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Olá, gente, estamos ao vivo. Bem-vindos, bem-vindas aqui para a nossa aula de revisão, né, para revisão de economia para o CACD. A gente tem aqui uma vantagem na prova de economia em particular, que é o fato de nós termos basicamente o mesmo conteúdo programático do concurso. Quer dizer, não tivemos aí mudanças no conteúdo de economia, o que é um facilitador. E aqui o meu plano de voo ao longo do encontro de hoje é basicamente passar pelos principais conceitos. Aqui a gente tem um chat aberto, então quem quiser interagir pode ficar super à vontade, pode trazer aí suas considerações. Lembrando que aqui a gente vai estar muito focado em temas, ou seja, a gente vai realmente falar de conceitos, vai revisitar os principais conceitos como uma grande revisão para o CACD, uma grande revisão para essa prova que está se aproximando.
No caso da primeira fase em particular, eu lembro a vocês que, na prática, a gente tem que tomar muito cuidado no que diz respeito à resolução de questões de certo ou errado. É muito importante destacar – pode parecer uma coisa boba e talvez até seja, mas a minha experiência mostra que isso é super importante – cuidado com as afirmativas no que tange a considerar coisas que não foram ditas. É muito comum, né, você ter no concurso, às vezes a pessoa diz: "Ah, Daniel, puxa, marquei essa afirmativa como certa, porque eu pensei". Não importa o que você pensou, importa o que está escrito. E também é sempre importante destacar que todas as afirmativas estão corretas até que você encontre algum erro nelas. Então, a gente parte de afirmativas corretas.
É importante lembrar que o concurso costuma ter questões de economia brasileira, de microeconomia e de macroeconomia. Por isso, a gente vai ter a oportunidade de falar sobre esses principais temas, vai poder esmiuçá-los aqui ao longo do nosso encontro. É um voo panorâmico. É claro que nós não temos aqui a oportunidade do aprofundamento que existe, por exemplo, no curso extensivo do Clip Eming CACD e que acaba sendo realmente o espaço onde a gente esmiúça com mais profundidade todos os temas do concurso de admissão à carreira diplomática.
Então, gente, bem-vindos, bem-vindas. Eu sou professor Daniel Souza, sou professor de economia aqui do Clip Eming CACD e a gente vai ter a oportunidade de passar aqui nos principais temas, tanto de micro quanto de macroeconomia. A gente não vai falar sobre economia brasileira hoje. Eu acabei fazendo essa escolha, digamos assim, editorial. A parte de economia brasileira é super importante, é uma parte essencialmente de macroeconomia aplicada, mas eu precisava focar aqui em alguns temas e por isso vamos focar em microeconomia e em macroeconomia.
Lembrando, quando a gente está falando de microeconomia, os temas que sempre são importantes a gente lembrar, que a gente não pode esquecer, começando por oferta e demanda. É claro que quando a gente pensa em oferta e demanda, a gente tem que lembrar dos fatores que geram deslocamentos da demanda. A demanda, ela pode ser expandida, ela pode ser deslocada para a direita por conta de um aumento na renda dos demandantes, ou então por conta de um aumento no preço do bem substituto, ou por conta de uma redução no preço do bem complementar, ou porque você passou a gostar mais de um determinado produto, ou porque você passou a estar mais otimista em relação ao futuro. Esses são os elementos que levam à expansão da demanda, deslocamento da demanda para a direita. Então, aumento na renda dos demandantes, aumento no preço do substituto, redução no preço do complementar, incremento nos gostos e preferências (eu passei a gostar mais de um determinado produto ou simplesmente eu estou mais otimista em relação ao futuro). Todos esses são aspectos que podem levar a uma expansão da demanda, um deslocamento da demanda para a direita. O contrário também é verdadeiro. A gente pode ter uma contração da demanda em função de uma diminuição na renda dos demandantes (claro que aqui eu estou considerando bens normais), uma diminuição no preço do substituto, um aumento no preço complementar, uma piora nos gostos e preferências (eu passei a gostar menos daquele produto do que eu gostava antes) e uma piora também nas expectativas em relação ao futuro (estou mais pessimista em relação ao futuro).
Avançando um pouquinho, a gente tem também os deslocamentos da oferta. Aqui, claro, nós temos uma interação entre oferta e demanda, um cruzamento entre oferta e demanda, que vai nos proporcionar um determinado equilíbrio. No caso da expansão da oferta, tanto a expansão da demanda quanto a expansão da oferta são sempre deslocamentos para a direita. Nós podemos ter uma expansão da oferta em função da redução dos custos de produção, em função de incrementos tecnológicos, em função de expectativas em relação ao futuro. Quer dizer, você está mais otimista em relação ao futuro. Assim como nós também podemos ter contração da oferta quando acontece o contrário: contração da oferta em função de aumento nos custos de produção, em função de piora tecnológica, em função também de deterioração das expectativas. O ofertante está mais pessimista em relação ao futuro. Podem parecer nuances todos esses elementos apresentados aqui inicialmente, mas eles são eventualmente cobrados na prova. Mesmo que não sejam cobrados diretamente, acabam sendo cobrados indiretamente. E com isso, é importante que a gente conheça quais são os fatores que geram deslocamentos da demanda e deslocamentos da oferta. É claro, se você tem uma expansão da demanda, o preço sobe. Se você tem uma contração da demanda, o preço cai. Se você tem uma expansão da oferta, o preço cai. Se você tem uma contração da oferta, o preço sobe. Nada mais é do que a materialização de oferta e procura, de oferta e demanda, através desse modelo microeconômico.
Se a gente avançar aqui um pouquinho, alguns conceitos também importantes em termos microeconômicos que invariavelmente acabam sendo cobrados são os bens públicos. O bem público é aquele que apresenta duas características: é aquele que é não excludente e não rival. O fato de não ser excludente significa que não é passível de exclusão, ou seja, você não pode impedir nenhuma pessoa de consumi-lo. O exemplo clássico de exclusão é uma catraca: você impede a pessoa de entrar se ela não pagou. Então, isso é exclusão. E a rivalidade é aquela situação: se eu estou usando, isso não impede que você use também. Então, o bem público tem que apresentar essas duas características: ele não pode ser excludente e ele também não pode ser rival. É o que acontece, por exemplo, em praças, iluminação pública, segurança pública. Eles são não excludentes e também não rivais. Eles acabam sendo bens públicos. Por isso, é interessante que quando a prova citou recentemente bens públicos, ela trouxe o exemplo do transporte público, que não é um bem público. O transporte público não é um bem público porque tem exclusão, tem catraca e, consequentemente, você tem ali um elemento excludente participando do processo.
