamente. Porque Harry ele tinha um sintoma. Uma vez que ele chegou, que ele entrou dentro do consultório, aí foi colocando anemia, problema cardíaco, líquido no pulmão, né? Foi jogando um monte de coisa em cima da doutora, um tutor, gente, um dono, um pai, uma mãe de pet, quem tem, quem ama sabe como é. A gente fica, como a cabeça começa a explodir. O veterinário ele usa de má fé aquilo sem ter certeza de nada, porque a gente precisa de exame para confirmar qualquer doença. É muito desumano, sabe, gente, o que acontece em muitas clínicas. Vale ressaltar que não é todo veterinário e não é toda clínica. Tanto que ontem o veterinário que veio aqui, a gente aplaudiu ele de gente, oração atendida, porque ele falou assim: "Como colocar no oxigênio se não tinham feito oxiometria? Por que que era coração se não tinha feito um eletrocardiograma e não tinha um exame, né?"

A Mari começou a ficar brava com o veterinário. A Mari não se conformava dele ter colocado o Harry para fora, porque poderia ter dado um problema na coluna de verdade, né, Mari?

Poderia. Harry foi sedado sim. Diazepam é um sedativo e tá lá na lista de medicações que ele fez e no vídeo que a doutora me mandou, gente, porque nem todos ela postou, que ela me mandou no privado, e Harry estava assim, sedado. É um cachorro de 30 kg. Como é que o veterinário esperava que a Dra. Raquel conseguisse carregar esse cachorro, gente, até em casa? Mínimo.

Ele fala que o cachorro não estava sedado. Você viu no vídeo também que ele fala? Eu falei: "Então você mentiu para mim porque eu tinha pago R$ 370". Não lembra os delegados do caso da Vitória? Não, gente, de verdade, eu tento fazer essa comparação, mas não é mais ou menos igual, Mari, o mau profissional.

Ela disse que foi Deus que tirou Harry de lá. Demorou para entender. Não foi, doutora. Primeiro você teve uma revolta, depois você disse: "Não, foi Deus". Porque, gente, Harry ia morrer no internamento nessa clínica. O médico falou que se fosse uma lesão na coluna, primeiro que, ai, Mar, ainda teve isso que eles apertavam a perninha do Harry e a patinha dele vinha para trás e eles falaram que era a questão de dor que ele tinha, por isso que era lesão na coluna. E aí o veterinário de ontem falou que isso é um reflexo que a gente tem, os animais também têm, entendeu? Não precisa de um martelo. Se você der bater assim com a palma da mão no seu joelho, você vai ver.

Não, mas não é que é reflexo de dor. Não, de forma nenhuma. Para a gente começar a aprender essa questão da clínica, pode, por exemplo, cobrar tudo antecipado na clínica veterinária ou a gente, por exemplo, como consumidor, dá para parcelar, deixar um cartão, deixar um cão? Como é que é isso na prática?

É, para de clínica querer que você pague tudo à vista. Inclusive eles dificultam o pagamento. Tem clínica que vai dividir no máximo em três vezes, doutora. O que eu acho um absurdo.

Parece uma máfia. Gente, não parece uma máfia. Agora a gente vai chegar nesse ponto. Parece que eles fazem de um jeito que todo mundo te induz a esse erro e faz normal. E você fica. Jorge, eu só vi que era golpe quando eu tive que assinar. E e esse papel então, Mari, de retirada sem alta.

Clínicas, elas estão cheias de termos iguais a esse, que é tudo para que o tutor assina, muitas vezes não lê, tá, gente? Vocês precisam ler. Se você não tivesse lido, doutora, você ia assinar esse termo e se acontecesse algo com Harry.

Era minha responsabilidade. É, é porque eu Mas eu li por causa do hábito, gente, de advogado mesmo, porque eu achei que era alguma coisa sobre a internação. Tá certo? Me fala uma coisa, pode sedar um cachorro e dar alta desse jeito? O Harry nunca tinha tomado.

