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02 TCC Clássica

Ane Vaz, PhD | @dra.anevaz1:27:51

Transcription

Pessoal, sejam bem-vindos. Boa noite. Muito bem, é um prazer estar com vocês aqui novamente. Sejam bem-vindos. Vão se acomodando já na cadeira. E aí, animados pra nossa aula de hoje? Muito bem.

Então, nosso tema de hoje é justamente TCC clássica, uma das abordagens bases da terapia cognitivo comportamental. Ah, também tem alguns recados especiais para passar para vocês, né? Para quem quiser saber um pouquinho mais, eu já vou passar essas informações. Deixa eu só compartilhar meus slides aqui com vocês. Eu sempre tô apanhando do Zoom. Perfeito.

Bem, então, oficialmente, sejam bem-vindos, sejam bem-vindas à nossa aula de hoje sobre TCC clássica, pessoal. E nossa aula de hoje tem uma novidade exclusiva. Vocês acompanharam por e-mail? Sim. Bom, então para quem acompanhou por e-mail, a gente tem uma novidade. No finalzinho ou no meio ou talvez mais pro começo, a gente não definiu ainda, eu vou compartilhar com vocês, né, uma frase, eu vou falar uma palavra e basicamente só um minutinho, deixa eu ver como tá aqui embaixo nos comentários desse vídeo do YouTube, para quem estiver ao vivo, vocês vão encontrar um formulário. Então, para quem quiser participar, para quem for ficar do começo ao fim, não for sair, é só vocês preencherem esse formulário. Basicamente, neles vocês vão ter nome, telefone, ah, e uma declaração de que você é psicólogo ou estudante de psicologia ou psiquiatra, certo?

E o que que vai acontecer? Bom, durante a live de hoje, especificamente, eu vou ligar para um de vocês, para quem se cadastrou nesse formulário. E se você souber a palavra-chave, que eu vou falar instantes antes, você vai ganhar um livro. Então, recapitulando, eu vou dizer uma palavra-chave hoje. Anota ela. Essa palavra-chave não é a da aula de hoje, certo? É somente para premiação. Você vai anotar essa palavra-chave e aí a partir disso então você vai receber uma ligação caso você seja sorteado. E aí pra gente ser justo, eu não sei, vocês ainda não se cadastraram. Ah, eu vou determinar desde já um número. Então, aleatoriamente, né? Ah, nós temos 470, tá? Então, quem for o número sete que estiver nessa lista vai receber uma ligação minha, OK? Então, daqui a pouquinho eu falo para vocês. Se você decorar, souber a palavra-chave, que eu vou falar instantes antes da ligação, eu vou mostrar a planilha para vocês com os cadastros. Não vou mostrar os telefones, fiquem tranquilos, mas a sétima pessoa que tiver se inscrito ali nessa planilha, no formulário, vai então ter direito de fato a receber ligação. E se souber, né, a palavra-chave você ganha então o livro que é o Terapia Cognitivo comportamental na síndrome de Burnout. Beleza?

Muito bem, pessoal. Então, vamos começar o nosso conteúdo de hoje. Perfeito. Bom, então, como a gente conversou já ontem, né, ah, não tem como eu ter efetividade e nem segurança sem ter, né, essa metodologia, sem que no passo número um eu consiga mensurar, avaliar se meu paciente ele tem ou não um diagnóstico, né? Então, diante do diagnóstico do meu paciente que eu posso fazer aquela pergunta. Bom, se meu paciente tem depressão, né, qual que então é o melhor tratamento para ele? Qual que é o tratamento baseado em evidências? Qual é o tratamento que dentre todos os outros se provou melhor, mais efetivo, né, para aliviar e tratar esse sofrimento? Então, diante disso, eu posso então executar o melhor tratamento, que, como a gente também viu ontem, né, ah, é muito bem definido hoje na psicologia baseada em evidência.

Então, no atual momento, como eu disse para vocês, a PBE não é da TCC. A prática baseada em evidências, ela também não é da e a e a TCC não é da PBE. Então, pode ser que isso mude, pode ser que amanhã uma outra abordagem teórica ela seja a melhor evidência para um transtorno. Mas no atual momento, né, as abordagens baseadas em evidências são essas: TCC clássica, terapia comportamental dialética, ACT e terapia do esquema, certo? Então, vejam só, para eu de fato conseguir ter segurança, ter efetividade na minha abordagem teórica, eu preciso conseguir conduzir o tratamento que é melhor pro meu paciente, empiricamente sustentado. E hoje, especificamente, a gente vai falar dela, da TCC clássica, certo?

Antes de mais nada, eu gosto sempre de compartilhar com os meus alunos eh onde fica cada TCC. A gente tem uma visão muito equivocada, né? Às vezes a gente acha que a TCC clássica é a única TCC. Ou quando a gente fala: "Ah, DBT, arte", né? As pessoas, "Tá, mas como assim, né? É tudo TCC ou não é?" Então, vejam só, eh, quando eu falo terapia cognitivo, atenção, isso dá bastante nó na cabeça. Então, quando eu falo terapia cognitivo comportamental clássica, eu estou me referindo, né, a uma abordagem teórica dentro desse guarda-chuva chamado terapias cognitivo-comamentais, que no caso, por exemplo, é a TCC que a gente vai estudar hoje, a TCC clássica, TCC de bec, certo? Mas reparem que ela tem o mesmo nome do guarda-chuva. A TCC clássica é abordagem bequiana e ao mesmo tempo o nome desse guarda-chuva total onde estão todas as outras TCCs. Então eh o guarda-chuva maior, assim dizendo, a gente também tem terapia do esquema, terapia comportamental dialética, terapia citação, compromisso. E claro que existem pessoas que estão brigando até hoje, né? Ah, mas a ACT é uma TCC, é comportamental? A DBT TCC é o comportamental. E aí alguns anos, quem é meu aluno, quem me acompanha mais tempo, sabe que eu fiz uma live, né, no meu Instagram com o Steven Reis, com o próprio criador da terapia de citação e compromisso e justamente para tentar trazer clareza a essa briga, né, já que as pessoas ficam roendo como se fossem é cães assim, roendo por um p brigando por um pedaço de carne, rosnando, tipo não, a TCC é minha, não, a TCC da da análise do comportamento da TCC clássica.

Então, na live eu perguntei, né, pro próprio criador da teoria, né, vou lá com a Caragem, Reis, né, afinal de contas, a arte ela pertence à TCC clássica ou análise do comportamento, né, onde que ela tá? E a resposta que ele me deu foi a seguinte: eh, a ACT é uma TCC fora da caixa e é uma análise do comportamento fora da caixa. Ela não é nemhuma coisa nem outra coisa, né? Ela é integrativa de fato. E não só isso. Vejam só que ele traz uma perspectiva muito interessante. Ele disse a seguinte frase: "Existe uma guerra estúpida no seu país, no Brasil, onde as pessoas estão discutindo até os dias de hoje onde é que tá a ACT, né, ou onde é que tá a DBT, porque afinal de contas isso por causa de um processo histórico, como se desenvolveu o TCC, análise do comportamento no Brasil, enquanto de fato aqui no exterior, na Inglaterra não tem mais essa, não existe essa dissecção, né? Olha, isso aqui é ACT, isso aqui é análise do comportamento, isso aqui pertence a não sei quem, né? Então a gente fala hoje de terapias cognitivo comportamentais, cognitivo comportamentais com IFEN, significa que a gente não separa mais. E a gente tem de fato, né, na TCC, por exemplo, nas CCCs, uma integração. Se você for ler ali na DBT, você vai ver coisas, ela falando de crenças, de distorções cognitivas, eh, e assim sucessivamente. A ACT vai trabalhar com pensamento de uma outra forma, né? Então, de fato, isso acontece ainda no Brasil e até os dias de hoje a gente vê analista do comportamento mais antigo. Ah, não, AT pertence a não sei o quê, a gente pensa do AT TCC mais antigo, ah não, não sei que é nosso, né? Eh, não é de fato uma discussão necessariamente propositiva pro clínico, certo?