Falando aqui um pouco de elasticidade ainda na microeconomia, temos a elasticidade preço da demanda. Elasticidade para essa demanda que mede a sensibilidade da demanda a variações do preço. Então, você pode ter uma demanda muito sensível a variações do preço ou você pode ter uma demanda pouco sensível a variações no preço. E o que a gente acaba observando na prática é que a elasticidade preço da demanda é impactada principalmente pelos seguintes vetores: essencialidade, existência ou não de substitutos próximos e também peso do produto no orçamento. Então, o que acaba acontecendo é que quando a gente pensa numa demanda inelástica, ou seja, uma demanda muito pouco sensível a variações no preço, a gente está falando de um produto essencial, a gente está falando de um produto que não tem substitutos próximos e a gente está falando de um produto que pesa pouco no orçamento do consumidor. Esses são os elementos que tornam a demanda inelástica: produto essencial, sem substitutos próximos e leve no orçamento do consumidor, pouco representativo no orçamento do consumidor. Essas são características que fazem com que, se o preço subir, o consumidor vai continuar comprando mais ou menos a mesma coisa. Quando a gente pensa nos bens elásticos, que têm uma demanda elástica a preço, o que acaba acontecendo é que você está falando de um bem supérfluo, você está falando de um bem com substitutos próximos, você está falando de um bem pesado no orçamento do consumidor. Essas são as características que acabam tornando o produto sensível a variações no preço.
Falando aqui um pouquinho de elasticidade de preço da oferta, ou seja, sensibilidade da oferta a variações no preço. O que torna a oferta inelástica? Inelástica, ou seja, uma oferta muito pouco sensível a variações no preço, é uma oferta onde você está falando de uma empresa ou setor sem capacidade ociosa, que está trabalhando ali no limite. É uma empresa ou setor que é muito complexa do ponto de vista produtivo, muitos fatores de produção estão ali envolvidos. E também uma oferta que a gente está analisando no curto prazo. Uma oferta no longo prazo acaba sendo mais elástica, porque você tem ali como mexer na oferta daquela empresa, daquele setor, sem dúvida alguma. Então, a oferta elástica, que é o contrário, vai ser justamente aquela oferta em que você tem capacidade ociosa, vai acabar sendo aquela oferta em que você tem um setor relativamente simples e aquela oferta que você está analisando mais no longo prazo, porque você tem maior flexibilidade do ponto de vista da oferta, está bem, gente? Então, essas acabam sendo essencialmente características que a gente pode pensar em termos de elasticidade preço oferta e também em termos de elasticidade preço da demanda.
Como sempre, fiquem aqui super à vontade para interagir através do chat, pessoal que quiser fazer perguntas, trazer colocações. Mas hoje aqui o nosso plano de voo acaba sendo essencialmente esse, ou seja, acaba sendo revisitar os principais temas, os principais conceitos, justamente para refrescar a nossa memória e fazer com que a gente possa aumentar a produtividade e a efetividade no concurso.
Falando um pouquinho de teoria do consumidor, a teoria do consumidor acaba sendo pautada essencialmente pela monotonicidade, ou seja, os consumidores, via de regra, preferem mais unidades do que menos unidades de um determinado produto. Transitividade, quer dizer, se A é preferível a B e B é preferível a C, necessariamente A é preferível a C. Então, a transitividade acaba tendo ali um ordenamento lógico. Preferências completas: se o consumidor conhece todas as cestas disponíveis num determinado mercado e consegue fazer a melhor escolha possível. E o consumidor ser racional significa que ele tem ali um determinado padrão de consumo, um padrão de comportamento que segue parâmetros racionais, tá?
Quando a gente pensa um pouco no ponto ótimo, e aqui a gente vai pegando quais são os elementos fundamentais, o que a prova mais cobra mesmo: o ponto ótimo acaba sendo descrito de três formas diferentes. Você pode descrever o ponto ótimo como sendo o ponto de contato da restrição orçamentária com a curva de indiferença de maior nível de utilidade. Você pode descrever o ponto ótimo como sendo aquele onde a taxa marginal de substituição (a TMS) é igual à relação de preços dos produtos que o consumidor está consumindo. Ou você pode descrever o ponto ótimo como sendo aquele ponto onde a relação benefício-custo do produto X é igual à relação benefício-custo do produto Y. Ou seja, a utilidade marginal do produto X dividido pelo preço do produto X é igual à utilidade marginal do produto Y dividido pelo preço do produto Y. Então, essa é uma forma, é uma maneira que você tem aí de descrever o ponto ótimo do nosso consumidor. Lembrando que a teoria do consumidor aqui é a teoria do consumidor, segundo a escola marginalista, o que significa dizer na prática que a gente tem ali um certo cartesianismo no que diz respeito à análise e na modelagem que está sendo apresentada.
Avançando um pouquinho, a gente tem na microeconomia também a teoria da firma. O objetivo da teoria da firma, como o próprio nome sugere, é a maximização de lucros, ou seja, maximizar a distância entre receita total e custo total. A ideia aqui é maximizar o lucro, lembrando que nós estamos considerando um lucro econômico e não um lucro contábil. O lucro econômico considera o custo de oportunidade, algo que o lucro contábil acaba não fazendo. E da mesma maneira que na teoria do consumidor, na teoria da firma, o ponto ótimo do ponto de vista locativo, quer dizer, o ponto ótimo que é o de máxima eficiência, nós temos a taxa marginal de substituição técnica, que é igual à relação de preços dos insumos. É o mesmo raciocínio da teoria do consumidor, só que ao invés de taxa marginal de substituição, é taxa marginal de substituição técnica. Ao invés de relação de preços dos produtos que o consumidor consome, é a relação de preços dos insumos. E uma outra forma também de descrever ali um ponto ótimo do ponto de vista da firma é aquele onde a relação benefício-custo dos insumos é igual. A firma é uma consumidora de insumos, é uma consumidora de fatores de produção. Então, você acaba tendo ali produtividade marginal de X ou produtividade marginal do trabalho, por exemplo, dividido pelo preço de X ou o preço do trabalho, é igual à produtividade marginal de Y (pode ser o capital, por exemplo) dividido pelo preço de Y, que pode ser, por exemplo, o capital. Então, no final das contas, a gente acaba tendo aqui diferentes maneiras de encontrar o ponto ótimo, o ponto ótimo no que diz respeito à nossa teoria da firma.
Avançando um pouquinho, lembrando sempre que a maximização de lucros tem uma condição necessária e suficiente, que é a firma, independentemente da estrutura de mercado em que está inserida, escolher o nível de produção em que a receita marginal é igual ao custo marginal, né? Então, nesse caso, você tem a maximização de lucros sendo alcançada. E sim, gente, essa aula vai ficar gravada, por isso eu estou até indo um pouco mais rápido, porque depois vocês têm a oportunidade de revisitar esses conceitos, de assistir de novo. E claro que a gente tem aqui a oportunidade, indo um pouco mais rápido, de visitar a maior quantidade de conceitos possível, mas nada impede que vocês tragam aqui as questões de vocês, as perguntas de vocês, está bem?