Não pode, né? Não, de forma nenhuma. Vamos, vamos explicar uma coisa. Tratamento veterinário é caríssimo, tá? Não, não é porque o veterinário ele tá milionário, gente. O veterinário ele tá lascado. Esse veterinário da clínica, ele é contratado, né, doutora? Como ele falou para vocês, muitas vezes o dono da clínica, gente, ele nem da área é, ele é um empresário, ele quer isso aqui. Ele não tá nem aí quantos cachorros morrem na clínica, se o cachorro sai vivo, se não sai, ele quer dinheiro. E o veterinário, ele é obrigado a cumprir as regras que o dono, o empresário impõe. Dentre essas regras estão essa de enrolar o tutor para colocar um animal. O tutor chega dizendo: "Eu não tenho dinheiro". Ah, não. Vamos, a gente vai só dar uma olhadinha e aí quando você sai da sala, três conto na recepção.

Exato. Eu entrei com 80, saí já devendo 370. Ele é funcionário da clínica. Mas, Mari, a gente falou, vocês fazem um juramento e a responsabilidade é do veterinário, não é do dono da clínica. É mais ou menos o que acontece com os hospitais e os médicos. O hospital não pode dar alta para um paciente se o médico não. Quem dá alta para o paciente é o médico, não é o hospital. E no veterinário acontece essa mesma coisa. São práticas abusivas, totalmente abusivas, porque quem estava dando alta para o Harry não era o veterinário, era a clínica.

Exatamente. O veterinário ele não queria liberar o Harry e tanto que ele chega para falar a falar a doutora: "Eu sou só um funcionário, eu tô cumprindo ordens". Eh, o que a doutora falou, gente, o carimbo dele tá ali, certo? No naquele papel que a doutora ia assinar é o nome do veterinário que tá lá, não é o dono do empresário, do dono da clínica. Se a doutora meter um processo nessa clínica, quem se lasca é o veterinário, não é o empresário, tá? O empresário, ele faz isso justamente para quê? Para prender o veterinário e nada, nada vai ser culpa dele. Mete esse monte de termo, se der merda, o cachorro morre, o tutor fica desolado e o veterinário se lasca e o cara tá montado na grana, ele não sobra nada para ele.

E eu, sabe o que que o veterinário falou ontem para mim? Que se fosse, sabe por que ele sabe que não é infarto? Porque o Harry tá aqui. Porque se fosse mesmo, nenhum dos tratamentos que foi feito era para infarto. Ele falou: "Por que colocar no oxigênio se no infarto não é esse o procedimento?"

Exatamente. A clínica se negou a a dar o tratamento para a doutora. Se ela fosse sair de lá para levar Harry direto para uma outra clínica, se fosse realmente uma situação de emergência, ela tem o direito. Isso não é nenhum absurdo não, gente. Ela tem que saber o que foi aplicado no cachorro dela.

Gente, juro por Deus, enviando o número de uma resolução para mim do Conselho Regional de Veterinária de 2020, dizendo que eu ia ter que aguardar cinco dias úteis para ter a cópia do do prontuário do. Não sabia o que o Her tinha tomado, a dose que ele tinha tomado. Eu não sabia nada disso. E a Mari ainda falou assim: "Doutora, isso não existe, eles estão mentindo para senhora". Aí eu peguei o áudio da Mari, encaminhei para a clínica. Demorou o quê, Mari? 20 minutos. Nem isso, né? É um áudio que eu estava até bem revoltada, que eu disse: "Tá doido, cinco dias úteis vai esperar o cachorro morrer". E isso não existe, gente. Toda medicação que é feita é cadastrada. Hoje em dia tudo é virtual, certo? Então, fez a medicação, fez a furosemida, automaticamente o veterinário digita no computador e isso vai na na hora pra ficha do Harry. Foi feito furosemida, tal dose, diazepam, tal dose. Então isso não existe de você dizer que tem que esperar 5 dias úteis para passar pro tutor a medicação que o cachorro tomou. É só imprimir. Você eh clica em um botão imprimir, saiu a ficha do Harry.

Parece muito o caso da Vitória. Por quê? Porque eles vão falando aquelas coisas pra gente e a gente vai acreditando e quem tá vendo que é da área fala: "Mas isso é um absurdo". Outro ponto comum é uma máfia. Ô Mari, fala uma coisa. Grande parte das clínicas são assim, não são?