Mas vamos lá, né? Como que funcionam, como são essas CCCs. Então, olha, vocês estão tendo o privilégio de aprender isso porque tem muito terapeuta cognitivo que eu conheço, tem muito psicólogo que erra isso, que não faz ideia disso até os dias de hoje, né? Então vocês vão sair daqui sem nenhum pingo de dúvida, assim eu espero, né? Então, o que que a gente chama de primeira onda? Ah, bom, na TCC, né, a gente chama de primeira onda a base comportamental, né? O que que isso quer dizer, né? Se a gente olhar para essa linha do tempo que eu tô compartilhando com você, é como se as TCCs ou as terapias cognitivistas elas fossem uma série, né, em três grandes temporadas e cada uma vai trazer um novo personagem e um novo enredo para entender e explicar o sofrimento humano. Na primeira temporada ou na primeira onda, né, ela é uma onda que a gente chama de comportamental. O foco dela é entender o que essa pessoa faz, como que ela age no mundo, como que ela se comporta. E aqui a gente tem dois teóricos muito importantes, né, como Watson e Skinner. E eles estão interessados em como comportamento observável, né, como que o ambiente também, os reforços, as consequências, eles moldam aquilo que a gente faz, aquilo que a gente repete, aquilo que a gente evita. Então, por exemplo, se eu digo para vocês o que que você estava pensando hoje um pouco antes de entrar nessa live, eu tô te perguntando sobre um encoberto seu pensamento, certo? Já pros analistas, pro pessoal da base mais comportamental, eles vão ter uma outra visão disso. Eles não vão ver as cognições, os pensamentos, o pessoal que da primeira onda como algo separado, não. Isso é um evento encoberto, né? Pensamento havendo encoberto não é uma instância separada do comportamento. E aí, né, o que que eles vão se em que que eles vão se focar no comportamento observável, certo? Que que é o comportamento observável? Tudo aquilo que eu faço com os meus braços, com as minhas pernas, com a minha boca, né? Eh, se eu falo com alguém, se eu grito, se eu brigo, se eu vou na festa, se eu me evado das pessoas, tudo isso é comportamento observável, certo? E também, né, a gente tem aqui então o Bandura, o Albert Bandura. Que é um teórico muito importante que quase ninguém conhece também, né? Ele entra como aquele personagem de virada assim no finalzinho da série, sabe? Tipo, nossa, eh, tá acabando Stranger Things, tá acabando Bridgerton, mas agora a gente tem um spoiler, surgiu um personagem no último, no últimos últimos episódios pra gente saber que que vai um spoiler do que aconteceu na próxima. Então, esse é o Banura, né? Ele vai entrar como aquela personagem de virada aqui na primeira onda, mostrando que, olha, eh, a gente não aprende só pela experiência direta, mas também observando o outro, imitando o outro, internalizando modelos. Existe um experimento muito legal, né? Não daria tempo de eu apresentar ele para vocês hoje, mas bem bacana para quem tiver interesse. Eh, que é um experimento que ele faz com João Bobo, né? Então, Bandura, em outra época, né, onde a gente fazia coisas muito pouco éticas, nós seres humanos, né, eh, enfim, lá atrás ele basicamente pegou crianças, né, eh, muito pequenas e colocou essas crianças para interagirem com João Bobo, certo? Essas, primeiramente, essas crianças interagiam normalmente, né, brincavam com João Mobo e tudo mais. E aí ele colocava coisas, né, como armas brancas ali, né, ou armas de brinquedo. Beleza? As crianças interagem normal. Depois eles pegavam então essas crianças, né, no laboratório e colocavam elas para assistir vídeos violentos, né, de adultos, no caso, golpeando com martelo, João Bobo, chutando, dando soco no João Bobo, né, no boneco. E aí depois eles colocavam essas crianças novamente para interagir com esse João Bobo. Então o que que acontecia, né? Elas aprendiam, né, pela observação do comportamento do outro, aquilo ali. Então, né, o bandur ele trouxe essa clareza, ele começou a falar pra gente que, ei, né, a gente não aprende só pela experiência direta, a gente também aprende por imitação, por observação, certo? Por reforçamento vicário também. Então ele vai trazendo uma perspectiva um pouco diferente nesse finalzinho de temporada. Mas enquanto isso, enquanto essa primeira temporada ali do seriado tava acontecendo, a gente também tinha um Volpe, né? Que trouxe pra gente uma ideia muito importante até que a gente emprega nos dias de hoje como dessensibilização sistemática, né? Eh, que é quase um treino gradual de coragem. Então, até nos dias de hoje a gente incorpora isso na nossa prática na TCC, né? Quando a gente vai trabalhar com paciente com fobia, alguma coisa assim. Basicamente, Volp, na primeira temporada da seriado, né, da série, ele trouxe essa ideia de que a pessoa se aproxima, se a pessoa se aproximar passo a passo gradualmente daquilo que ela tem medo, em vez de fugir, né? Eh, com isso ela vai descobrindo como lidar com aquilo, ela vai conseguindo encarar aquilo, certo? Então aqui, né, eh, não vou me vou parar muito aqui, não vou me adentrar muito aqui, porque a gente não teria tempo suficiente para isso, mas assim a gente vai encerrando essa primeira temporada, OK?

Bom, passado, então agora vamos pra segunda temporada, né? O que que acontece aqui na segunda temporada dessa série ou na segunda onda, né? A gente teve um teórico muito importante aqui, né? Até dois. A gente teve o Elis, né, o Albertis e a gente também tem Aron Beck. E o que que eles mostraram pra gente? Que olha, ah, o que existem existe um componente aqui muito importante, né, que no caso não é apenas a gente olhar pros pensamentos como um evento encoberto, mas como algo que vai determinar o meu pensamento. Então, não é o fato que me derruba, que me deixa triste. Não é, por exemplo, eu briguei com meu primo, com meu tio, com meu pai. Não é esse fato que me deixa triste, mas é o que eu penso sobre esse fato. Ou seja, eles trazem pra gente uma visão de que o pensamento ele é muito importante. Então, se lá na primeira temporada o comportamento era muito importante, aqui o pensamento é muito importante e também a emoção, né? Dependendo do teórico ou da abordagem. Então aqui a gente começa a ter uma noção de pensamento, comportamento, emoção, pensamento antes da consequência, né? E a clínica, ela passa a se tornar um laboratório de investigação. A gente questiona pensamento o tempo inteiro, a gente testa hipóteses no nosso pensamento, a gente reescreve narrativas, né, para que a emoção e o comportamento sejam modificados. Então, se lá atrás eu tentava modificar o comportamento para melhorar o bem-estar do indivíduo, para melhorar determinada determinado fator, aqui eu tento modificar na segunda onda o pensamento para tentar mudar o comportamento e a emoção, certo? Perdão. Então, a gente tem esses teóricos como Elis e Beck, né, que falaram muito do pensamento pra gente. E aqui na segunda onda, a gente também tem uma vertente chamada de construtivista e a gente tem um teórico chamado Marrone, né? E a pergunta que e a pergunta avança, tá? Mas como que a pessoa eh ela também constrói o sentido da própria vida dela e da própria identidade? Então, a terapia aqui na abordagem mais construtivista, ela passa a tocar mais diretamente na emoção e na história pessoal, certo? Então, recapitulando, primeira temporada, comportamento. Segunda temporada a gente tem os teóricos do pensamento e os teóricos mais focados na emoção, certo?

Dito isso, vamos então Netflix soltou a terceira temporada aí pra gente, OK? Então, quando a gente chega na terceira onda, ela é chamada de integrativa, porque a TCC, né, as TCCs, ela deixa de ser só cabeça, só comportamento e ela começa a abraçar todo o resto. Ela vai considerar também a emoção, né, e ela sai do corpo e vai pro contexto, né? Eh, eu não vou mais olhar se aquilo ali é somente funcional ou disfuncional, mas pera aí, qual que é o contexto disso, né? Onde que isso tá inserido? Ela também vai olhar pros valores daquela pessoa, até eventualmente para a espiritualidade, né? Eh, claro que devido as ressalvas, né, dentro da perspectiva científica, não fazendo um proselitismo nem nada. Então a gente tem aqui, né, na terceira onda, terceira temporada, a gente tem o Jeffrey Young com a terapia do esquema e ele vai falar pra gente daqueles padrões que se repetem, né, que a gente começa a desenvolver lá na infância, como se fossem roteiros que a gente vai aprendendo a seguir, que a gente decora e a gente e sempre leva a gente pro mesmo lugar de dor, né? A gente sempre repete aquilo ali porque é cômodo, né? É familiar. Eh, o Young fala que as nossas crenças, os nossos esquemas, eles são como um sapato velho que você ganhou lá na infância. Então, lá na minha infância, eu tive várias experiências traumáticas, né, com os meus pais, com os meus cuidadores na minha escola. E eu aprendi a me portar assim, a me comportar assim, interpretar o mundo assim, porque naquele momento era o que eu precisava para sobreviver. Mas aí eu já saí daquele contexto e no meu era funcional, era adequado, que talvez ali eu fosse agressiva, hostil para me defender, mas eu cresci. Hoje eu sou uma adulta, né? E eu deveria usar uma outra forma de lidar com a realidade porque eu tô num outro contexto, mas eu ganhei um sapato velho lá na minha infância e hoje ele não me serve mais. Tá velhinho, tá gasto, mas é confortável. Ou seja, eu continuo repetindo os padrões que eu aprendi para enfrentar o mundo lá atrás para poder lidar com as coisas, certo? Mesmo que hoje não seja funcional. Então o Yang ele vai ter uma visão muito forte sobre essa questão de esquemas, né? E como eu disse para vocês, a terapia do esquema, ela não anda de mãos dadas com psicanálise. Ela é totalmente baseada no tripé cognitivo, pensamento, comportamento, emoção. Fujam para as colinas se vocês ouvirem alguém falando isso, né? Eh, existe hoje, né? A gente vê que a terapia do sistema ela é invadida realmente talvez por essa ideia, né? De, n, é uma extensão da psicanálise, não, não é, né? Então você tá fazendo qualquer coisa menos terapia do esquema. O Young desenvolveu a teoria sendo aluno de BEC e ampliando, né? E baseado totalmente no modelo da TCC clássica, certa? Certo.

Bom, a gente também tem um outro teórico aqui na terceira temporada, então são vários heróis. A gente tem o Paul Gilbert, né, que vai falar da terapia focada na compaixão. A terapia focada na compaixão, ela vai lembrar que não basta eu entender o problema, né, eu conceituar, eu preciso também ajudar o paciente aprender a se tratar com gentileza, a acalmar um sistema interno que vive em ameaça autocrítica. A gente também tem o Robert Ling, né, que vai aprofundar o olhar no que ele chama de esquemas emocionais, mostrando como a gente reage as próprias emoções e como isso pode prender a gente num ciclo de sofrimento. E aí, né, a gente também tem o João John Cabatin, né, que é e não é um teórico bem da terceira onda, mas ele vai, na verdade, falar muito sobre mindfulness, né, vai trazer assim, dar o start, né, talvez não como principal teórico como teórico, mas ele vai dar o start na ideia de mindfulness, né? Eh, ele vai falar pra gente não do mais de funa, como algo religioso, filosófico, mas como um treino de presença, de atenção plena, aprender estar aqui agora, sair do piloto automático, né? Eh, a gente vai falar muito de mindfulness na aula de arte. Estejam preparados, tá bom? Só digo isso. Estejam preparados emocionalmente para aula de DBT de arte. Falei certo? Muito bem. H, a gente também vai terapia metacognitiva, né, que vai falar dos modelos como viés atencional, eh, que mostra que não é só o conteúdo do pensamento que importa, mas a relação que a gente tem com ele, né? Eh, e para onde a gente dirige o nosso foco. E a gente tem duas TCCs aqui, né, que são muito importantes, que a gente vai falar na aula três amanhã e na aula quatro depois de amanhã. A gente tem a Linehan, né? Eh, e a DBT ela vai entrar com força, sim, né? Eh, a gente vai ver a questão da dialética, como duas coisas opostas, elas podem ser verdades ao mesmo tempo, né? Por exemplo, até repio, olha, os pacientes estão fazendo já o melhor que eles podem e ao mesmo tempo ele ainda precisa fazer mais melhor, senão ele não vai melhorar. Os terapeutas também estão fazendo o melhor que podem. Vocês estão fazendo, mas ao mesmo tempo vocês têm que fazer mais melhor. Então a NBT, né, ela é muito impactante do ponto de vista filosófico, né? E a Line Han desenvolveu essa abordagem teórica para pacientes que tinham desregulação emocional grave, que tinham comportamentos autolesivos, né, e suicidas recorrentes. E ao mesmo tempo ela vai falar pra gente pegar habilidades de mindfulness, regulação emocional, tolerância mal-estar e efetividade interpessoal. Então, estejam preparados para essa aula, combinado? Eu avisei. E a gente também tem a actorada dessa série com Reis, né? Eh, que vai mudar totalmente a pergunta. Então, olha só, o Aron Beck, nosso herói do dia de hoje, ele vai ter inteiro falar assim: "Como que se o problema que me gera sofrimento é o pensamento? É o que eu penso da realidade, o reiz vai falar completamente, vamos mudar o vamos mudar o pensamento. O Reis vai falar uma outra coisa. Olha só, ao invés de tentar mudar o que eu penso, né? Ao invés de mudar, como que eu paro de sentir isso? Como que eu paro de sofrer? Ele vai falar uma outra coisa, tá? Eh, na verdade, eu preciso mudar minha relação com isso. Os pensamentos vão continuar vindo, então eu preciso mudar minha relação com ele e simplesmente deixar às vezes eles fazerem bagunça dentro de mim. E ele vai se fazer perguntas pro paciente como: "Tá, né? Eh, em vez de se perguntar como que eu paro de sentir isso, vamos olhar para que tipo de vida que eu quero viver." Mesmo sentindo isso, que tipo de pessoa que eu quero ser, mesmo sentindo isso, certo? Trazendo a questão da aceitação dos valores da ação comprometida pro centro da terapia.