Então, a maximização de lucros exige que você escolha o nível de produção em que a receita marginal é igual ao custo marginal. Se isso acontecer, você tem a segurança, você tem a certeza de que o máximo lucro está sendo alcançado. O máximo lucro não significa que o lucro é positivo, nem negativo, nem zero. O máximo lucro significa que o lucro é máximo. Você pode alcançar o máximo lucro tendo um lucro positivo. Você pode alcançar o máximo lucro tendo o lucro zero. Você pode alcançar o máximo lucro tendo o lucro negativo (lucro econômico). Não, a prova não precisa dizer isso, mas aqui eu estou apenas reforçando esse conceito. Então, você pode ter maximizado o lucro com preço maior do que o custo total médio. Assim, a receita total vai ser maior do que o custo total. Consequentemente, você vai continuar produzindo no curto e no longo prazo. Você também pode ter preço igual ao custo total médio, ou seja, a receita total é igual ao custo total. Você vai produzir no curto e no longo prazo também nesse cenário onde o lucro econômico é igual a zero. E você pode estar maximizando o lucro e tendo ali o preço menor do que o custo total médio. Aí a receita total é menor do que o custo total e, consequentemente, você vai deixar o mercado. Você vai necessariamente deixar esse mercado no qual você está inserido. Lembrando sempre que essas são regras e balizas que valem para qualquer estrutura de mercado em que você esteja inserido.
Bom, avançando um pouco para a parte de macroeconomia, e aqui eu queria lembrar a vocês que a gente está em meio a uma guerra comercial. Consequentemente, me parece que a chance de você ter temas relacionados à política comercial aumentam consideravelmente, particularmente no que diz respeito a tarifas. Esse já é usualmente um tema muito recorrente no concurso. Ele já é um tema bastante cobrado e com Donald Trump no poder, a chance dele ser cobrado aumenta ainda mais. Lembrando que quando você coloca tarifas de importação, na prática, você está cobrando um imposto sobre o produto que está entrando no seu país. Ao contrário do que o Trump diz, tarifas de importação são cobradas do consumidor doméstico. O produto passa a entrar pelo preço internacional acrescido da tarifa. E é sempre importante lembrar que quando a gente está falando de instrumento de política comercial, a prova gosta muito dos efeitos finais desses instrumentos. Então, no que diz respeito à tarifa, o excedente do produtor aumenta porque o produtor vai vender mais por um preço mais alto. É isso que a tarifa acaba causando. O excedente do consumidor diminui. O consumidor é prejudicado porque ele vai comprar menos por um preço mais alto e a receita do governo aumenta. Aliás, esse é um dos elementos que tem beneficiado bastante o governo do Donald Trump. Nós temos tido um aumento substantivo da arrecadação do governo americano. Aliás, o Scott Penent, que é o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, nesses últimos dias falou sobre isso, como a arrecadação de impostos nos Estados Unidos tem aumentado e essa arrecadação de impostos acaba sendo algo extremamente interessante. É um reflexo direto da adoção de tarifas.
Quando a gente está falando de subsídios à importação, e aí o subsídio é quando você está fazendo um aporte financeiro num determinado setor ou empresa, então você está tendo uma renúncia fiscal num determinado segmento, você está deixando de cobrar impostos que eventualmente você poderia cobrar. O que acaba acontecendo é que o excedente do produtor aumenta, afinal o produtor recebe o subsídio. Então, o produtor acaba produzindo mais, acaba recebendo mais porque ele recebe o subsídio e acaba produzindo mais e, consequentemente, ele ganha dos dois lados. O excedente do consumidor acaba diminuindo porque o governo cobra as pessoas para oferecer subsídios ao produtor. Então, o consumidor acaba sendo prejudicado, ele tem uma diminuição do seu excedente. E para o governo é ruim, né? Porque o governo acaba tendo um gasto, seja um gasto direto, onde ele desembolsa recursos, seja um gasto tributário, que no Brasil está muito comum, está muito usual falar sobre gasto tributário, que é uma renúncia. Você tem direito ali a um recebimento e você abre mão desse direito a receber, tá?
A pergunta: 'negativo, viável apenas em cenários de curto prazo, certo?' Imagino que você esteja fazendo referência ao slide anterior e, se não for, você me corrige, me avisa. Mas todos esses elementos aqui analisados, a gente está falando de horizonte de longo prazo, quer dizer, deixar o mercado quando o lucro econômico é menor do que zero é algo que necessariamente vai acontecer no longo prazo. No curto prazo pode ser que aconteça ou não. E os outros dois ali, como está explícito no slide, você vai continuar produzindo no curto e no longo prazo, está bem?
E o último que são aqui as cotas de importação. Quando a gente está falando de cotas de importação, na prática você tem ali uma restrição quantitativa a importar. Você só pode importar uma determinada quantidade previamente definida. O que acaba acontecendo nesse caso é que o excedente do produtor aumenta, afinal você está restringindo a entrada do produto e, ao restringir a entrada do produto, ele fica mais caro. Ficando mais caro, o produtor produz mais. Então, o produtor vende mais por um preço maior, por isso que o produtor é beneficiado por uma cota de importação. O excedente do consumidor diminui. Afinal, o consumidor vai ter que pagar mais caro e vai comprar uma quantidade menor. Então, o consumidor acaba tendo ali um excedente menor. E no que diz respeito à receita do governo, você não tem alteração. Quer dizer, o governo nem arrecada, nem gasta. E, consequentemente, nós temos ali apenas uma situação em que o governo não é impactado do ponto de vista orçamentário. Então, esses são elementos basilares no que diz respeito aos instrumentos de política comercial.
Lembrando sempre que existe uma diferença importante entre países grandes e países pequenos. Países pequenos são aqueles que, se eles estão abertos ou fechados ao comércio, o impacto sobre o preço internacional é nenhum. Países grandes são aqueles que, se eventualmente eles se fecharem ao comércio, como acontece com os Estados Unidos, isso vai ter impacto no preço internacional. Se os americanos começam a comprar menos porque eles estão praticando tarifas, a tendência é que o produto encalhe no mercado internacional e, consequentemente, ele acabe baixando de preço. Se nada é dito em uma prova, a gente considera como cenário base a hipótese simplificadora que é de um país pequeno, mas normalmente a prova é bastante explícita em relação a isso, né?
Em todos os casos, o produtor se dá bem e o consumidor não. É verdade, porque quando a gente está falando aqui desses instrumentos de política comercial, a gente está falando de instrumentos que beneficiam o produtor, que têm o objetivo de estimular a produção doméstica e o consumidor acaba sendo prejudicado. Sim. Tanto isso é verdade que, do ponto de vista técnico, não se justifica esse tipo de instrumento por um longo prazo de tempo, mas no curto prazo, se você tem uma indústria infante, se você tem ali algum tipo de mecanismo de proteção momentâneo, aquilo pode se justificar temporariamente, tá?
Se eu posso explicar por que o excedente do produtor aumenta no caso da tarifa? Aumenta no caso da tarifa porque o produto importado passa a entrar pelo preço internacional mais a tarifa. Ou seja, o produtor pode também praticar o preço internacional mais a tarifa. Ele pode praticar um preço mais alto do que ele praticava no livre comércio. Se ele pode praticar um preço mais alto, ele é estimulado a produzir, então ele produz mais e vende por um preço maior. É por isso que o produtor está sendo beneficiado. Isso não seria dependente da elasticidade do bem? É dependente. A elasticidade faz com que o impacto varie, mas o impacto continua sendo positivo. É claro que se você tiver um aumento maior na quantidade produzida, o excedente do consumidor tem uma variação maior, mas a elasticidade só faz com que o impacto seja maior ou menor, mas o impacto será positivo sobre o produtor. De qualquer maneira, trocando em miúdos, o aumento pode ser um aumento muito ou um aumento pouco, mas o aumento continua sempre sendo válido, independentemente da elasticidade. Ah, está legal. Acho que a pergunta de baixo é igual, está? Beleza?