Porque as clínicas elas realmente obrigam o veterinário a fazer certas coisas que são altamente antiéticas. Eh, a gente se forma, a gente faz um juramento, a gente se forma médica. Eu me formei médica veterinária. Uma vez que eu caí no mercado de trabalho, eu fui obrigada a virar vendedora, a virar mercenária. E gente, esse lucro não vinha para mim. Eu ganhava R$ 200, R$ 200 por mês. Eu não conheço nenhum veterinário aqui na minha cidade que ganha os seis salários mínimos.

No direito não é diferente não, viu? Não vai pensando que tem advogado que cobra, ganha, por exemplo, R$ 50 para fazer uma audiência, porque os grandes escritórios eles abusam demais do profissional. Então vocês ficam meio que refém desses empregos em clínica. É isso?

Isso. A gente fica refém. E aí você vai ter duas opções, que foi o que eu passei a fazer, uma vez que eu me neguei a fazer parte desse esquema dessa máfia, como o Jorge bem disse, ou você age, tenta agir de forma que não seja percebido. Como eu cheguei a falar pra doutora, quando eu não estava em atendimento, eu ia pra porta da clínica. Todo cachorro que entrava, eu olhava, esse aqui tem condição de atender, ótimo. O cachorro está muito mal, está emergência. Eu trabalhava nessa época num pet shop, não tinha atendimento de emergência lá, não tinha nem oxigênio para fazer no cachorro, não tinha um exame de de eco, de eletro, não tinha nada. Então, quando eu vi o tutor descendo com o cachorro em situação grave, eu corria e eu dizia: "Não, não, ó, aqui na esquina tem outra clínica". Eu disse: "Não, você vai para aquela clínica ali, porque se você entrar aqui com esse cachorro, seu cachorro vai morrer". Aí a pessoa olhava assim para mim, pensava.

Você falou que presenciou isso, né, de escolha entre cachorro queria viver e cachorro queria morrer. Você presenciou isso, gente, como tutor. Isso é muito importante que a gente saiba, gente, porque eu nunca imaginei que isso existisse.

Exatamente. Um veterinário renomadíssimo, renomadíssimo aqui no Brasil, dono de clínicas em vários estados do Brasil, dizendo que o correto você está sozinho no plantão, você recebeu cinco emergências. Cada animal, gente, a gente estima aí o tempo de vida, entendeu? Eh, eh, problema cardíaco vai ter aí, vamos supor, 3 minutos de vida, problema respiratório, 1 minuto e meio. Você vai pegar essas cinco emergência e bota todo mundo dentro do consultório, porque o que eu falei, uma vez que você fechou a porta dentro do consultório, o tutor vai pagar a conta. Então, você coloca os cinco cachorros que estão morrendo dentro do consultório, você vai atender um, aquele que tem 5 minutos de vida. O resto você tranca um no banheiro, joga um dentro do box, bota embaixo da mesa, bota em cima da estante, deixa morrer e você atende um cachorro. Mas você vai ganhar pela consulta dos cinco, pelo tratamento dos cinco.

Meu Deus do céu, gente. É assim, é, eu, eu fico em choque. Isso. Eu acho que como vocês ficaram de falar, mas doutora, o delegado pode fazer tal coisa. O delegado sabe. É essa comparação do ramo do direito, porque a Mari chegou a falar, eu entendo porque que você abriu o canal. Não é o que o que o Jorge falou, eles são cruéis também. É outro ponto em comum. Mari, eu estava sentada em cima do xixi com ele, secando ele em prantos. A Mari ainda falou isso para mim. Avisa que ele ficou sozinho em casa, não foi? A gente estava no telefone e mesmo assim eles queriam dinheiro ali simplesmente para internar. E o Harry prova que ele não precisava de internação, é que ele está bem. Melhorou com o novo algina que você que me deu para dar. É padrão das clínicas e está correto o dono ter que deixar um valor para o internamento. Esse valor é uma taxa que aqui na minha cidade varia entre R$ 200 por dia, tá? Então Harry chegou para ser internado, ele vai ter que, Dra. Raquel vai ter que pagar esse valor porque é para os custos que vai ter. Agora você só paga o primeiro dia. Se o cachorro passar dois dias ou passar uma semana, você vai pagar o resto no final do tratamento. É porque você já tinha pago R$ 400, não foi, doutora? Se eu não me engano, já tinha deixado lá R$ 400.