Então, se vocês olharem de novo, né, com atenção para esse slide, eu quero que vocês imaginem cada ponto, né, da linha como sendo uma expansão da mesma família terapêutica, certo? E que vai amadurecendo e acrescentando. Ah, então quer dizer que a terceira onda é mais moderna? Ah, quer, nossa, quer dizer que a terceira onda ela é melhor porque ela é mais nova? Não, gente, terapia não é carro do ano, não é trocar o iPhone, certo? Aqui a gente tá falando de ciência, né? Então, assim, nas TCCs, as ondas, as ondas recentes, elas não vão apagando as anteriores, elas vão acrescentando. Vejam só, TCC de segunda onda, ela puxou tudo, puxou tudo do comportamento. TCC de terceira onda, ela puxa também o que que veio antes. Então, uma não vai apagando. Não quer dizer que uma é mais moderna, então ela é melhor. Não existe isso. Tanto é que a abordagem teórica com a maior quantidade de evidências, com maior indicação para transtornos, é TCC clássica, certo? Então não é pelo hype de, ah, eu trabalho com a ACT porque ela é mais nova, não, né? É aquilo que é melhor pro paciente. Então, se vocês olharem, vocês vão entender, né, que cada uma vai evoluindo, mas não que ela pagou o que veio antes. Por exemplo, falei para vocês a desensibilização sistemática, a gente puxou para cá e que puxou para cá. Então elas vão se incorporando em novas ondas, certo? E a mensagem final, né, é essa. Elas vão acrescentando nuances, escutando melhor o que os pacientes, o que as pesquisas têm a dizer e se somando. E a mensagem é essa. Quando vocês estiverem no consultório, se vocês trabalharem com a prática baseada em baseada em evidências, vocês não vão estar usando uma técnica solta de cada uma, né? Isso também é muito errado, porque tem terapeuta que acha que, ah, eu trabalho com trabalho com um pouquinho de cada. Se você trabalha com um pouquinho de cada, você tá fazendo coisa muito errada com o seu paciente. Você deveria saber quando e como usar cada uma do começo ao fim. Não, ah, eu pego uma técnica da TCC, pego uma técnica disso. Você tá pegando técnicas, você está falhando. Isso não é trabalhar com prática baseada em evidências. Prática baseada em evidências, segundo pilar, expertise do psicólogo. Logo, você tem que saber aplicar uma abordagem do começo ao meio fim. Iluminar o protocolo, os princípios e saber quando usar e não pegar uma técnica de cada. Pelo amor de Deus, 2026, me digam isso, certo? Depois dessa aula, pelo menos ninguém mais vai dizer isso. Então, né? Hã, quando vocês estiverem trabalhando com a prática baseada em evidências e aplicando essas abordagens cada uma para aquilo que ela funciona, vocês não vão estar usando técnicas soltas de cada uma, mas o resultado também de décadas de desenvolvimento das CCCs, né, e que hoje permitem que a gente trabalhe no consultório com o sofrimento humano de uma forma mais profunda, mais compassiva e mais alinhada com aquilo que importa para cada pessoa.

Fez sentido? Me contem aqui no chat. E aí eu sofro tanto com esse chat, porque tem sempre um delay, eu pergunto, aí eu preciso esperar que demore para mostrar as respostas para mim. E aí, gente, enquanto isso, deixem já um joinha aqui no vídeo, cliquem no joinha, tá bom? E também sigam o canal. Ai, que bom que tá fazendo sentido para vocês. Muito bom. Perfeito. Fico feliz. Muito bem. Então vamos. Estou vendo alguns rostinhos já, algumas pessoas já de ontem. Que bom estar aqui com vocês. Muito bem. Reforçando o recado para quem quiser participar, ganhar um livro, hoje a gente vai ter um sorteio. Quem for o número sete, vai fal na planilha. Hoje a gente já vai essa vou ligar para essa pessoa e aí se ela atender e souber a palavra-chave ela ganha um livro. Muito bem. Então, preencham já o formulário aqui. Se o número sete não me atender ou se o número sete não souber a palavra-chave que eu ainda vou falar, vamos falar um outro número. Fala o número aí, qualquer um, rápido. 3 2 1 >> 427. >> 27. Muito bem. Então, número sete ou 27. Não me deixa esquecer. Não me deixa esquecer. Beleza. Muito bem. Bom, perfeito. Então, então vamos falar da TCC classs agora que ficou um pouquinho mais clara essa questão das ondas. Então, prazer, sejam bem-vindos a essa temporada, a esse episódio TCC clássica dessa temporada. Bom, pra gente começar, vocês não me deixem falando sozinha, eu detesto da ela sozinha, né? Vamos lá. Quais críticas que você já ouviu a TCC clássica podem detonar? Pode falar a verdade. E se você pensa isso, pode falar. E se tiver vergonha, fala que foi o vizinho que falou. Ah, meu vizinho falou que a TCC clássica é isso. Comentem aqui no chat, quero ver. Vamos esculhambar. Confince o formulário. Gabriela, ela, Gabi, tá aqui no no nos comentários, tá bom? E aí? Ai, obrigada, Deline. 727, é isso mesmo, né? 727. São esses os números. Ai, Alessandra Maci querida. Alê faz póst comigo. Eu sei. Ali tem uma floricultura, não é? Ou não. Ou é uma das meninas. Ali é de Tubarão, Santa Catarina. Eu conheço meus alunos, eu não esqueço as pessoas. Muito bem. Enquanto isso, olha só, a Maria tá falando que já escutou falar que até CC é determinista, a Gisele que ela é hegemônica, a Sibele falou que ela é rasa. Mecanicista. A Raquel falou não funciona fora do na realidade do Brasil. A Ana Paula falou que é engessada. Naiane receita de bolo. Maria Clara, TCC não considera um passado. A Adeline falou que é superficial. A Tai falou que é só técnica. Que mais? Robotizada. A Nísia falou obrigada. Vitória falou que ela é perfeita. Ai, obrigada para quem tá me lembrando do número, gente. Daqui a pouco eu pergunto para vocês de novo. Muito bem, 72. Muito bem. A Eloía anula subjetividade. Perfeito. Não lida com questões profundas. A Larissa falou, a Raquel falou que são só tarefas de casa. Alessandra Melo falou: "Não é humana". A Est muito protocolo. Mecanicista Maria Clara. Eu poderia dar uma aula inteira sobre sobre uma abordagem que é mecanicista. Boa parte das pessoas que falam isso, né, que a gente escuta falas não sabem que que é mecanicista. É muito legal. A Diana falou que é um treinamento só perfeito. Robótica. Ah, Gisele falou, era da Guessa. Último de tá fazendo muito sentido para mim. Que bom. É só técnica. Eu tenho uma que eu gosto muito. Bom, tem uma que eu adoro, que eu não encontrei aqui, que eu vou ensinar para vocês, hein, quando vocês quiserem criticar TCC, mas aí vocês falam que foi o vizinho que falou. Ai, meu vizinho falou, o vizinho do meu primo. Tem uma que é clássica, que é a terapia do bandadeid, que só fica na superfície, sabe? Não vai a fundo. Muito bem.

Então, vejam só, de fato, a gente escuta muito isso, né? A TCC é superficial, ela é rasa, ela não vai a fundo, receita de bolo, já vi até adestramento de cachorro, né? Mas vejam só, né? Quando a gente fala coisas como essas, inclusive uma crítica muito famosa é ela não dá conta da subjetividade. Eu gosto de devolver a pergunta. Ah, floricultura da Kellen. Perdão, eu confundi, mas eu sei que vocês são de tubarão. Tô falando, perdão, eu batendo papo com as alunas aqui no meio da live. Sejam bem-vindas, alunas também. Então, vejam só, quando a gente escuta críticas como a TCC não dá conta da subjetividade, eu sempre gosto de devolver a pergunta: o que que é subjetividade? Como assim? E normalmente a pessoa fala: "Ué, é o inconsciente." Então vocês percebem que isso é quase que uma armadilha. Se a minha abordagem não trabalha com aquilo que a outra abordagem trabalha, o inconsciente, significa que ela é rasa. Não faz sentido. Então, pra minha abordagem ser profunda, ela teria que trabalhar exatamente com os conceitos da sua, se ela tá descartada. Então vocês percebem que isso é um argumento preso em si mesmo? Ou eu trabalho com a sua abordagem ou rasa automaticamente. Não faz sentido. Não faz sentido nenhum. E na verdade na TCC clássica, aquilo que importa pra gente, aquilo que é profundo pra gente tá em outro lugar. Então não é porque a minha noção de subjetividade, de profundidade não está está no mesmo lugar que uma outra abordagem teórica, que ela seja rasa, certo? E a gente vai matar cobra e mostrar o pral, como a gente diz lá em Minas hoje, certo? Então, vamos começar pelo começo. Eu vou mostrar para vocês onde está a subjetividade dela. Então, vamos começar pelo começo, certo?