Então, gente, só para registrar aqui quais são os efeitos quando você pratica um determinado instrumento de política comercial. Aliás, dentro desse contexto de Donald Trump, isso aqui está particularmente interessante, tem se tornado um elemento recorrente importante, tá?
Quando a gente fala das teorias do comércio internacional, essas teorias acabam sendo pautadas principalmente por Adam Smith, David Ricardo, Heckscher-Ohlin e a crítica da CEPAL. Quando a gente está falando de Adam Smith, o grande objetivo ali da teoria do Smith acaba sendo a ideia das vantagens absolutas. Ou seja, em um ambiente de livre comércio, cada um vai se especializar na produção dos bens em que tiver vantagens absolutas, custos absolutos menores. Essa teoria tem um furo, né? Puxa, e se um tem vantagens absolutas em tudo, o outro não tem vantagens absolutas em nada e tal? É por isso que surge a teoria do Ricardo das vantagens comparativas, onde a análise tem que ser relativa, tem que ser comparativa e não absoluta. Se a análise é relativa, o que acaba acontecendo na prática é que você tem que levar em consideração não apenas o custo absoluto, mas também o custo de oportunidade. Esses dois elementos têm que ser levados em consideração juntos, tá? E dentro da lógica do Ricardo, mesmo que um determinado país seja bom em tudo, tenha vantagens absolutas em tudo, ele não vai produzir tudo. Ele vai abrir espaço, consequentemente, para que um outro país também tenha o seu espaço no comércio internacional. O exemplo que o Ricardo dá lá do tratado de Methuen, né, que ele analisa tecnicamente exportações de vinho e de tecidos, etc. Embora um dos dois países possa ser melhor na produção de vinhos e de tecidos, ele não vai produzir as duas coisas, ele vai abrir espaço ali para que o outro país eventualmente comercialize e produza um determinado produto. O modelo Heckscher-Ohlin tenta explicar de onde vêm as vantagens comparativas e ele chega à conclusão que as vantagens comparativas vêm da dotação relativa de fatores de produção. Então, eu vou exportar bens intensivos no fator relativamente abundante e vou importar bens intensivos no fator relativamente escasso, tá? E dessa maneira você tem uma explicação mais profunda de onde vêm essas vantagens comparativas. Um ponto importante é que no modelo do Ricardo a gente só tem um fator de produção que é o trabalho. E no modelo Heckscher-Ohlin a gente tem dois fatores de produção: o trabalho e o capital. Então, você já tem ali uma sofisticação teórica e técnica maior no modelo Heckscher-Ohlin, mas todos eles defendem o livre comércio, tanto Smith quanto Ricardo quanto o modelo Heckscher-Ohlin, tá?
Ah, tem aqui: 'a tarifa incide diferentemente até depender do tipo de bem comum, Giffen, etc.' Na realidade, ela tende a ter diferenças no que diz respeito ao tamanho do impacto, mas aqueles elementos que a gente colocou ali em termos basilares, o efeito é o mesmo. Quer dizer, a tarifa encarece o produto. Ponto. A tarifa encarece o produto, encarece mais, encarece menos, aí depende do produto. Qual é o impacto sobre o consumidor? Depende do produto, é um impacto mais intenso ou menos intenso, mas o efeito em si é sempre o mesmo. Quer dizer, colocou a tarifa, o produto passa a entrar pelo preço internacional mais a tarifa.
Professor, sobre a crítica da CEPAL, seria correto afirmar que os países pertencentes à CEPAL estariam dependentes da economia de países centrais? Sim, estaria correto. A crítica de Prebisch, né, a crítica cepalina, acredita que o livre comércio não é vantajoso para países latino-americanos na medida em que esses países estão inseridos no sistema internacional como exportadores de primários e importadores de manufaturados. Consequentemente, eles tendem a sofrer com a chamada deterioração dos termos de troca: os produtos que esses países exportam tendem a perder valor em comparação com os produtos que esses países importam, tá?
Professor, o fator de produção e função de produção têm o mesmo sentido? Não. Fator de produção é o capital, fator de produção é o trabalho, fator de produção são os elementos que são utilizados para você produzir bens e serviços. Função de produção é outra coisa. Função de produção é a maneira com a qual você organiza os fatores de produção. A função de produção é a maneira, é a tecnologia com a qual você organiza os fatores de produção. Fator de produção que vai ser o capital, que vai ser o trabalho, etc., tá? Então, são coisas diferentes.
A solução seria o protecionismo na indústria doméstica, ele é a favor de tarifas, por exemplo, no caso do Trump. Sim. E no caso da CEPAL também. Então, nesse sentido, o Trump está se aproximando do pensamento cepalino. O pensamento cepalino defende tarifas, sim, como mecanismo para desenvolver a indústria nacional. Mesmo que isso encareça o produto para o produtor local e tal, abriria espaço para uma indústria nacional que poderia levar a uma independência econômica.
Professor, poderia explicar rapidamente o corolário de Samuelson, da teoria Heckscher-Ohlin? Na realidade, o corolário de Samuelson, na prática, ele torna a teoria um pouco mais completa por conta justamente do efeito final no que diz respeito à dotação de fatores de produção e à equalização da remuneração dos fatores de produção. Você teria ali uma tendência à igualdade na remuneração dos fatores de produção em um horizonte de longo prazo em função justamente do livre comércio. A prova já fez referência a isso, né, o corolário de Samuelson. E você acaba chegando justamente a essa conclusão da equalização na remuneração dos fatores de produção. Aí, no caso de Ricardo, o fator de produção de trabalho teria diferentes funções de produção em diferentes países. Sim, exatamente. O único fator de produção que é o trabalho, no caso do Ricardo, você teria funções de produção dos diferentes produtos em diferentes países, ou seja, você tem maneiras diferentes de se produzir e, consequentemente, alguns países vão ter vantagens comparativas na produção desse produto e outros não, tá?
Avançando aqui um pouquinho, é importante lembrar que quando a gente tem as políticas macroeconômicas, você tem a política monetária. A política monetária tem como principais instrumentos a taxa de redesconto, o depósito compulsório e as operações de mercado aberto. A taxa de redesconto é a taxa cobrada pelo Banco Central nas operações de desconto, ou seja, nas operações de empréstimo para os bancos comerciais. Depósito compulsório é o depósito obrigatório que os bancos comerciais precisam fazer em espécie junto ao Banco Central. E as operações de mercado aberto são as operações de compra e venda de títulos públicos. Quando você está fazendo uma política monetária contracionista, quando você quer contrair a oferta de moeda, você aumenta a taxa de redesconto, ou então você aumenta o compulsório, ou você aumenta a venda de títulos públicos. Essas são maneiras de contrair a oferta de moeda. Se você quiser fazer uma política monetária expansionista, ao contrário, você reduz o redesconto, você reduz o compulsório, você reduz a venda de títulos públicos ou eventualmente até compra títulos públicos. Essas são formas de você realizar uma política monetária expansionista, tá?
