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[#3] REABSORÇÃO E SECREÇÃO TUBULAR: ALÇA DE HENLE | MK Fisiologia

MK Fisiologia10:48

Transcription

No vídeo anterior, a gente falou de maneira simplificada sobre os mecanismos de reabsorção e secreção que acontecem no túbulo proximal. Nesse vídeo, a gente vai falar sobre os mecanismos de reabsorção e secreção que acontecem nos ramos descendente e ascendente da alça de Henle.

E aí, pessoal! Tudo bem com você? Eu sou Miram Cura, professora, mestre, doutora e criadora do canal MK Fisiologia, um canal que tem como principal objetivo descomplicar Fisiologia Humana. Porque, como eu sempre digo, fisiologia não precisa ser difícil. Então, se você está precisando estudar de verdade a fisiologia, já se inscreve no canal e ative as notificações para você não perder os próximos vídeos que a gente postar por aqui.

Agora, bora falar sobre os mecanismos de reabsorção e secreção que acontecem nos ramos descendente e ascendente da alça de Henle.

Então, para começar, lembre-se que, depois de passar pelos processos de reabsorção e secreção do túbulo proximal, o líquido chega no ramo descendente da alça de Henle praticamente isosmótico, com osmolaridade em torno de 300 mOsm/L.

Mas, conforme esse ramo desce do córtex em direção à medula renal, ele vai encontrando um interstício renal cada vez mais concentrado, cada vez mais hiperosmótico. E como as células epiteliais do ramo descendente da alça de Henle contêm muitas proteínas canais específicas para água, as aquaporinas 1, na membrana apical e basolateral, a água pode ser transportada através da célula, ou seja, pela via transcelular, do líquido filtrado para o interstício renal por osmose.

Porém, é importante saber que aqui a água é reabsorvida sozinha, principalmente por essa via, sem a reabsorção de solutos, pois essas células epiteliais não apresentam proteínas transportadoras específicas para reabsorção de solutos, como por exemplo os íons sódio e cloreto. No entanto, alguns solutos podem ser secretados, já que o ramo descendente da alça de Henle encontra o interstício renal cada vez mais concentrado conforme desce na medula renal.

Um soluto que podemos encontrar em altas concentrações nas regiões mais profundas da medula renal é a ureia. E por isso, ela pode ser secretada passivamente, sem gastar energia, pela via paracelular, apenas sendo transportada a favor do seu gradiente de concentração.

Essa secreção de ureia, somada à reabsorção de água, contribui para deixar o líquido filtrado bastante concentrado e hiperosmótico, praticamente se igualando à osmolaridade do líquido do interstício renal, que pode chegar a 1200 mOsm/L na região mais profunda da medula.

Portanto, a osmolaridade máxima do líquido filtrado é atingida quando esse líquido chega no final do ramo descendente da alça de Henle. Essa osmolaridade pode variar entre 600 a 1200 mOsm/L, dependendo da hiperosmolaridade do interstício da medula renal e do comprimento da alça de Henle.

Lembre-se que a maioria dos néfrons tem alça de Henle mais curta, os chamados néfrons corticais, enquanto outros, em menor número, têm a alça de Henle mais longa, chamados néfrons justamedulares.

Agora, o que exatamente determina a hiperosmolaridade do interstício da medula renal, a gente deixa para falar em um outro vídeo. Mas, continuando aqui, quando o líquido chega no ramo ascendente da alça de Henle, ele encontra um segmento fino e um segmento espesso logo em seguida.

No segmento fino, não tem mais aquaporinas nas membranas apical e basolateral das células epiteliais, e as junções de oclusão não são permeáveis à água, embora sejam permeáveis aos íons, como por exemplo os íons sódio e cloreto.

E aí, como o líquido filtrado, que está hiperosmótico, superconcentrado em solutos, vai subindo em direção ao interstício renal cada vez menos concentrado, vai existir uma diferença de concentração entre os dois lados do epitélio tubular. Como o sódio e o cloreto vão estar mais concentrados no lúmen do túbulo, o sódio e o cloreto podem deixar o lúmen em direção ao interstício renal a favor dos seus gradientes de concentração, sendo, portanto, reabsorvidos. E o líquido filtrado vai começando a ficar cada vez menos concentrado.

A reabsorção de sódio e cloreto, que começa de forma passiva no segmento fino, é intensificada no segmento espesso ascendente da alça de Henle, pois a reabsorção desses íons passa a ser ativa, com gasto de energia. Enquanto na membrana basolateral encontramos a bomba de sódio e potássio, na membrana apical das células epiteliais do segmento espesso, encontramos uma proteína carreadora que realiza o cotransporte, chamada de NKCC. Isso porque ela transporta um íon sódio, um íon potássio e dois íons cloretos na mesma direção, usando o gradiente eletroquímico do íon sódio criado pela bomba de sódio e potássio.