Esse senhorzinho fofo aqui que infelizmente nos deixou em 2000 e >> 21 >> 20 ou 21, né? Em 21, é o Aron Beck, né? Ele é o fundador da TCC clássica e ele era psiquiatra, né? Ele era médico e ele também era psicanalista. E o Beck, ele queria comprovar um dos pressupostos da psicanálise. Segundo Freud, né, os pacientes deprimidos, eles se deprimiam por causa de um processo inconsciente. Vejam só, né? É quase que um gaslight, né? Você é culpado por estar deprimido. Então, Freud afirmava que os pacientes deprimidos assim estão adoecidos, né, por causa de um processo de masoquismo. Eles sentem uma raiva tão grande de si, né, que eles canalizam essa raiva no inconsciente deles como forma de depressão, certo? Então, Beck, como bom psicanalista e como bom cientista que era, ao mesmo tempo falou: "Pera aí, né? Então, vamos tentar tornar psicanálise científica, porque ela não era baseada na ciência, assim dizendo, né? Ela não era tão científica assim, seus pressupostos, né? Eh, suas afirmações não tinham base científica. Então, o que Beck fez foi tentar torná-la científica e ele foi lá então no laboratório e pegou um N, né, uma quantidade de pacientes deprimidos muito grande, né, mais de 500 pacientes e foi trabalhar com algo que é análise de conteúdo. Então, Beck, a equipe dele, laboratório dele ficaram o dia inteiro ouvindo pacientes deprimidos, ouvindo, ouvindo, ouvindo e ouvindo. E no final desse estudo, né, por um lado foi frustrante porque Beck ele não conseguiu comprovar essa teoria. Ele notou que o paciente deprimido, a raiva, o masoquismo, a vontade de sofrer. Eu tenho, eu sou masoquista, eu tenho uma vontade de sofrer. Isso não aparecia em nenhuma da fala desses pacientes, certo? Então, pera aí. Esse pressuposto da psicanálise não tá funcionando. Mas ele se deu conta de uma coisa. Né, que os pacientes deprimido, deprimidos invariavelmente, eles não eram masoquistas, mas eles tinham uma coisa em comum, eles tinham uma visão negativa de si, do mundo e do futuro. Por exemplo, eu sou uma fracassada, eu não sou boo bastante, eu sou ruim, eu sou louca, eu sou mal amada. O mundo é um lugar hostil. As pessoas são ruins, as pessoas são cruéis. Ninguém gosta de mim. E o meu futuro é incerto. Meu futuro vai ser sempre assim. Eu não tenho como sair disso. E vejam só, tudo isso fazia parte, né? Não que viessem todos juntos ao mesmo tempo, mas sempre se repetia visão negativa de si, do mundo e do futuro. E nada disso era inconsciente, era uma coisa não acessível, mística, misteriosa, eh inescrutável. Eram processos cognitivos, eram pensamentos que com uma única pergunta, o que você pensa sobre isso? Saia na fala do paciente, certo?

Então, né, quando a gente olha para isso, a gente começa a entender, né, que de fato quando a psicanálise fala do inconsciente, inconsciente, inconsciente, tá, né? Mas pera aí, como assim inconsciente? Como que a gente prova a existência desse inconsciente, certo? E não só isso, né? Ahã. Ao mesmo tempo, o inconsciente, né, ele é uma coisa tão mística, tão inescrutável, tão difícil de acessar, eh, que como é que eu trabalho com isso, então, com seriedade na clínica? Como é que eu tenho um método para trabalhar com algo que é tão inacessível, né? Então, de fato, né, na TCC, eu brinco que a gente não acredita no inconsciente, porque o inconsciente freudiano como ele é não faz sentido, né? Mas Beck então se deu conta do peso da cognição, do peso das crenças, dos pensamentos, por exemplo, né? Imaginem só ah, que um paciente vira para você e fala: "Olha, eu acabei de terminar um relacionamento e eu tô muito mal porque eu terminei esse relacionamento, tá? Mas me conta o que que passa pela tua cabeça quando você pensa sobre isso." Aí o paciente te diz: "Eu penso que a minha vida acabou, que eu nunca mais vou ser feliz de novo, que eu nunca mais vou poder confiar em ninguém porque eu fui traído." Gente, se você tem essa interpretação desses desse fato, como é que você vai se sentir? Feliz, alegre, retumbante? Não. Você vai sentir exatamente assim. Triste, ansioso, sozinho, talvez sem insônia. E como é que alguém que pensa tudo isso se e sente tudo isso se comporta? Eu me isolo, posso abandonar atividades de prazer, mas ainda vou me deprimir, percebem? Então, ao mesmo tempo, imaginem uma outra pessoa que se divorciou. E essa outra pessoa que se divorciou, ela pensa: "Nossa, eh, a gente estava numa relação muito tempo, não deu certo, não tava feliz e acho que é melhor assim. Talvez ela se sinta triste, mas ao mesmo tempo aliviada, certo? E talvez a partir disso ela tenha outros comportamentos. Então aquilo que a gente pensa em grande medida, né, define como a gente se sente. Por exemplo, imagina só que você encontra um amigo seu na rua, esse amigo passa por você, você cumprimenta essa pessoa, ah, beleza, dá licença, tchau, essa pessoa vai embora. Você pode pensar, né, poxa, essa pessoa não gosta de mim, ele não se importa comigo, que grosso. E fica triste, certo? E se comportar como talvez evitando esse amigo. Agora imaginem uma outra situação. Vamos lá. Atenção, hein? Essa vocês me respondem aqui no chat. Imaginem só, ah, que amanhã uma pessoa fica presa dentro do elevador, certo? E essa pessoa que ficou presa dentro do elevador, ela tem o seguinte pensamento: "Poxa vida, tô presa no elevador, eu vou passar mal, eu vou morrer sufocado aqui, sem a, eu vou morrer?" Contem para mim aqui no chat, alguém que pensa isso vai sentir o quê? Qual a emoção? Comentem aqui. E aí, se eu penso que eu vou sufocar no elevador, passar mal e morrer. Adoro esse delay que dá. Eu fico assim esperando. Daqui a pouco as respostas sobem todas. Medo, medo, ansiedade, desespero, angústia, aflição, pânico, medo, pavor, ansiedade, angústia, desespero. Perfeito. E como é que talvez essa pessoa vai se comportar, que tá sentindo tudo isso que vocês estão falando? E tá certo? Eu tô com medo. Eu tô achando que eu vou sufocar. Talvez essa pessoa então ela comece a chorar. Gritar, eh, se desesperar, né? Beleza. Agora vamos imaginar que uma outra pessoa tá presa no elevador e que ela pensa o seguinte: "Sério, eu tô preso aqui nesse elevador. Aquele síndico, aquele isador desse prédio é o incompetente, certeza, né? Não deu manutenção nesse negócio aqui, nesse troço aqui e eu tô preso. Eu sou uma pessoa importante, tô perdendo compromisso. Ai, é inaceitável. Quando eu sair daqui, eu vou falar cobras e lagartos para ele." E aí uma pessoa que pensa assim, que que ela vai sentir? Qual a emoção que vem? Comentem aqui no chat. Raiva. Perfeito. Raiva. Eu tô com raiva. Como assim? Uma pessoa como eu perdendo meus compromissos? Aquele incompetente, daquele síndico, sei lá, daquele, sei lá quem, né? Perfeito. Se eu fico com raiva, como é que eu me comporto? Talvez eu vou xingar, talvez eu vou sair, vou dar um soco no elevador, vou dar um tapa, né? Vou sair, vou dar um escândalo. Perfeito. Mas e se numa outra instância a gente tem uma outra pessoa que entra dentro desse de um outro elevador, né? E pensa: "Tá, o elevador quebrou, mas beleza, eu sei que isso não é um risco real, tá bom? Vou sentar e esperar que daqui a pouco alguém me tira daqui." Que que essa pessoa sente? Que emoção que vem? Indiferença, tranquilidade, tédio, né? Perfeito. Então, reparem que diante disso, qual pode ser o comportamento? Ah, vou sentar, ver se tem conexão de celular aqui dentro, vou deitar no chão, vou sentar. É isso, né? Então, de fato, vocês percebem o quanto o pensamento ele é impactante naquilo que eu sinto e naquilo que eu faço, certo?

Então, para Beck, né, ele notou que o que importa, que o que determina o sofrimento do homem é aquilo que ele pensa sobre os fatos. Então, não é o fato, né, que aflige o homem, mas na verdade a interpretação que ele tem do fato. Você pode olhar para uma situação de término de relacionamento e falar que bom, foi melhor assim, sentir alívio, falar: "Meu Deus, minha vida acabou". Sentir desespero. Você pode falar: "Meu Deus, quanto tempo que eu perdi com essa pessoa horrível e senti raiva". E isso para tudo na vida. Então, Beck chamou nossa atenção pro fato do quanto o pensamento ele é determinante, né? No sofrimento dos indivíduos, no sofrimento dos do homem e não exatamente, né? Ah, fatos inconscientes, já que o inconsciente ele é tão místico, tão inescrutável, tão assim, como é que eu vou conseguir acessar esse negócio? Certo? E aí, né, evoluindo um pouquinho mais, a gente usa essa analogia, tá? Mas por que que no elevador, Anne, uma pessoa pensa de forma catastrófica que vai sufocar? A outra pessoa de uma forma tão narcisista, tão, eu sou tão importante, como então como permitiram que uma realeza como eu passasse por isso? Por que que ela se sente com raiva? Por que que alguém se sente entediado? O que que determina cada o que cada pessoa vai pensar naquela situação? Isso aqui, vocês estão vendo a raiz dessa árvore? Então, as a nossa estrutura cognitiva, ela funciona como essa árvore, como uma árvore, né? Então, quando a gente olha para uma árvore na rua, a gente tem as raízes, certo? E como que elas são? Normalmente elas estão ali no solo. Boa parte das raízes estão ocultas, um pedacinho ou outro tá para fora, mas tá ali. E essas raízes, elas sustentam toda a árvore até e nutre

Até a última folhinha que tá lá em cima, certo? Além disso, a gente também tem as folhas. Qual a característica delas? Elas são abundantes, tem uma grande quantidade, são a parte mais visível da árvore. E também a gente tem o o tronco, que é uma estrutura intermediária que liga a raiz até as folhinhas, certo?

E assim é o sistema de crença dos indivíduos. Se eu tenho as raízes que são profundas, que vão estruturar, que vão sustentar toda a árvore, eu também tenho as crenças centrais, que é a visão mais profunda de mim, do mundo e do futuro. Então, ah, se eu cresci a minha vida inteira, eu tive experiências, né, que me mostravam que eu era uma pessoa incapaz, quando eu esver numa situação que desafia a minha competência, o meu pensamento automático vai ser: "Eu não vou dar conta desse negócio não." Certo?