E quando a gente está falando de política fiscal, a política fiscal é a política do governo em relação a gastos e tributos. Então, você está fazendo uma política fiscal expansionista quando a política fiscal está trabalhando para expandir a demanda agregada. Você pode fazer isso através do aumento de gasto público ou através da redução de impostos. E você pode fazer uma política contracionista também. A política contracionista acontece quando você está trabalhando para contrair a demanda agregada através da política fiscal. Você pode fazer isso através do corte de gastos ou através do aumento de impostos. E quando a gente tem aqui o tamanho do governo e a disciplina fiscal, essas são as duas grandes questões a serem debatidas na política fiscal. Quer dizer, você vai ter um governo grande ou pequeno? Você vai ter um governo disciplinado ou indisciplinado? Lembrando sempre que no atual governo a gente tem uma política fiscal que segue o novo arcabouço fiscal. O novo arcabouço fiscal que determinou metas para o resultado fiscal primário, que é aquele que não considera os gastos do governo com juros. A meta de resultado fiscal para este ano de 2025 é zero. Tem uma margem de tolerância de 0,25 para cima, 0,25 para baixo, 0,25 do PIB. E você tem uma meta fiscal e é por isso que o governo, inclusive, tem entrado em embates com o Congresso. Ah, vai cortar, não vai cortar, vai aumentar imposto, etc. Porque tem uma meta fiscal ali para ser cumprida. Isso torna a discussão fiscal algo mais palpitante, sem dúvida, né? Porque a gente está falando aqui de uma dinâmica que acaba impactando bastante a vida das pessoas. Não se esqueçam que essas são duas grandes políticas macroeconômicas. Quando a gente está falando sobre elas, eles são elementos que têm um impacto central sobre a vida das pessoas.
Aliás, eu não disse, mas digo agora: na política monetária, no caso do Brasil, a gente segue o chamado regime de metas de inflação. O regime de metas de inflação acaba na prática sendo uma situação onde você tem uma meta de inflação que tem que ser perseguida, tá? Isso foi algo que o governo brasileiro estabeleceu em 1999 e desde então a gente tem seguido esse regime de metas de inflação e esse regime de metas de inflação acaba sendo algo que chama a atenção, tá? Então, nós tivemos essa meta de inflação que, no caso de 2025, está em 3%. A referência é o IPCA, Índice de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE. Então, se você estiver com a inflação escapando da meta, que é o que está acontecendo hoje (a inflação está bem acima da meta de 3%), o que o Banco Central tem que fazer? Aumentar o juro, que, aliás, é o que ele tem feito. Ele aumenta o juro justamente para tentar levar a inflação de volta para a meta, tá?
Aí tem aqui algumas perguntas. Como foi o resultado primário de 2024? O resultado primário de 2024 foi dentro da meta, mas a meta em 2024 era de um leve déficit primário, tá? O teto de gastos foi derrubado em relação ao marco do Michel Temer? Sim, o teto de gastos tinha sido implementado no governo Temer. Durante o governo Bolsonaro, ele foi formalmente mantido, embora na prática ele tenha sido desmoralizado, porque você teve ali uma sucessão de regras para contornar o teto de gastos. E no atual governo você teve o estabelecimento do novo arcabouço fiscal que estabeleceu limites para o crescimento da despesa, né? Limites para o crescimento das despesas. E aí na prática você também tem a necessidade de aumentar a receita para fazer frente às despesas que crescem, embora você tenha limite para esse crescimento, justamente para que as metas possam ser cumpridas, tá? Então sim, o teto de gastos foi derrubado, ele foi substituído pelo novo arcabouço fiscal, que é o que está em vigor até hoje. Professor, a inflação é baseada na tendência futura? Não, a inflação, na prática, é baseada nos índices de preços, né? Você pega ali, você coleta os preços de uma série de produtos no momento zero e no momento um. E aí você observa qual foi a variação média dos preços durante este período de tempo, né? O índice de inflação não leva em consideração o futuro, ele leva em consideração o passado. Ele é uma fotografia do passado, do que aconteceu. O IPCA, o Índice de Preço ao Consumidor Amplo, que é calculado pelo IBGE, é referência para o regime de metas de inflação desde que o regime de metas de inflação foi criado no Brasil. Ele considera os consumidores de 1 a 40 salários mínimos, né, o IPCA do IBGE, tá? Então ele acaba sendo referência para o regime de metas de inflação que a gente adota no Brasil.
Bom, então você tem essas duas grandes políticas macroeconômicas: a política monetária, que é a política do governo em relação à oferta de moeda, que está pautada no regime de metas de inflação. A meta de inflação é de 3% ao ano. Há poucos dias, o Banco Central teve que escrever uma carta para o Congresso explicando por que a meta foi descumprida, porque a meta de inflação no Brasil é de 3%, e a inflação está acima de 5%. E é por isso que a gente tem uma Selic alta no atual momento para tentar fazer com que a inflação volte a convergir para a meta que está estabelecida, a meta que o governo precisa cumprir ou que você teve ali o estabelecimento de uma meta por conta do Conselho Monetário Nacional, né? O Conselho Monetário Nacional acabou estabelecendo uma determinada meta. E aí você precisa perseguir essa meta. No que diz respeito ao regime de resultado primário, esse regime de resultado primário tem relação direta com uma meta fiscal que precisa ser cumprida, uma meta fiscal inclusive que foi estabelecida pelo próprio governo para tentar de alguma maneira conter o crescimento das despesas e também controlar o crescimento do endividamento, porque política fiscal no final do dia tem a ver com isso, né? Tem a ver com tentar controlar o crescimento do endividamento para que o endividamento não saia do controle. Afinal, quando o governo é deficitário, ele precisa financiar o seu déficit com dívida. Só que esse tipo de financiamento acaba tendo uma limitação, não tem como crescer para sempre o seu endividamento, tá?
Essa meta é de 3%, não é de 5%. A inflação no atual momento está em 5%, o que significa dizer que a meta está sendo descumprida, mas é uma meta anual, tá? Não é uma meta mensal, nem semestral, é uma meta anual, mas é uma meta que não está sendo cumprida justamente porque a inflação está na casa de 5%, tá bom?