Exatamente. Exatamente. Então assim, do nada eles vêm pedindo R$ 500 para o internamento do Harry. Gente, eu não sei nem o nome do veterinário que me atendeu, que eles se recusaram a dar. Todo mundo. A Mari queria bater no veterinário. Aí eu falava assim para ela: "Você está entendendo porque que eu quero pegar o delegado? Porque que eu quero bater?". Doutora, eu nunca entendi também a senhora. Porque dá dá raiva, né, Mari? Dá uma raiva de quando a gente vê o que, por exemplo, e tipo assim, a Dra. Raquel caiu num golpe e eu caí num golpe, gente, com o meu gato, entendeu? E olha que eu levei, eu sou veterinária e eu levei o meu gato numa clínica que eu conheço. E eu falei para a doutora, se a a veterinária que atendeu o meu gato aparece na minha frente, eu perco meu meu réu primário. Eu perco, gente, é desumano.

É desumano. Ela sabia que eu era veterinária. Ela fez um monte de absurdo que está na ficha do meu gato. E eu olho assim e eu e eu queria perguntar a ela: "Tá escrito aqui otária na minha testa? Você pensa que eu sou o quê, minha amiga? Meu gato tomou 20 oxigênios por dia. Vocês têm noção de uma coisa dessa? Isso é maus tratos, gente, pelo amor de Deus. Era um caso de eutanásia, entendeu? Não me comunicaram. Não me comunicaram.

Só por causa do dinheiro, Mari. Só pelo dinheiro. Ao invés de eutanasiar meu gato na quarta, eles deixaram para quinta. Para quê? Para poder fazer mais 20 oxigênio na quinta-feira. Resultado, R$ 4.000.

Mais uma diária e mais não sei o quê. É exclus porque não tinha, não tinha, não tinha nenhuma finalidade, ele não iria sarar com aquilo, né?

E a Fabi falando, por exemplo, no Harry deram sedação desnecessária. No seu pode ter sido isso também.

Sim, exatamente. E ele foi sedado também, tá tá na ficha lá dele.

O que que a gente pode fazer, Mari, para começar a se prevenir disso? Porque assim, eu eu acho que a gente tem que começar a divulgar isso.

Gente, quando eu era veterinária, quando eu atuava, eu não podia estar falando aqui. Eu não podia estar aqui nessa live falando, expondo o que eu estou expondo. Eu falei para a doutora, eu não tenho nem CRMV mais. Eu fiz questão de cancelar o meu CRMV e agora ninguém me segura. O que eu tiver que falar, eu vou falar e eu não tô nem aí, porque é muito absurdo, gente.

Não. E sabe por que que a gente fala? Porque assim, como é que alguém vai ser contrário a você por você estar falando algo que é um crime, que é o que acontecia no caso da vitória? As coisas que eu falava, porque, por exemplo, como que a gente vai saber se tem quatro, cinco animais na clínica? Onde que eu deixo esse meu animal? Porque o tutor naquela hora é igual quando a gente chega na delegacia, as coisas que eu já falei que não pode acontecer ou que não podem serem feitas, a gente acredita em tudo.

Ó, vou vou dar algumas dicas. Primeira dica, gente, se tiver perto de você universidade que tem que tem o curso de veterinária, vá na universidade, porque na nas universidades tem hospital, certo? Tem hospital veterinário, onde os estudantes vão lá para fazer estágio, só que quem atende não são não são os alunos, tá, gente? São profissionais. E o que é que acontece para você entrar numa universidade federal? É muito difícil. Você tem que ser um profissional muito bom. Então, eh, a grande maioria dos profissionais que trabalham em hospitais, escola, eles são sensacionais, são especialistas. Vocês não devem nunca automedicar seus animais, certo? Para, eh, tem existem medicações que a gente usa na gente que o animal não pode de forma nenhuma. Uma delas é o paracetamol. O cachorro dura mais, mas o gato é na hora. Na hora. Então assim, medicação sempre sobre a orientação de um veterinário, certo? A medicação boa para você ter em casa é de pirona, gotas adulto. Você vai dar uma gota por quilo.