Ah, então vejam só, deixa eu trazer um exemplo aqui para vocês. Deixa eu trocar meu slide aqui. Então, por exemplo, né, ah, a gente tem lá então na raiz da nossa árvore essas crenças, como que elas são formadas. Como eu disse para vocês, é a visão mais profunda que eu tenho de mim, do mundo e do futuro. Por exemplo, imaginem só que sabe quando vocês vocês já pararam para reparar os bebezinhos como eles são? Então eles têm os temperamentos mais variados, por mais que eles nem falem às vezes. Então tem alguns bebezinhos que ainda nem começaram a falar que são mais medrosos, né? Que não saem muito do colo dos pais, que não se aventuram com estranhos. A gente tem aqueles que são mais nervosos, irritados, que gritam, que choram à toa, que parecem bravos. A gente tem aqueles que são mais risonhos, que dão risada até pro estranho na rua, certo? Então a gente já nasce com uma base biológica, né, com certo temperamento.

E aí, né, imagina então uma criancinha que nasceu numa família ahã com pais extremamente ansiosos, né, que provavelmente como que essa criancinha vai nascer. Bom, meu pai é muito ansioso, minha mãe é muito ansiosa, então eu possivelmente já tenho uma dotação biológica para ser uma criança mais ansiosa. Ou seja, eu vou ter uma ativação mais frequente do meu sistema nervoso simpático com mais facilmente que as outras pessoas, eu vou me sentir muito com medo, muito ansiosa, com muito medo, certo? Então eu tenho uma dotação biológica. Eu herdei dos meus pais que são muito ansiosos. Além disso, os meus pais que são muito ansiosos e me passaram atuação biológica, ã, até em razão da ansiedade deles, eles cresceram me falando assim: "Olha, filha, o mundo é um lugar perigoso, as pessoas são muito debochadas, vão rir de você, as pessoas são ruins, as pessoas não são confiáveis, tem um perigo em cada esquina." Então, eu juntei minha biologia como sistema de crenças dos meus pais. Eu tô aprendendo o sistema de crenças deles, certo? Então eu pego esse pacote, esse kit e vou pro mundo, vou pra escolinha. Na escolinha eu começo a interagir com os meus amigos, né, a partir desse kit que eu já carrego, talvez uma criança mais ansiosa. Eh, e aí, né, eu começo a interagir com o meio. E o meio ele também vai me vai me moldar as minhas experiências. Talvez eu sofra bullying na escola, talvez meus colegas sejam hostis ou não, talvez eles sejam muito bacanas, muito calorosos e me ajudem até limpar essas crenças, desembaçar essa visão de mundo.

Então, numa hipótese em que eu tenho essa dotação biológica, meus pais também me passaram instruções verbais, né, sobre o mundo, sobre as pessoas. E eu vou pra escolinha e começo a ter experiências desde muito cedo, né, que vão me mostrando como realmente o mundo é hostil. Eu vou crescendo e desenvolvendo uma visão sobre mim, sobre o mundo e sobre o futuro, certo? Então, essas são as nossas crenças, é aquela visão mais profunda que a gente carrega sobre nós, sobre o mundo, sobre o futuro, certo? E aí quando eu vou, sei lá, pro meu trabalho, quando eu tô numa situação de prova na escola, né? Supondo que eu tenho uma crença de incapacidade, eu não sou boa bastante, eu sou incapaz, automaticamente aquele pensamento, né, vai abrindo a minha cabeça como papezinho. Eu vou interpretar a realidade, vou interpretar a situação, né? Vou lá na raiz da minha árvore buscar alguma coisa que tem tem essa base, né, que vai se abrir, que vai me fazer pensar, poxa, eu não vou dar conta. Ou pensando naquele exemplo dos meus pais hipotéticos, né? Olha, meus pais me falaram que o mundo é perigoso, que eu não posso confiar em ninguém, então eu vou pro mundo, vou pra vida e uma pessoa super legal quer ser minha amiga, se aproximar de mim. E aí, nessa situação eu vou lá na raiz da árvore, né? Eu tenho aquela raiz muito forte, muito consolidada dentro de mim. E como que eu vou interpretar essa situação? Com base nessa crença, ela é além de que eu vejo o mundo. Então, abre aquele pensamento, tá? Essa pessoa tá aproximando de mim porque ela quer abusar, porque ela quer alguma vantagem. As pessoas não são confiáveis, o mundo é um lugar perigoso, todo mundo é hostil, certo?

Então, os nossos pensamentos automáticos são aqueles pensamentos, aquelas interpretações rápidas que passam pela nossa cabeça. É como um popup que abre no seu navegador quando você tá mexendo no computador, sabe? Ã, então você vai para uma situação, você olha ali pra pessoa, né, tipo: "Ah, aquela pessoa tá séria, ela tá pensando que eu sou chata, ela tá querendo fazer algo mal para mim, ela tá pensando que eu sou burra, que eu sou isso, que eu sou aquilo." Então, a gente tem uma interpretação rápida dos eventos, que são os nossos pensamentos. E isso, né, vai variar de acordo com o que a gente tem na nossa raiz, certo?

E ao mesmo tempo, a gente também tem as crenças intermediárias, o que são elas, onde comem, de que se alimentam, onde vivem as crenças intermediárias. Bom, então se as crenças centrais são um pensamento absoluto do tipo: "Eu sou incapaz, eu não sou digna de ser amada, não sou passível de ser amada, eu não tenho valor". Eh, elas vão ajudar a gente se organizar no mundo. Vejam só, uma pessoa que pensa, tem uma crença central, eu não sou amada. Ela vai ter uma forma de se organizar no mundo, de se orientar. Se eu não sou amada, se eu não sou passível de ser amada, então como que eu vou me portar no mundo? Que que vocês acham? Comentem aqui no chat. duas possibilidades. Vejam só. Ah, então, né, se eu tenho uma crença de que eu não sou digna de ser amada, das duas uma, ou na minha crença intermediária, eu posso pensar, bom, já que eu não sou passível de ser amada, então eu vou tentar ser muito legal, agradar todo mundo o tempo inteiro, fazer tudo por qualquer pessoa, me subjugar. Ou eu posso ter uma outra crença intermediária, as pessoas são únicas. Bom, já que ninguém consegue me amar, não sou digna de amor, eu vou atacar o F. Eu não quero saber de ninguém, já que ninguém gosta de mim mesmo, tô nem aí. Você grosso, hostil, espinhosa, certo?

Então, a gente desenvolve crenças intermediárias que são pressupostos, atitudes, que são regras com base nessas crenças. Então, a minha crença central é a minha visão mais profunda de mim, do mundo e do futuro. Ao mesmo tempo, tá aqui a tríade cognitiva, né? Visão de mim, do mundo e do futuro. Então, aquela visão que eu tenho sobre mim, eu não sou digna de amor, ou eu não tenho valor, ou eu sou sozinha, desamparada. E se eu sou assim, né? Se eu sou, não sou digna de amor ou de valor, a minha crença intermediária me dá um suporte para eu agir no mundo. São aquelas aquela forma que eu encontrei de me portar. Por exemplo, eu não tenho valor, crença central. Se eu não tenho valor, crença intermediária, então eu não vou nem me esforçar para ser uma profissional boa. Eu não dou conta mesmo. Ou se eu não tenho valor, eu vou fazer de tudo. Assim, eu vou ser a melhor aluna da classe para ser a melhor profissional, porque eu sou para ninguém perceber como eu sou. Certo? E ao mesmo tempo a gente tem os pensamentos automáticos, que são aquelas ideiazinhas rápidas que passam pela nossa cabeça. Por exemplo, ah, vejam aqui esse diagrama, né? Então, vamos pegar uma pessoa que tem uma crença central de desvalor. Eu sou incapaz, certo? Olhem a crença intermediária dela. Ol, olhem estratégias compensatórias. Então, a gente tem uma situação, essa pessoinha, esse ser humaninho que se sente incapaz, que acha que não tem valor, num dia X essa crença se ativa, né? Ã, essa pessoa tava estudando para uma disciplina da faculdade, começa a ficar irritada porque tá cansada demais para continuar estudando e já não tá entendendo mais nada. E aí quando ela se tá nessa situação, lembram? Não é a situação que faz com que eu sinta algo, mas é minha interpretação dela. E onde que ela busca essa interpretação? Na crença dela, na visão mais profunda sobre ela.

Então, vejam só, crença central, eu sou incapaz, certo? Se ativou nessa situação. E aí, nesse momento, como é que essa pessoa se sente? com raiva, ansiosa, frustrada, triste, porque ela começou a pensar: "Eu vou falar nessa matéria e consequentemente na carreira, na vida, eu não sei fazer nada direito, tinha que desistir de tudo. Meus colegas são muito mais capazes, certo?" Bom, diante disso, né? A gente então tem os pensamentos e tem um comportamento de hipercompensação. Que que essa pessoa faz? Como é que ela se comporta? Vou estudar mais ainda porque eu preciso dar um jeito, já que eu sou fracassada, já que eu não dou conta. Vocês percebem? Então é uma situação que desencadeou um pensamento e esse pensamento vem da crença. Além disso, a gente vê a estratégia compensatória, a crença intermediária dessa pessoa. Bom, se eu sou incapaz, então como que eu tenho que me portar no mundo para lidar com isso? Eu tenho que decorar tudo que tá no livro. Eu tenho que só estar no mínimo 16 horas por dia. A faculdade tem que ser minha única prioridade na vida. Não posso ter lazer. Eu tenho que priorizar a faculdade. Não posso me relacionar com ninguém. O meu foco tem que ser esse, certo? Se eu sou incapaz, então isso. E essa pessoa na crença intermediária, eu falo que é o no tronco da árvore sai um galinho especial, né? é o tronco, é a crença intermediária, existem as estratégias compensatórias que vem delas, que no caso é o perfeccionismo. A estratégia compensatória, ela cumpre duas funções. Primeiramente, ela precisa retroalimentar a crença central, confirmar para que ela continue ativa e, em segundo lugar, causar alívio. Por exemplo, tenho uma crença central de que eu sou uma pessoa sem eh não digna de ser amada. Ninguém gosta de mim, certo? Então, né, a minha estratégia crença intermediária, eh, é justamente essa, já que ninguém gosta de mim, eu preciso agradar todo mundo o tempo inteiro. E a minha estratégia compensatória talvez se torne invariavelmente eu preciso agradar, eu preciso ter um feedback positivo de todas as pessoas, todo mundo tem que gostar de mim. Aí eu pergunto para vocês, possível que todo mundo goste de mim o tempo inteiro? Hum, hum, né? Então, já falei, eu já retroalimentei minha crença, porque eu vou me deparar com pessoas na vida que não gostam de mim. E essa confirmação, né, olha, me deparei com alguém que eu não gosta de mim, já que não foi cumprida meu objetivo implícito de eu preciso agradar todo mundo. Então, realmente, para criar de que eu não sou digna de ser amada real.