O potássio pode voltar para o lúmen do túbulo por uma proteína canal específica presente na membrana apical. Já o sódio sai ativamente da célula em direção ao interstício renal através da bomba de sódio e potássio presente na membrana basolateral. E o cloreto pode sair passivamente em direção ao interstício renal através de uma proteína canal específica também presente na membrana basolateral, a favor do seu gradiente eletroquímico, sendo assim reabsorvido junto com o sódio.

Além disso, por um mecanismo muito parecido com o mecanismo de transporte que acontece no túbulo proximal, o sódio e o íon bicarbonato podem ser reabsorvidos juntos também.

E se você parar para pensar nesse mecanismo de reabsorção do sódio e bicarbonato, para cada carga positiva na forma de sódio que eu reabsorvo, uma carga negativa na forma de bicarbonato é reabsorvida também. Mas, no mecanismo de reabsorção de sódio e cloreto, embora duas cargas positivas e duas negativas entrem na célula epitelial pela membrana apical, uma carga positiva na forma de potássio volta para o lúmen do túbulo e não é reabsorvida. Ou seja, isso acaba levando à reabsorção de mais cargas negativas do que positivas. E como eu vou tirando mais carga negativa do lúmen, vai sobrando mais carga positiva, criando um gradiente ou uma diferença elétrica entre o lúmen e o interstício renal.

Como as junções de oclusão são impermeáveis à água, mas não aos íons, os cátions (íons positivos), como o próprio sódio, potássio, o cálcio e o magnésio, são repelidos pelo excesso de cargas positivas presentes no lúmen do túbulo e podem assim ser reabsorvidos pela via paracelular.

Então, conforme o líquido filtrado vai subindo pelo ramo ascendente espesso da alça de Henle, só sódio, cloreto e outros íons vão sendo reabsorvidos. Isso vai deixando o líquido filtrado cada vez menos concentrado, ou seja, hiposmótico. E o líquido deixa o ramo ascendente espesso da alça de Henle mais diluído que o líquido intersticial do córtex renal, onde se encontra essa parte final da alça de Henle.

Essa reabsorção intensa de solutos, principalmente dos íons sódio e cloreto, no ramo ascendente espesso da alça de Henle, é fundamental para gerar a hiperosmolaridade da medula renal através de um mecanismo muito conhecido chamado de mecanismo de contracorrente. Mas sobre esse mecanismo, a gente pode falar em um outro vídeo.

Bom, então, resumindo tudo que a gente viu nesse vídeo, lembre-se que nas células epiteliais do ramo descendente da alça de Henle, encontramos a aquaporina 1 nas membranas apicais e basolateral, permitindo a reabsorção de água através da via transcelular. E como nesse ramo não ocorre absorção de solutos, o líquido filtrado se torna hiperosmótico ao passar pelo ramo descendente da alça de Henle.

Nas células epiteliais do ramo ascendente fino da alça de Henle, não encontramos aquaporinas, e as junções de oclusão são impermeáveis à água, mas não aos íons, os quais podem ser reabsorvidos passivamente, sem gastar energia, a favor do seu gradiente de concentração.

Nas células epiteliais do ramo ascendente espesso da alça de Henle, encontramos proteínas transportadoras na membrana apical, como a NKCC, que permite a reabsorção ativa de sódio e cloreto, ou seja, com gasto de energia. E como essa proteína reabsorve um íon sódio e dois cloretos, ela cria um gradiente elétrico que favorece a reabsorção de cátions (íons positivos), como o próprio sódio, potássio, cálcio e o magnésio, pela via paracelular.

Por conta dessa intensa reabsorção de solutos, mas não de água, o líquido filtrado fica mais diluído ao passar pelo ramo ascendente da alça de Henle e chega ao túbulo distal hiposmótico.

No próximo vídeo, a gente fala sobre os mecanismos de reabsorção e secreção que podem ocorrer no túbulo distal, túbulo conector e ductos coletores. Não perca!

E aí, gostou do vídeo? Se gostou, comenta aí embaixo e compartilha com aquele seu amigo que também está precisando estudar esse conteúdo.

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Bom, a gente vai ficando por aqui. Qualquer dúvida, pode deixar aí nos comentários que a gente tenta responder, beleza? A gente se vê num próximo vídeo. Abraço!