Avançando aqui um pouquinho, também é importante falar sobre os regimes cambiais, né? A gente tem um regime de câmbio fixo e tem também o regime de câmbio flutuante. Quando a gente está falando de regime de câmbio fixo, o regime de câmbio é fixo porque a taxa de câmbio é escolhida pelo Banco Central, é fixada pelo Banco Central. Isso não significa dizer que a taxa de câmbio não pode ser alterada. Ela pode ser alterada, mas ela acaba sendo alterada pelo próprio Banco Central. É o Banco Central que escolhe justamente a taxa de câmbio que vai ser praticada, da taxa de câmbio que está em vigor. Diante dessa escolha, o Banco Central fica automaticamente obrigado a comprar e vender dólares na quantidade desejada pelo mercado. Afinal, se tem muita gente querendo vender dólar, o Banco Central precisa comprar esses dólares, senão o preço do dólar vai cair, deixa de ser câmbio fixo. Se tem muita gente querendo comprar dólar, aí o Banco Central precisa vender dólar, porque se ele não vender dólar, o dólar vai subir e aí deixa de ser câmbio fixo. Portanto, o que acaba acontecendo é que no regime de câmbio fixo, a autoridade monetária fica automaticamente obrigada a comprar e vender dólares pela quantidade desejada pelo mercado. A autoridade monetária também perde autonomia no que diz respeito à política monetária no regime de câmbio fixo. E a explicação para isso é simples. Puxa, se você tem que ficar ali o tempo todo comprando ou vendendo dólares para equilibrar, para manter a taxa de câmbio que você mesmo estabeleceu, isso na prática significa que você vai jogar reais ou retirar reais de circulação o tempo todo. Então, a sua política monetária, ela vai ficar subordinada ao regime cambial vigente. Quer dizer, você vai ter uma política monetária que não tem como ter muita autonomia, porque se a autonomia ela tivesse, o que acabaria acontecendo na prática é que você teria um movimento de insustentabilidade. Enfim, mas você perde autonomia no que diz respeito à política monetária. E sim, a gente está falando também de um regime cambial que é mais suscetível ao ataque especulativo, gente apostando contra a taxa de câmbio que foi fixada pelo governo. Então, esse é um elemento que chama demais a atenção.
E quando a gente fala de regime de câmbio flutuante, o que acaba acontecendo é que nesse regime de câmbio flutuante a taxa de câmbio é definida pelo mercado. O que significa dizer que é definida por oferta e demanda, a taxa de câmbio flutua, sobe, desce de acordo com os ventos do mercado. O câmbio flutuante tem uma vantagem: ele gera uma tendência de equilíbrio ao balanço de pagamentos. Balanço de pagamentos é o registro contábil de todas as entradas e saídas de dólares no Brasil num determinado período de tempo. Então, por que existe essa tendência de equilíbrio no balanço de pagamento? Porque afinal, se está entrando dólar demais, o preço do dólar desce, desincentiva a...
Entrada. Se está saindo o dólar demais, o preço do dólar sobe, desincentiva a saída. Então, a flutuação cambial acaba trabalhando para equilibrar as contas externas. No regime de câmbio flutuante, você perde autonomia no que diz respeito à política fiscal. A política fiscal é que perde autonomia. E ela perde autonomia pelo seguinte: se você fizer uma política fiscal expansionista, o que acaba acontecendo é que essa política fiscal expansionista vai causar um impacto sobre o câmbio, contrariamente à política fiscal que você está tentando fazer. No seguinte sentido: você faz uma política fiscal expansionista, então você aumenta o gasto público ou então você reduz impostos. O que acaba acontecendo na prática é que, ao aumentar o gasto público ou ao reduzir os impostos, você pressiona a taxa de juros para cima. Basta pensar que o juro é o preço da poupança. Poupança é renda não consumida, que pode ser do governo, pode ser dos agentes privados, pode ser do estado, não importa. O que importa é que poupança pode ser alugada e o preço desse aluguel chama-se taxa de juros. Então, se o governo está gastando mais, ele está poupando menos. Se ele está poupando menos, o que acaba acontecendo é que há menos poupança. Se há menos poupança, a poupança fica mais cara, o juro acaba ficando mais caro. O que eu quero dizer é que política fiscal expansionista acaba tendo como consequência aumento de juros. Então, você faz uma política fiscal expansionista, você aumenta o gasto público para tentar gerar crescimento, isso acaba causando aumento de juros. Esse aumento de juros tende a atrair capitais, não é? Tende a atrair dólares que vão olhar para esse juro e vão pensar: "Nossa, que juro bacana, vou levar meus dólares para o Brasil". Aí o preço do dólar desce. Quer dizer, se de um lado você está aumentando o gasto público, de outro lado você está perdendo competitividade, porque o dólar está ficando mais barato. Se o dólar está ficando mais barato, isso desestimula exportações, isso estimula importações, isso desaquece a economia, não é? Então, você tem na prática, como efeito colateral de uma política fiscal expansionista, uma perda de dinamismo por conta do aumento de juro que a política fiscal expansionista acaba causando. Então, você tende a ter menores exportações, você tende a ter maiores importações. É por isso que se diz que a política fiscal perde a autonomia dentro de um regime de câmbio flutuante.
Palavra, a gente tem também uma menor chance de ataques especulativos. Essa menor chance de ataques especulativos pode ser explicada pelo fato de o câmbio flutuar o tempo todo e, consequentemente, ficar fazendo apostas contra ou a favor do câmbio é algo profundamente arriscado. Você pode entrar pelo cano e, consequentemente, é altamente desaconselhável que você fique apostando contra a taxa de câmbio que o mercado está praticando e tal, ou tente de alguma maneira manipular esse câmbio para cima ou para baixo. Não estou dizendo que é impossível, mas dentro de um regime de câmbio flutuante, isso acaba sendo fortemente desestimulado, está?
Agora, há pouco eu falava sobre as contas externas brasileiras, sobre o balanço de pagamentos brasileiro. E é importante registrar que o balanço de pagamentos brasileiro, ele tem ali, aliás, como é um padrão internacional, tem ali três grandes contas, não é? Tem a conta corrente, a conta capital e a conta financeira. A conta corrente, ela registra a balança comercial (exportações, importações de bens), a balança de serviços (exportações e importações de serviços), a conta de renda primária que registra juros, lucros e salários, e a conta de renda secundária que registra doações. Essas quatro juntas são a conta corrente. Então, a balança comercial, a balança de serviços, a renda primária e a renda secundária. Na balança comercial, o Brasil costuma ser superavitário, não é? Embora seja um superávit muito dependente da exportação de commodity que tem preços altamente voláteis, você tem a balança de serviços na qual o Brasil costuma ser deficitário, porque o Brasil importa muito mais serviços do que exporta. Serviços são viagens, viagens internacionais, seguros, fretes, aluguel de equipamentos, etc. O Brasil importa muito mais do que exporta serviços. Na renda primária, o Brasil também é deficitário, não é? No Brasil, acaba remetendo mais juros, lucros e salários do que recebe. E na conta de renda secundária, ele é até superavitário, mas é um superávit muito pequenininho. Então, quando você soma as quatro (balanço comercial, serviços, renda primária e renda secundária), o Brasil costuma ter déficit. Então, o Brasil costuma ter déficit em transações correntes. É claro que esse déficit pode ser maior ou menor de acordo com a balança comercial, mas é déficit. O Brasil costuma ter déficit, está? E esse déficit precisa ser de alguma maneira financiado. Ele precisa ser financiado pela poupança externa. Poupança externa que pode entrar pela conta financeira. Conta financeira que é o investimento estrangeiro direto. Conta financeira que é investimento estrangeiro direto, que é investimento produtivo. Conta financeira que também é o capital especulativo, que entra para aplicar em bolsa de valores ou para aplicar em títulos do governo brasileiro e empréstimos. Então, você precisa dessa entrada de dinheiro na conta financeira, não é? Você precisa ali de investimento estrangeiro direto, precisa de capital especulativo, precisa de empréstimos entrando para compensar o déficit em transações correntes. Tem até uma provocação aqui. Minha assinatura de streaming tirando dólares da nossa balança de serviços. É verdade. A sua assinatura de streaming está tirando dólares da balança de serviços. É um ótimo exemplo de serviços. Mais um exemplo que ajuda a explicar por que o Brasil tem déficit na balança de serviços. Mas enfim, a gente falava ali da conta corrente, falava da conta financeira e tem a conta capital, mas a conta capital é muito pequenininha, é a transferência de propriedade de ativos não financeiros e não produzidos. No caso do Brasil, o maior exemplo de ativos não financeiros e não produzidos é passe de atleta, passe de jogador de futebol. O Brasil tem um leve superávit na conta capital, mas é uma conta muito pequena, não é, que registra muito pouco dinheiro. Patente também e transferência de propriedade de patente, não a remuneração da patente, está? Mas transferência de propriedade de patente. Se você vender a patente, aí entra na conta capital, está? Entra na conta capital, sim. Transferência de propriedade de ativos não financeiros e não produzidos. Então, você tem a conta corrente, você tem a conta capital e a conta financeira. São as três grandes contas do balanço de pagamentos de um determinado país.