E ao mesmo tempo, né, se imaginem que vocês me chamam para ir numa festa. Ai, vamos numa festa, vamos tomar um café, tá, né? Eu não vou, né? Eh, vamos supor ou vamos supor uma outra crença, beleza? Eu tenho uma crença central, na verdade, de que ninguém gosta de mim, né? Não sou passível de ser amada. Eh, e que diferentemente da primeira estratégia compensatória, dessa vez a minha estratégia compensatória é: "Bom, como eu não sou digna de ser amada, eu não vou tentar me aproximar de ninguém, certo? Eu vou ficar na minha, porque assim eu não me chatei." E aí vocês me chamam para tomar um café. Aí todo mundo depois da aula de hoje, vamos tomar um café. Ah, gente, quer saber? Eu acho que eu não vou não, eu vou ficar. E aí eu vou paraa minha casa, fico todo toda triste, cabis baixa. E aí, né, o que que vai acontecer? Vocês saíram, vocês interagiram, vocês criaram histórias, vocês desenvolveram coisas em comum, ah, coisas em comuns, memórias compartilhadas, histórias, né? e eu não fui. Então, a próxima vez que a gente se encontrar, eu vou olhar para vocês, vocês vão estar interagindo e eu vou me sentir muito mal, porque poxa, tá vendo? Eu realmente não consigo conversar com eles. Eu realmente sou meio esquisita do grupo, sou meio deixada de lado, eles têm tanta coisa em comum e eu não. E esse meu comportamento de evitar, minha estratégia compensadora aqui foi evitação, né? Quando eu evito me relacionar com as outras pessoas, eu não somente deixo de desenvolver um repertório para me relacionar com elas, mas me gera alívio imediato. Poxa, eu fiquei na minha casa. Eu não precisei me relacionar com vocês e ter o risco de tocar na minha crença de que talvez eu não seja passível de ser amada, fiquei quietinha, certo? Então aqui nesse exemplo que eu tô dando agora, a minha estratégia compensatória é justamente a evitação. Eu vou evitar me aproximar, vou evitar relações muito íntimas. Mas aí que tá, vocês foram, vocês desenvolveram um repertório com assuntos em comum. Então na próxima vez que eu encontrar com vocês, eu vou chegar na minha terapia e vou falar: "Tá vendo? Tava todo mundo conversando, todo mundo interagindo. Eles tinham coisas em comum. Eu não, eu tava lá de lado. Por quê? Porque eu evitei a relação com vocês, mas percebem que uma confirmação da minha crença, a minha estratégia compensatória, a minha evitação das relações fez com que eu confirmasse isso. Eu meio que dei um tiro no meu pé. É a mesma coisa. Eu tenho uma crença central de eu sou incapaz, não dou conta. E aí, né, se eu sou incapaz, eu não vou me, eu não preciso, não vou me dedicar aos estudos, ao trabalho, não dou conta mesmo. E a minha estratégia compensatória é evitação total. Eu não quero ter contato com nada que me desafia. Só que aí um dia, né, poxa, eu tenho uma prova super importante, não estudo para ela. Como eu não estudo pra prova, eu evitei, não me senti mal, né, não ativei aquela crença ali estudando, tipo, ai meu Deus, é muita coisa para eu para eu estudar e tudo mais. Não ativei, não passei por isso estudando. Então o que que acontece? Vou pra prova, fracasso. Percebem? Fui eu que desenvolvi essa estratégia. Eu não ter estudado como uma forma de evitar o sofrimento, de estudar e talvez me deparar com o fato de que eu não sou tão brilhante quanto eu gostaria fez com que eu fracassasse na prova. Confirma então a minha própria crença. Mas ao mesmo tempo, quando eu evitei estudar, eu senti alívio porque eu não precisei ficar me lembrando daquilo, certo?

Então, todos nós temos crenças centrais. São três categorias: desamparo, desvaloramor, certo? E todos nós terapeutas cognitivos erram muito isso. Temos as três crenças. Ah, e qual a crença do paciente? É A, B, C ou D? As três. O paciente e todos nós temos três crenças, só que às vezes elas se ativam e às vezes não, certo? Então, se eu tenho uma crença central de desamor, desvalorou desamor, quando eu me deparar com uma situação na vida, com o fato, aconteceu algo, meu pensamento automático, aquela interpretação para aquilo ali, opa, tô sendo abusado porque o elevador quebrou, opa, eu vou morrer porque o elevador quebrou, vou buscar lá na minha crença central, aquela visão profunda que eu já construí de mim e do mundo. E ao mesmo tempo tem as estratégias de crenças intermediárias que são pensamentos do tipo se isso, se eu sou isso, se o mundo é isso, então aquilo, certo? E as estratégias compensatórias.

Existe um conceito que se chama profecia autorrealizadora. Não é nada místico, né? Não tem nada a ver. Não é lei da atração, não é algo do tipo: "Se eu penso acontece porque eu manifestei, eu evoquei, eu atraí". Não, né? É basicamente isso. Olha, ã, como eu acho que todas as pessoas, que nenhuma pessoa na minha sala de aula vai gostar de mim, eu não vou tentar me relacionar com elas. E talvez eu até ser meio hostil, espinhosa, OK? O que que acontece? Então, eu lancei uma profecia. Ninguém gosta de mim, ninguém nunca vai querer se relacionar comigo. Como eu me comporto? Como alguém distante, arredia? Qual a consequência? As pessoas de fato não vão gostar de mim. Percebem? Então, estratégia compensatória tem intimamente ligada, mas ela precisa cumprir essas duas funções para ser uma estratégia compensatória. Alívio, opa, não vou ativar minha crença, vou ficar em casa. Uhu, mas depois retroalimentar, criar uma evidência de que a crença é real. Eu crio a evidência de que talvez eu seja sem amor, desamparada ou sem valor. Certo? Dúvidas até aqui. E aí, autossabotagem? Perfeito. Isso mesmo. A Tâmara. É, exatamente. Os famosos deveria, se eu sou sem amor, eu deveria. Eu devo me portar assim. Tudo bem? Um bom.

Então esse é o esquema de crenças, né? E durante muito tempo a terapia cognitiva comportamental, né? Eh, ela vem falando pra gente sobre essa questão. Olha, você tem uma crenciente ativa e na verdade a visão mais moderna, a teoria dos modos fala que não, que todos nós, vocês que estão nessa live, vocês que não estão nessa live, qualquer outra pessoa, nós temos as três crenças. Elas ativam e desativam. Por exemplo, se é 2 horas da tarde, eu tenho uma crença central de desvalor. Eu não sou capaz, eu sou burra, eu sou incompetente. 2 horas da tarde de um sábado, de um domingo, tô passeando no shopping, vendo um filme Feliz da Vida. Essa crença vai estar ativa? Provavelmente não. Certo? Mas eu tenho uma crença central, talvez de desamor. 2 horas da tarde, feliz, passeando no shopping, vendo um filme. Essa crença vai tá ativa? Talvez não, mas se eu tenho essa crença e ela tem uma tendência ativação muito forte, né, ela deixa de ficar subliminar para passar da linha de ativação, ã, ela é energizada, sofre processo de catexia, como o Beck diz, né? Ela super se ativa. Ah, eu tenho uma tendência a ativá-la muito nessa questão do desamor por causa da minha história de vida. Poxa, terminei um relacionamento, discuti com uma amiga, eu vou provavelmente mesmo no shopping 2 horas da tarde, talvez eu esteja sofrendo com essa crença por causa de algum evento recente, certo? Então as crenças ficam latentes e o nosso processo, a nossa história de vida faz com que algumas sejam mais sensíveis que as outras e que elas se ativam, que elas se ativem, que elas se energizem, energizem, né? Sofram esse processo de catexia que o Beck fala, passem da linha de ativação e começam a incomodar, certo?