Mas entendam que se o seu animal está demonstrando dor, você tem que levar ele pro veterinário. Você não vai ficar dando dipirona em casa sem saber qual o motivo da dor. Agora, por coincidência, ele está usando dipirona como tratamento da do do machucadinho nas costas, tá? E assim, pessoal, é aquela coisa do dar a noite para ir de manhã com ele no veterinário, entende? Tem que ser sempre a menos, porque às vezes a gente está nessa situação, está num sítio, está num lugar e eu estou passando porque a minha cidade é pequena e não tem. Ela falou: "Leva o hospital veterinário, gente, não tem nenhum hospital humano aqui". E aí, pessoal, quando a gente chega do jeito que eu cheguei no lugar, ai é prato cheio para golpista. É onde eu me formei. A gente tinha, toda semana tinha atendimento de um especialista em oftalmologia, cardiologia, tinha cirurgião especialista, tinha anestesista especialista. Então assim, gente, é tudo de graça. Seu animal vai ter atendimento de especialista com direito a todos os exames, ultrassom, raio X, bioquímico, hemograma, eh, citologia, biópsia, de graça, tudo de graça. Então assim, se você tem como levar no hospital escola, de preferência que vai ser de graça.

Primeira opção de olho fechado, gente. Então, então, por exemplo, hospital de São Paulo, lá da USP, gente, é de olho fechado. A Mari está falando aqui, é de olho fechado.

Isso, de olho fechado. Segunda opção, clínica veterinária, pet shop não. Pet shop nunca.

Pet shop não é a mesma coisa, hein? Clínica veterinária e pet shop. Inquérito e processo para nossa cabeça é a mesma coisa, Mari. Para mim.

É, para mim é a mesma coisa falar que eu vou na clínica no pet shop é a mesma coisa. Explica pro pessoal a diferença.

Então, o pet shop é aquele local que o foco dele é o banho e tosa e a lojinha a venda de ração e de medicação. E ele tem aquela salinha apertada onde o veterinário atende. Muitas vezes eles até dão um jeito ali de fazer de forma ilegal, né, de fazer ali uma cirurgia, uma castração, uma coisa. A clínica veterinária, o foco da clínica é a medicina veterinária. Pode até ter uma lojinha dentro, um pet shop, mas você vai ver que as clínicas normalmente elas são maiores e elas vão ter o quê nelas? Especialistas trabalhando. Então sempre que você puder, gente, de preferência. Lógico, se você conseguir identificar a levar o seu animal em um especialista ao invés de um clínico geral. Elas têm 24 horas, então normalmente fica bem na fachada. Clínica 24 horas. Se você vê isso já é um indicativo de que é um lugar melhor. Eu não recomendo que vocês façam nenhuma consulta, nem sequer uma vacina no pet shop. E não existe isso, gente. Quem faz a vacina é o veterinário. Você tem que entrar no consultório. Porque o que é que acontece, doutora? A vacina ela tem que ficar refrigerada 24 horas por dia. Tem pet shop que desliga a geladeira quando fecha, tá?

Ah, igual aquelas coisas que a gente vê no da comida lá do jacan, desliga o freezer durante a noite, a mesma coisa. Isso aí a pessoa tem uma infecção bacteriana depois que come e morre, né?

Então é importante também que o veterinário que que fez pedido da internação fique lá no monitoramento durante a noite com com o bichinho.

Exatamente. E inclusive a melhor clínica que tem aqui na minha cidade, que é uma coisa super rara de se ver, além de veterinário, ele tem enfermeiros. É muito raro você ver enfermeiro veterinário e é super necessário, doutora, você querer que um veterinário sozinho dê um plantão de 12 horas noturno cuidando de 10, 15 animais é uma loucura.

É uma loucura. É uma loucura. Tem que ter enfermeiro. Mas você acha que o dono, o empresário quer pagar um enfermeiro veterinário? Não.

Então vocês estão mais ou menos, a sua classe está igual a minha. a gente fica refém de grandes grandes escritórios, de grandes redes. O custo é muito inviável para pessoas como eu, você manter uma clínica, manter um escritório de advocacia, tipo, meu, é muito, o custo é muito grande e aí acaba acontecendo. Então, é, é, é motivo que vai desaf, você vai se afastando mesmo da profissão. É, você perde o gosto, doutora, porque é como eu falei, eu me formei para ser médica, médica veterinária, e quando eu saio, eu viro uma carniceira, eu viro uma mercenária, eu viro uma vendedora. Caramba, gente. Eh, a dona da clínica chegou a pedir para no meu, quando eu não tivesse fazendo consulta, que eu ficasse na frente eh vendendo medicação, vendendo ração. Eu disse: "Eu vou, viu? Pode, pode me aguardar que eu".