É importante também lembrar quando a gente está falando aqui de macroeconomia aberta, que é disso que se trata, não é, professor? O que mais forma conta de serviços? Olha, fretes, seguros, aluguéis de equipamentos são os principais elementos pesados na balança de serviços, mas tem também serviços culturais, serviços das mais diferentes naturezas, tudo que é serviço e que você contrata uma empresa estrangeira para realizar, é uma importação de serviço, está? Ah, no caso da conta capital, a conta capital costuma ser superavitária. O Brasil transfere mais propriedade de ativos do que o contrário, não é? Como é passe de atleta, o que mais pesa é porque a gente vende mais atleta do que compra. É isso. Royalty também. Sim, sim, sim, sim. Então, você acaba tendo aí uma série de situações onde as nossas contas externas podem observar o seu comportamento, como está o seu relacionamento com o setor externo. É importante lembrar também que o Brasil é um país que tem reservas muito volumosas, está? E isso faz com que hoje a gente tenha uma situação externa razoavelmente confortável, ao contrário do que a gente tinha no passado. No passado, a gente tinha uma situação muito desconfortável, muito desconfortável. Hoje não. Hoje a gente acaba tendo uma situação muito confortável porque acumulamos muitas reservas internacionais, tem mais de 300 bilhões de dólares em reservas. Isso permite, inclusive, ao Brasil fazer aporte no FMI. O Brasil aumentou as suas cotas no FMI em parte porque utilizou uma parte das suas reservas para isso, está?
A conta capital continuará a ser positiva com a inclusão de criptoativos nela. Criptoativos, no caso, você acabaria registrando idealmente na conta financeira. A conta capital é outra coisa. Então, na conta capital, você está transferindo propriedade de ativos não financeiros e não produzidos, está? Ah, mercado de carbono também tenderia a entrar na conta financeira de comercialização de créditos de carbono. Mas não se preocupem com isso não, gente. O que você precisa saber em termos de prova são as macrocontas e como a dinâmica brasileira acaba funcionando, está? OK. Então, serviços, serviços, serviços. Beleza? Então, quando a gente está falando aqui das contas externas brasileiras, o Brasil passou a ter um comportamento muito mais sustentável no que diz respeito às suas contas externas. Mas, aliás, o Brasil tem uma situação macroeconômica muito confortável nas contas externas e também tem ali uma política monetária que, bem ou mal, tem alguma credibilidade em função justamente do cumprimento das metas de inflação. Na época do FHC, as reservas estavam ruins, estavam, porque na prática o governo FHC pegou o Brasil pouco tempo depois de a dívida externa ser renegociada. A dívida externa brasileira foi caloteada em 87. A renegociação da dívida externa só foi concluída em 93. Então, quando o governo Fernando começa em 95, essa renegociação da dívida externa tinha sido concluída há pouco tempo. O Brasil estava normalizando a sua situação do ponto de vista externo. Então, aos poucos, essa situação externa foi sendo ali recuperada, não é? Foi um processo gradual de recuperação, não foi um processo simples. Ah, o lucro realizado no exterior de uma empresa brasileira com... peraí, depende. O lucro reinvestido, imagino que você esteja fazendo referência a isso. Se você está tendo um reinvestimento de lucro, isso acaba sendo configurado como investimento estrangeiro direto, um investimento produtivo que está sendo realizado pelo Brasil na sua conta financeira, está? A situação das reservas se reverteu no início do século. A situação das reservas se reverteu principalmente durante o Super Boom das Commodities. O Brasil conseguiu ali ter uma, depois que a China entrou na Organização Mundial do Comércio, o Brasil começou a acumular uma grande quantidade de dólares, principalmente por conta das exportações em direção à China. Então sim, foi no início desse século que você acabou tendo essa reversão de maneira mais contundente. Já havia tido uma situação melhor um pouco antes, mas a consolidação acabou acontecendo depois, está?