Então, né? Ah, fico feliz. Isa, ler o livro da Jitback, mas com essa aula entendia tudo que não interia no livro. Que bom. Fico muito feliz, de verdade mesmo, viu? Muito bem. Então, de fato, né, quando a gente vê essas crenças, vê todo esse sistema, a gente se pergunta, tá, mas e agora? Como é que eu ajudo as pessoas? Intervindo aqui nos pensamentos, nas emoções, nos comportamentos, mas não só, né? Lembram daquela fofoca que a gente estava fazendo no começo da aula? O que que as pessoas andaram falando? O que que o primo do vizinho falou? Que TCC é rasa, é superficial, dá conta da subjetividade? Lembra daquilo que amigo do primo falou? Tá aqui a nossa noção de profundidade tá aqui na raiz das árvores, da árvore, nas crenças centrais. Quem disse que a sua visão de mundo sobre si, sobre o outro, sobre o futuro, não é profunda? Aquilo que envolve dotação biológica. Poxa, eu nasci com uma tendência genérgica ser ansiosa, a ativação muito frequente do meu sistema nervoso simpático, juntamente com as instruções, com o teu ambiente, com tudo que as instruções verbais, dos seus pais, seus cuidadores, as suas experiências de vida, tudo isso que fez uma massinha e formou a raiz das suas árvores, isso não é subjetividade, isso não é profundo. Então, basicamente, a TCC, ela é acusada de ser rasa porque ela não é outra abordagem. Percebem? Quem diz que não é subjetivo? Quem diz que crenças centrais são tão assim? Lembram que eu falei? Uma pessoa com uma crença central de desamor pode ser a pessoa que desesperadamente quer agradar e pode ser a pessoa que na crença intermediária desesperadamente fala: "Sai daqui, eu não quero chegar perto de ninguém". E n pensamentos, n formas de agir. Então nós somos criticados, nós somos chamados de rasos por não sermos outra abordagem. E de fato a gente não acredita no inconsciente para quem não sabe disso. É uma coisa que Freud diz que existe, tão mística, tão inescrutável, tão inacessível. Você é tão mística assim, como que eu estudo, como é que eu trabalho com uma coisa assim, né? E a TCC clássica, né? Ah, a gente tem uma técnica que se chama teste descendente de encontrar a crença central. Se um se um paciente ele vai hoje no consultório da Daniela, no consultório da Rosana ou da Tamara, elas vão com a flecha descendente achar mesmo sistema de crenças, a fazer o mesmo diagrama, pensamento, comportamento, emoção, a não ser que a situação varie. Ao contrário da psicanálise, né? A psicanálise ela tem uma ela de fato, né? Ela não é científica, a psicanálise não é ciência. Também não vou me alongar nisso, né? é uma discussão que eu sempre aprofundo com os meus alunos da pós da formação, mas a psicanálise ela sem ela nunca você nunca consegue provar nada dela, né? Eh, basicamente por isso, porque sempre que um terapeuta encontra uma divergência, olha, ã, tal pessoa disse isso, isso, então ela muda. Ah, mas é porque o paciente estava em resistência, ó, o tratamento falhou, o paciente estava em resistência, ó, o tratamento não sei o quê, é por causa disso. Então, assim, ela sempre tem uma desculpa para não gerar resultados e para não gerar explicações, né? E na verdade isso é insuficiente. Se eu estou falando de ciência, eu preciso que uma pergunta seja respondida, certo? E não que para cada vez que o meu método fale, olha, você disse que isso era tal coisa, eu não tenho uma justificativa. Então a psicanálise, ela tem sempre uma justificativa paraa falta de respostas, paraa falta de sustentação de algumas afirmações que ela faz, certo? E para quem disse ontem, pegando o assunto de ontem, quem tava na aula sabe, ah, a pessoal da PBE fala que estudo qualitativo não serve para nada. Tá aqui, gente, né? Eh, realmente a pessoa que falou isso não sabe sobre PBE, nem sobre o que a gente fala, né? Porque tá aqui um estudo qualitativo. BEC foi escutar paciente deprimido o dia inteiro, um N maior de um N superior a 500, né? Mais de 500 pacientes deprimidos. E por análise de conteúdo, ele chegou a uma conclusão, quem disse que a gente não faz estudo qualitativo? Mas aí que tá, cada estudo responde uma coisa específica. Para saber se algo funciona ou não, eu preciso do método quantitativo. Se para saber analisar a relação terapêutica, conteúdo já fala dos pacientes, aí eu vou pro qualitativo. Certo? Muito bem, pessoal. Ah, legal. Inconsciente cognitivo, tá? Eu gosto muito dessa expressão, mas eu uso ela como moderação. Quando a gente fala de inconsciente para TCC, ele não é o inconsciente psicanalítico. A gente não acredita no inconsciente psicanalítico, tá? Mas na verdade o inconsciente TCC não é aquilo que Freud fala aí de ego, super ego, né? Nós não acreditamos nisso, certo? Nós somos céticos disso. Ah, quando a gente fala do inconsciente de serc, eh, isso pode se referir tanto a um termo mais específico até algo como simples, tipo até mesmo um pensamento automático. Por exemplo, imaginem só que esteja chovendo aí fora da casa de vocês, certo? Enquanto vocês me escutam, talvez vocês não estejam conscientes de que está chovendo. Vocês sabem que está chovendo, mas não estão conscientes. Ou vocês tm um pensamento automático que passa de uma forma tão rápida pela cabeça que vocês nem se deram conta, né? Então existe um outro entendimento também sobre o com o o inconscientec, mas ele não tem nada a ver com o inconsciente fraidiano e de ego suego, nada disso tem comprovação científica. é uma teoria muito antiga, eh, e enfim, né? Se vocês querem meu posicionamento, assim como eu falei ontem sobre a polilaminina da da PBE, que é a terapia baseada em processos, né? Vamos aplicar sem saber se gera resultado pelo hype, porque tem editora querendo vender livro, tem gente querendo vender curso, é a mesma coisa, né? Então assim, não existe inconsciente freudiano para TCC, para prática baseada em evidências. Isso que Freud falou não é passível de ser provado, certo? Muito bem, pessoal. Então, agora vou fazer uma coisa. Bom, já eu vou falar para vocês, então, a senha, certo? Deixa eu ver se alguma pergunta aqui. Exatamente. A Rose Luciana falou, né, gente, inclusive, né, eh, como eu disse para vocês ontem, é uma coisa muito importante, né, a gente a psicoterapia passou da hora da gente regulamentar isso no Brasil, né? Também eu tenho opiniões bastante impopulares, talvez para quem não é psicólogo, mas eu assim não existe terapia com terapeuta. O cara vai lá, faz um curso de final de semana ou falar, às vezes eles também falam isso nos comentários Instagram, ah, estude daí não sei quantas horas de psicanálise, tá? Mas você não é psicólogo, tá? Mas seu método não é científico. Se você quer atender um paciente, você deveria fazer uma faculdade de psicologia, né? e não fazer não sei quantas horas de psicanálise. Então, terapeuta não é psicólogo, certo? E psicanálise não é ciência. Beleza? Vocês concordam comigo? Se sim, comentem aqui no chat. Terapeuta não é psicólogo, mas é assustador a quantidade de terapeutas, né? e a desinformação da população, porque quantas pessoas vão bater na porta de um terapeuta achando que eles fizeram uma faculdade, que eles trabalham com método científico e qualquer um pode ser terapeuta. Eu posso rasgar meu diploma hoje, fazer inventar um curso maluco da minha cabeça e falar: "Ó, a partir de agora vocês vão fazer curso de terapia comigo. Eu inventei a terapia da batata". Beleza? Então isso aqui vai curar mulheres traumatizadas e pacientes deprimidos. Beleza? Então assim, nada impede hoje no Brasil uma pessoa de inventar uma terapia e uma pessoa aleatória fazer esse método e chamar isso de terapia. Então assim, a gente precisa realmente discutir e apoiar chapas de psicologia que realmente estão brigando pela regulamentação. Terapia deveria ser apenas com psicólogo e psiquiatra. Acabou, né? Muito bem, tô vendo vocês aqui. Terapeuta não é psicólogo. Exatamente. Muito bom. Deixa eu só pegar o link aqui para vocês. Então, número 72. Se o número sete não me atender, eu vou ligar pro número 27, combinado? A aula ainda não acabou. Só vou interromper brevemente nossa programação normal, nossa aula, para que a gente possa ver quem que vai ganhar o sorteio de hoje e a gente retoma. Não acabou, não saiam ainda. Certo? Lembrando que é o número sete e o número 27. Se o número sete não me atender ou não souber a palavra-chave, quem ganha então é o número 27, OK? E o segundo, o 27 é só o suplente. Bom, então deixa eu parar de compartilhar minha tela. Temos aqui 512 respostas. Eu deveria ter estado até um número mais alto. Então vamos lá. Deixa eu ver o número aqui. Vou compartilhar minha tela com vocês. Deixa só ocultar o telefone, né? E vou falar também a palavra-chave. Muito bem. Bom, a palavra-chave de hoje eu vou então falar para vocês é segunda onda, certo? Em homenagem à abordagem que a gente está estudando hoje. Então, quando o número sete me atender, é essa palavra-chave. Caso você não me atenda ou caso você não saiba a palavra-chave, >> caso você não saiba a palavra-chave, eu vou então ligar pro número 27. Beleza? Preparados, então? Preparadas, então só um minutinho. Deixa eu compartilhar com vocês. Eu sempre apanhando o zoom das minhas planilhas, tá? Então vamos lá. O número sete da planilha é a Sline. Eu tenho o telefone dela aqui e eu só ocultei, tá bom? Ah, na verdade não, Slan, perdão. É aqui é o cabeçalho. Então, 1 2 3 4 5 6. Opa, ó. 1 2 3 4 5 6 7. É a Stephanie Souza Soares da Silva. Stephanie, eu vou te ligar agora. Se você atender, você vai falar a palavra-chave e aí na sequência eu vou te dar as orientações. Se a Stephanie não me atender, o número 28, que é o 27, já que o número é o cabeçalho, vai ser a Alessandra Aparecida Pinheiro. Certo? Então vamos lá. Só um minutinho, deixa eu pegar o telefone aqui. É um ligando para Stephanie. Só um minuto. Enquanto isso, vocês podem deixando as dúvidas de vocês, tá? E lembrem que a aula não acabou ainda, pessoal. Deixa eu colocar mais 55 que eu tô fora do Brasil, senão não vai dar certo. Então vamos lá. Espero que ela lembre a palavra-chave. tá chamando. Espero que você estejam ouvindo. >> Segunda onda. >> Oi, Stepanie. >> Oi. >> Segunda onda. Muito bom. Então, Stephan lhe atendeu. Que prazer falar com vocês, Stephanie. >> Muito prazer. >> Que prazer. Então, Stephanie, você acabou de ganhar, não esse, tá? Mas você acabou de ganhar o exemplar desse livro aqui, terapia cognitivo comportamental na síndrome de Balus, que é o meu livro. E fico muito feliz presente. >> Ainda, imagina. Stephanie, você pode mandar uma mensagem pro pessoal do atendimento falando: "Oi, eu sou a Stephanie, sou a ganhadora do livro que o pessoal já vai te atender assim que possível, tá bom? Você já passa seus dados que vai chegar para você certinho na sua casa, >> tá bom? >> Tá bom. Então, tá bom. Então, vamos voltar pra nossa aula. Foi um prazer falar com você e qualquer coisa tô por aqui, tá