Nossa, depois de ter estudado que eu estou igual eu falar, tá bom, tá bom que eu estudei tudo isso, vou fazer tal coisa só porque você quer.

Mas entendeu? E aí, só que aí é que está, a gente tem conta para pagar.

Exatamente. A gente tem conta para pagar. E aí é nessas que às vezes muitos veterinários se vendem. Inclusive, se eu quisesse voltar para a veterinária, era só eu instalar o dedo assim que eu voltava. Mas eu não quero mais, porque, doutora, eu me senti podre, sabe? Eu me senti a pior pessoa do mundo. Eu falei como é que eu me vendi para ganhar R$ 500 por mês.

Verbana, que que a gente está fazendo de comparação? Eh, a gente está fazendo uma comparação sobre como profissionais que agem com má índole, como erros na profissão geram resultados tão graves. Por exemplo, o caso da Vitória. Eu e a Mari somos de mundos diferentes. Eu sou do direito, a Mari é uma veterinária. O meu cachorro teve uma emergência veterinária este final de semana e eu fui vítima de golpe na clínica que fez o atendimento do meu cachorro. E a Mari falou assim: "Nossa, doutora, se eu pegasse tal veterinário, pessoa que fez tal coisa". No entendimento dela, muitas coisas me passaram de informações erradas. E a gente está fazendo comparação para a pessoa, para a gente entender no quê, como pessoas com má vontade, com maldade, em qualquer profissão agem contra o seu juramento profissional. Porque o meu cachorro, por exemplo, para você compreender bem rapidinho, ele ele a o veterinário queria interná-lo. Eu tinha que pagar eh mais de R$ 2.400 antecipado e à vista. E como eu não tinha o valor, nós fomos colocados para fora da clínica com ele sedado e ele dizendo amém no em vídeo que no meu cachorro não estava sedado. A Maria é uma amiga, já virou até irmã de fé. E e eu mostrei para ela e ela começou a ficar indignada com o comportamento deste veterinário, de como isso era errado, de que como ele tinha um juramento e ela queria: "Ai, eu vou bater nesse veterinário. Se eu visto esse veterinário, eu patin". E eu falei o quê para ela? É o que eu me sinto em relação ao caso da Vitória. Então a gente está mostrando aqui para vocês como desrespeitar o juramento da profissão, como tratar mal, como a ética, exatamente, e como isso influencia. É maravilhosa, Jorge, você não tem ideia. Então, para que você entenda qual que é a comparação com o caso Vitória, se aquele delegado, se o escrivão, se o investigador, se os advogados, se o promotor, se o juiz, se cada um deles tivesse cumprido e honrado com seus juramentos, né, Mari, as coisas não tinham desenvolvido. Se se a pessoa que fez o atendimento no meu cachorro tivesse honrado com o juramento que ele fez da profissão. Assim, o que eu quero mostrar pros senhores, o foco eh da live de hoje é a gente fazer essa correlação de que todos os profissionais eles passam por um juramento, né, para a gente receber, para você receber sua OAB, para eu receber o meu CRMV, a gente faz um juramento, no meu caso, a vida, a cuidar da vida, a ética. Doutora, como como eu falei para você, o hospital que eu estudei é uma coisa de primeiro mundo. Você entra, parece que você está nos Estados Unidos. Eh, até tomografia eles estavam comprando para colocar no hospital quando eu me formei. Eh, e todo mundo trabalha dentro da ética, doutora. É uma coisa linda. E aí você cai no mercado de trabalho e você vê que a ética parece que pegaram assim, ó. Não existe.

É o que eu vejo no caso da Vitória. Não houve nenhuma das classes dos que eu falo, a gente fala dos operadores do direito. Ninguém obedeceu a.

Vários juízes, promotores, né, doutora? Juiz, promotor, delegado, investigador, perito. Eh, eh, eh, então é esses juramentos. É sobre isso que a gente está querendo falar. E aí que como tudo é uma coisa puxa outra, a falta de ética, a falta de respeito ao juramento, começa a entrar interesse financeiro, começa a entrar virando uma máfia, uma maquininha.