Então, você acaba tendo aí um processo onde o Brasil tem uma situação externa bastante confortável, tem uma política monetária com bastante credibilidade, agora tem problema fiscal, não é? Problema fiscal que acho que está todo mundo vendo como você tem aí uma briga de rua quase na questão fiscal (judiciário, legislativo, executivo), porque é o grande elemento de fragilidade da economia brasileira. O Brasil não tem aí uma situação externa confortável e isso precisa ser efetivamente enfrentado. Esses elementos acabam fazendo toda a diferença e, claro, quando o Brasil tenta aumentar o seu peso em organismos multilaterais, esse aumento do seu peso tem relação direta com uma situação externa mais confortável. Interessante porque depois que o Brasil passou a ter uma situação externa mais confortável, ele entra nos BRICS, etc., você tem ali todo um movimento para tentar aumentar o peso dos países emergentes nos organismos multilaterais, isso não dá certo. E aí os BRICS começam a formar as suas próprias organizações, como é o caso do Banco dos BRICS, não é? Isso é reflexo ali de uma dificuldade de reforma dos organismos tradicionais do sistema de Bretton Woods, quer dizer, o sistema que foi formado no acordo de Bretton Woods no final da Segunda Guerra Mundial. Aliás, falando em BRICS, é muito importante registrar essa estratégia do Brasil ou esse discurso do Brasil que tem sido de pensar em desdolarização. Ou seja, o Brasil precisa pensar realmente, aliás, o Brasil não, os BRICS de uma forma mais ampla, precisam pensar em mecanismos para tentar desdolarizar as nossas transações. Em bom português, isso significaria reduzir a dependência do dólar, é começar a utilizar moedas locais dos BRICS para compensações comerciais e financeiras. Isso, por enquanto, é muito mais uma discussão do que qualquer outra coisa, mas é uma tentativa de tentar endereçar um debate, não é, para tentar diminuir a dependência dos países dos BRICS da moeda dos Estados Unidos. Esse é um elemento que incomoda particularmente o Trump e esse elemento acaba sendo na prática algo que precisa ser melhor debatido. Não, não é trocar pelo Yuan chinês, nem criar uma nova moeda. No atual momento, o que tem sido dito é apenas abrir espaço para que as moedas dos diferentes países possam ser utilizadas. Por enquanto é uma discussão ainda muito teórica, não tem nenhum tipo de proposta mais concreta. A gente está falando apenas de uma sugestão de debate, de elemento de debate. Então não está mais, não tem nada concreto em relação a isso. Mas num primeiro movimento, a ideia seria que as moedas dos países que fazem parte dos BRICS poderiam ser utilizadas nas transações comerciais e financeiras no lugar do dólar. A conta financeira é a conta que registra, como o próprio sugere, as operações financeiras, que são principalmente três tipos: investimento estrangeiro direto (investimento produtivo, quando você compra fatores de produção no estrangeiro, num outro país para produzir), também empréstimos e o capital especulativo, que é quando você investe no mercado financeiro, seja em ações, seja em títulos de governos, ou seja, sejam aplicações financeiras diversas. Então, a conta financeira registra, como o próprio sugere, operações financeiras. Ah, é possível que caiam essas análises macroeconômicas no contexto dos Estados Unidos, porque sempre tratamos dos exemplos com o dólar como moeda estrangeira. Não sei se eu entendi a sua pergunta, se eu não tiver entendido, você me corrija. Mas discussões em relação à desdolarização podem sim ser cobradas, porque na prática é algo que tem sido debatido pela política externa brasileira. A política externa brasileira tem falado sobre isso, que é um elemento macroeconômico super relevante. Puxa, vamos desdolarizar o Brasil, vamos desdolarizar as transações dos parceiros brasileiros, particularmente dos parceiros no grupo dos BRICS. Isso é algo importante e algo que tem tudo a ver com a discussão que o concurso se propõe a fazer. É claro que é sempre importante lembrar que quando a gente está falando de um concurso público, a gente está falando de uma entrevista de emprego, onde o patrão é o governo. Então a gente segue a linha do governo. Ah, Daniel, mas eu não gosto da ideia de desdolarização no atual governo. Isso é uma pauta e a gente vai seguir essa pauta. Se de hoje para amanhã o governo mudar e a pauta de desdolarização cair, a gente esquece. Mas no atual momento ela segue forte e pode ser que ela avance. Então, se ela avançar, vai ser resultado aí de uma ideia que hoje está sendo construída, está?
Ah, era mais tipo, se uma política fiscal expansionista com câmbio flutuante funciona diferente nos Estados Unidos, que pode emitir dólares? Com certeza funciona de forma diferente nos Estados Unidos, que podem emitir dólares, porque eles passam a ter um poder que nenhum outro país tem, que é financiar o seu desequilíbrio externo com a sua própria moeda. O Brasil, para financiar o seu desequilíbrio externo, precisa captar dólares em quantidade suficiente para honrar seus compromissos externos. Os americanos não precisam, não é? Os americanos podem emitir a sua própria moeda e financiar o seu déficit externo com a sua própria moeda. Isso dá um poder completamente diferenciado para os americanos. Mas isso pode acabar, não é, se eventualmente o dólar deixar de ser a moeda hegemônica nas transações internacionais, está? Se a OMC já deu alguma decisão, não, não deu nenhuma decisão. Pode, pode. Então, os Estados Unidos estão jogando na fácil. Claro, ninguém esconde que é um superpoder, uma carta super trunfo você ter a possibilidade de emitir dólares e financiar o seu déficit externo através justamente dessa emissão de dólares. E isso acaba sendo um elemento que incomoda muito alguns países e que os americanos, obviamente, tentam de alguma forma preservar. A OMC, sim, está paralisada na prática. A OMC está paralisada na prática, aliás, está paralisada já há algum tempo, não é uma novidade agora do governo Trump e isso torna realmente decisões que envolvam a OMC algo um pouco mais improvável, algo um pouco mais difícil, porque na prática a gente tem aí uma série de decisões que poderiam ter sido tomadas e não serão. Tanto que quando o Brasil diz que vai recorrer à OMC e tal, no caso de tarifas dos Estados Unidos, se elas forem efetivamente implementadas, é muito mais um discurso político do que prático, não é? Porque é para dizer: "Olha, recorri aqui à OMC, eu prestigio a OMC, eu valorizo a OMC, a OMC tem que continuar existindo, a OMC é importante, o multilateralismo é importante, mas não é uma expectativa prática que o governo brasileiro tem, que vai de alguma forma resolver o problema através da OMC. Não vai resolver, ninguém tem essa expectativa, mas não deixa de ser uma maneira de prestigiar a OMC e de fazer um gesto político dizendo que a OMC é importante e se colocando internacionalmente nesse tipo de posição, está?"
Então, esses debates mais atuais me parecem particularmente interessantes, não é, quando a gente está falando de economia brasileira, porque o mundo está mudando bastante do ponto de vista macroeconômico. Este ano de 2025 tem sido muito intenso e tem levado a muita instabilidade. O crescimento do PIB russo, mesmo sendo expulsa do sistema Swift e o não uso do dólar por parte desse país, pode ser visto como um case de desdolarização que deu certo. Olha, vamos por partes. Primeiro, os russos usam dólar. Segundo, os russos, embora tenham sido expulsos do sistema Swift, eles crescem, mas crescem menos do que poderiam. E os russos estão muito incomodados com a expulsão deles do sistema Swift. E os russos acabam sendo grandes defensores da desdolarização justamente porque eles têm sido forçados a usar dólares. Então, respondendo objetivamente à sua pergunta, não, não me parece um case de que a desdolarização deu certo, porque os russos não são cases de desdolarização, está?
Quais outros temas mais recorrentes que possam cair na prova além dos acontecimentos atuais? Ah, na realidade, um pouco de tudo que a gente viu no encontro de hoje e os cases atuais acabam sendo algo bastante recorrente e acabam sendo algo que a prova cobra bastante, não é? Então, ainda usam dólares, está? Então, temas atuais são super importantes e os temas que a gente vê hoje invariavelmente acabam também aparecendo de uma forma ou de outra, às vezes diretamente ou às vezes indiretamente, está, gente?
O de hoje foi muito acelerado, eu sei, mas o objetivo era tentar ali passar nos principais temas aqui do concurso e tentar realmente revisitar esses principais temas da melhor maneira possível dentro desse pequeno espaço que a gente tem. No mais, eu queria desejar uma boa prova a todos, muita tranquilidade, muita calma, porque a prova tem aí realmente na tranquilidade e na calma um dos seus segredos. Lembrem-se sempre: considerem apenas o que está escrito, vale o que está escrito. E se nada está errado naquela afirmativa, é porque ela está certa. E para que ela esteja errada, você tem que ter encontrado um erro objetivo nela, está legal? Mas muito obrigado, gente. Um abraço. Até a próxima.