bom? Parabéns. >> Muito obrigada. Prazer. >> Imagina. Prazer. Tchau. Tchau. Muito bem, pessoal. Então, a Stephanie acabou de ganhar o livro. Amanhã a gente tem mais, então não fiquem desanimados. Amanhã a gente vai ter um outro livro, tá bom? E no dia eu conto agora. Bom, e no dia da última aula, a gente também vai ter um presente bem especial. Para quem quiser ser meu aluno, a dica é não percam, tá bom? Estejam na última aula ao vivo, tá bom? Só vou dar essa dica, talvez eu conte mais paraa frente para vocês. Muito bem, pessoal. Então, pra gente fechar a nossa aula, pra gente finalizando, deixa eu voltar pros meus benditos slides, que eu sempre perco eles aqui. É muita janela. Achei. Um dia eu venço esses slides. Um dia eu venço o zoom. Vendo meus slides aí. Muito bem, pessoal. Então, né, Beck quando tentou tornar científico um pressuposto freudiano, ele não conseguiu, né? E isso fez com que a TCC então surgisse e assim fosse desenvolvida. Então, como eu já comentei com vocês, né, esse modelo teórico, essa abordagem hoje ela foi desenvolvendo. A gente saiu de um modelo cognitivo da depressão, né, já que originalmente ela foi desenvolvida para pacientes deprimidos e nos dias atuais ela se desenvolveu até chegar no ponto ah em que ela é a abordagem teórica com a maior quantidade de evidências. Ela vai ser de fato abordagem principalmente indicada para casos de transtorno de depressivo maior, pacientes deprimidos com transtorno bipolar, fibromialgia, enxaqueca crônica, fobia, ansiedade mineralizada, transtorno de estress pós-straumático, pânico, né? E ela é abordagem, como eu disse para vocês, não é porque trocou a onda que ela se tornou mais fraca ou que uma onda mais nova, mais recente, ela é mais importante, né? Mas ela é de fato abordagem com maior quantidade de evidências, certo? Como que então eu ajudo os indivíduos a mudarem nessa abordagem teórica? Bom, através de uma série de intervenções, né? Eu vou intervir tanto na raiz da árvore, eu vou tentar trabalhar as crenças centrais desse paciente, né? Eh, eu vou tanto tentar ter estratégias para inativar a ativação frequente desse desamparo, desvaloramor. Vou também ajudar esse paciente a tentar desenvolver uma crença central positiva, né? Ao invés de eu não sou digna de ser amada, eu posso ser amada. Eu não tenho valor, eu posso ter valor. Eu sou desamparada, eu posso ser amparada. Certo? Então eu vou trabalhar com essas crenças centrais, mas ela não costuma ser a primeira parte da terapia. Como é justamente a parte mais profunda, ela é a última parte da terapia. Normalmente a gente começa por aqui, pela copinha. Então a gente vai estar com o paciente no consultório e trabalhar os pensamentos. Ele vai trazer os fatos pra gente. Olha, eu briguei com meu namorado, aconteceu isso, meu chefe falou tal coisa, eu me senti assim, assim. Então é por aqui que a gente começa a intervenção nos pensamentos, certo? E não quer dizer que quando eu for intervir na copa da árvore, eu vou intervir só no pensamento, mas não. Eu vou trabalhar o pensamento, a emoção e o comportamento. Eu posso trabalhar, por exemplo, com exame de evidências, tá? Mas qual evidência que você tem de que ninguém no mundo gosta de você? Eu posso trabalhar com estratégias de regulação emocional pro paciente melhorar alguma emoção também ou modificação da emoção e também com estratégias comportamentais, certo? Feito isso, quando o paciente começou então a dominar esse processo de trabalhar os pensamentos automáticos e tudo mais, eu deixo então pras crenças intermediárias. Eu começo a ajudar esse paciente a tentar mudar essas regrinhas. Olha, como a minha crença central diz que eu sou uma pessoa não digna de ser amada, que não é passível de ser amada, a minha e a minha crença intermediária diz que então eu devo me afastar das pessoas, vamos trabalhar isso como, né, eu posso fazer algo que se chama experimentos comportamentais, né? Eh, vamos então fazer um teste, fulaninho. Vamos essa semana chamar uma pessoa da faculdade para sair e ver como que ela te responde. Eh, vamos ver se você vai ser rejeitado, ostilizado mesmo. Olha, eh, você tem uma crença de central de desvalores, que você é incapaz, vamos fazer um teste, vamos fazer um experimento essa semana, que que é uma coisa que você considera difícil, né, pra gente tentar fazer? Então a gente gradualmente vai tentando criar experiências corretoras, né, e que desafiam essas lógicas para que o paciente ele mude esse sistema de crenças e de pensamentos, certo? E a última etapa da terapia, né, é justamente a crença central. É muito difícil eu começar pela crença, né? A Juditbeck inclusive fala isso. A gente tem a autoestrada, né, que é a principal, a mais difícil de você dirigir, cheia de carros e você tem as ruinhas paralelas. Então, na TCC a gente começa pelas ruinhas paralelas. Vamos dirigir por aqui. Quando você tiver só dirigindo bem aqui, a gente vai pela pela rodovia, pela pista principal, certo? A gente vai pra tua crença central. Então, depois que a gente conseguiu trabalhar todos esses níveis com o paciente, a gente vai pra raiz, a gente vai para aquilo que você trabalha de mais profundo, que são as crenças, né? E aí a gente tem várias técnicas, inclusive a gente tem muitas aulas sobre técnicas. Quem participou ano passado, a gente também teve um treinamento só de técnicas, né, que é bem legal, onde a gente trabalha cada um desses níveis. E a TCC, pessoal, ela tem algumas características que são muito distintas, né? Ela é uma terapia de curta duração, porque ela é realmente focada em naquilo que importa pra terapia, né? Não porque ela é, não porque ela é rasa. Eh, a gente trabalha com metas específicas, né? Então, a gente tem um plano de metas, a gente vê a importância de cada uma dessas metas, que que a gente trabalha primeiro. Eh, ela também é uma abordagem educativa. O meu paciente, ele vai pra terapia, mas ele não vai ficar o resto da vida, nem 5, nem 10 anos atcássica. Ele vai aprender a TCC, aprender ser o seu próprio terapeuta, né, através da terapia, que é a única forma, não através de outro outro modo. Ah, e através disso, ele vai aprender comigo como fazer terapia. Poxa, como que eu trabalho pensamento? Qual técnica para ansiedade? Qual técnica para isso, né? Como que eu trabalho uma crença? Porque a ideia da TCC é que o paciente não fique dependente da gente o resto da vida para evoluir, mas que ele possa aprender essas ferramentas, que cada sessão ele ganha uma ferramenta nova para colocar na caixinha dele e quando ele tem a alta, ele vai lá então e opa, me bateu esse pensamento aqui. Já entendi. Isso é um pensamento automático, não trabalhei na terapia, mas o meu terapeuta, a minha terapeuta me ensinou como que eu trabalha isso. Então eu posso na minha caixinha de ferramentas que a terapia me deu, pegar esse martelinho aqui e bater esse preguinho na parede, pegar essa chavinha de fenda e desparafusar isso daqui, né? Então a gente ensina o paciente a terapia cognitiva porque a gente quer que ele seja independente da gente, que ele não dependa da terapia para tá bem, né? Ahã e a gente também, né? Ajuda esse paciente trabalhar com habilidades deficitárias, mudar esse sistema de crenças, certo? Existem alguns limites no entanto da TCC. Se a gente tem aquela lista imensa de coisas para quais ela é a melhor evidência ou é o padrão ouro ou empiricamente sustentada, né, a melhor opção, a gente também tem algumas limitações. Alguns pacientes podem não aderir, né, de acordo com o nível educacional. Então ela é uma terapia que trabalha muito com cognições, né? Pacientes mais literais com alguma questão, algum transtorno de linguagem, podem ter mais dificuldade. Ã, pacientes crônicos e com transtornos de personalidade, não é para TCC clássica, né? Definitivamente eles não melhoram com ela. Ou grande parte deles vai melhorar, mas depois vai piorar, vai regredir, né? E é justamente com base nesses limites que a gente vai conversar nas próximas aulas, já que não existe, vejam só, lembram disso? Não tem abordagem teórica hegemônica, uma abordagem que sirva para tudo. Então, eu preciso de mais de uma abordagem para atender bem. Então, dessa forma, para todos os limites que a TCC clássica ela encontrou, a gente tem outras alternativas, a gente tem outras abordagens que a gente vai ver que são as baseadas em evidências, a ATT, a ADBT e também vou deixar de bônus uma aula de terapia do esquema gravado para vocês, certo? Então, pessoal, se eu quero ser um terapeuta de excelência, se eu quero ter uma prática na qual eu vejo os meus pacientes evoluindo, eu me sinto seguro para saber como agir, prazer, né? Terapias cognitivas comportamentais. ou prática baseada em evidências em primeiro lugar. Então, primeiro ponto, o meu paciente, ele tem ou não diagnóstico, eu dou conta de diagnosticar? Se sim, né, diante desse diagnóstico aqui de uma depressão, de um TDH, de uma fobia social, qual que é o tratamento então que segundo a ciência é o melhor para ele? Então, muitas respostas vão estar aqui na TCC clássica. E para aquilo que a TCC clássica não atende, a gente vai ter a DBT, a ACT e a terapia do esquema, certo? Muito bem, dúvidas até aqui? Bom, e para quem está aqui, a senha de hoje vai ser a mesma senha do telefonema, tá bom? Que é a segunda onda, beleza? Então, essa também vai ser a senha da aula de hoje. Lembrando que vocês vão colocar na planilha pra solicitação do certificado, mas não comentem aqui e não comentem lá no Instagram também, certo? E para quem tá aqui ao vivo nesse horário, eu fico muito honrada, muito feliz. Mostra a nobreza, o comprometimento com vocês, porque eu sei que não é fácil. Já são 10 horas no Brasil. Bom, aqui já passa da 1 da manhã, quase duas. São 10 paraas 10 no Brasil. Sei que vocês estão cansados, mas parabéns, né? Isso fala bastante sobre o comprometimento de vocês. E por isso que ontem quando eu terminei essa aula bem tarde, falei: "Poxa vida, né? Eh, vamos pensar um para ele, para quem realmente tá presente, tá ao vivo, né, tá participando, porque realmente ao vivo é diferente, né? A gente tem possibilidade de vocês mandarem dúvidas, sem a interação e tudo mais, beleza? Então, só recapitulando, a senha da aula de hoje é a mesma senha do da ligação do presente de hoje, que é a segunda onda, OK? Muito bem, pessoal. Então, foi um prazer estar com vocês aqui hoje. Aguardo vocês novamente amanhã ao vivo, tá bom? E qualquer dúvida, a equipe tá à disposição, é só vocês entrarem em contato também. E vamos então pra nossa próxima aula. Como eu falei, não digam que eu não avisei. Estejam preparados, estejam preparadas para DBT, tá bom? Talvez vocês nunca mais verão a terapia da mesma forma, mas vai ser muito legal, eu acho, mas eu sou suspeita. Beleza? Então até amanhã. Obrigada pela presença. É um prazer estar com vocês. Um beijo grande. Até mais.